O Espirito Santo e as Escrituras na vida do cristão


Nos artigos anteriores aqui e aqui, escrevi sobre a experiência individual da graça soberana de Deus através de Jesus Cristo que cria um desejo no coração humano em viver para a glória de Deus. Neste artigo, desejo olhar mais de perto como isso acontece na vida dos cristãos.

As Escrituras nos ensinam que 40 dias depois da ressurreição de Cristo, Ele aparece pela última vez aos seus discípulos. Ele deu uma última instrução e palavras de ânimo antes da ascensão ao céu. “Mas recebereis poder quando o Espírito Santo descer sobre vós; e sereis minhas testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judeia e Samaria, e até os confins da terra. Depois de dizer essas coisas, ele foi levado às alturas enquanto eles olhavam, e uma nuvem o encobriu de seus olhos” (Atos 1:8-9).

Existe muito que dizer a partir desta pequena porção das Escrituras, mas gostaria de comentar apenas dois pontos básicos.

1. Jesus prometeu que o Espírito Santo estava vindo, e viria sobre nós.

2. Jesus não estará mais presente fisicamente com os seus discípulos.

Uma vez que realizamos estes dois básicos pontos, observemos os seguintes versículos em Atos 1.10-11, “Estando eles com os olhos xos no céu, enquanto ele subia, apareceram junto deles dois homens vestidos de bran- co, que lhes disseram: Homens galileus, por que estais olhando para o céu? Esse Jesus, que dentre vós foi elevado ao céu, virá do mesmo modo como o vistes partir.

Este texto nos lembra que vivemos em um tempo especial, o tempo do Reino. Vivemos entre sua primeira e segunda vinda. A graça soberana de Deus atua através da Igreja pelo Espírito Santo. Isto tem sido grandemente ignorado pela Igreja hoje.

Se é verdade que Jesus não se encontra mais na Terra, também é certo que o corpo de Cristo místico, a Igreja, está presente em mais lugares que aqueles que Jesus esteve durante o seu ministério terreno.

Assim, o amor e perdão de Jesus so- mente se fazem visíveis aos olhos do mundo através da Igreja que Ele estabeleceu. Por isso, é essencial que a Igreja esteja fundamentada nas Escrituras, que continue pregando e ensinando as Escrituras, e viva cada dia as verdades que nelas encontramos. As Escrituras são o testamento escrito dos propósitos e promessas de Deus para Seu povo eleito. A Bíblia é a Palavra de Deus viva que transforma aqueles que leem com um coração aberto pelo Espírito.

Albert Einstein diz em uma entrevista publicada no jornal ‘Saturday Evening Post’, o 26 Outubro de 1929: “Ninguém pode ler os Evangelhos sem sentir a presença atual de Jesus. Sua personalidade presente em cada palavra. Nenhum mito está cheio com tal vida.”

As Escrituras seguem sendo o maior testemunho da verdade eterna que Deus se fez homem, Jesus, e habitou em meio de nós. Por isso, muitas pessoas tem sentido do mesmo que Albert Einstein ao ler as Escrituras. De verdade, não somente teem lido, mas meditado no que estas Escrituras descreviam com tal claridade que tocou o coração do leitor.

Isto não deveria surpreender, porque o próprio Jesus diz aos seus discípulos, “Todavia, digo-vos a verdade; é para o vosso benefício que eu vou. Se eu não for, o Consolador não virá a vós; mas, se eu for, eu o enviarei” (João 16.7). O Consolador tem um ministério essencial na vida da Igreja e dos cristãos. Ele vem nos convencer do pecado, da justiça (João 16.10) e do juízo (João 16.11). Também, lemos que Jesus diz que o Consolador virá e nos dirigirá em toda verdade (João 16.13). Este texto é muito importante, porque foram aos apóstolos que esta promessa foi feita e os responsáveis por escrever o Novo Testamento (2 Timóteo 3.16). Por isso, o Consolador glorificará a Jesus (João 16.14).

A Bíblia tem uma vitalidade que ou- tros livros não tem, porque era e é a palavra de Deus escrita que transmite as verdades eternas. Se lemos as Escrituras, deve ser para glori car Deus. Se o Espírito faz isso, quanto mais a Igreja de Jesus Cristo. Se pensamos que a Bíblia é um livro de regras, dizendo o que devemos ou não fazer, então parecerá muito mais como um manual de instruções. Com certeza, a Bíblia nos ensina como podemos viver melhor. Contudo, a Bíblia não trata do que você tem que fazer como um simples manual, mas trata sobre Deus e o que Ele tem feito pelo Seu povo.

A Bíblia é principalmente um história. É uma aventura do Herói que vem de lugares longínquos para recuperar te- souros perdidos. É uma historia de amor sobre um Príncipe valente que abandona seu palácio, seu trono, tudo, para resgatar a amada. É a mais maravilhosa das histórias que tem sido contadas, mas ela é real.

Existem muitas historias diferentes nas Escrituras, mas todas elas formam parte de uma maior historia. A historia de como Deus amou seus lhos e vem a resgatar eles.

Existem outros livros escritos por C.S. Lewis e Tolkien que tentam contar a historia redentora de Cristo através de novelas. Elas são boas, mas nada pode ser comparado com as Escrituras. “Assim, temos ainda mais rme a palavra profética. E fazeis bem em estar atentos a ela, como a uma candeia que ilumina um lugar escuro, até que o dia amanheça e a estrela da alva surja em vosso coração. Saibam antes de tudo que nenhuma profecia das Escrituras é de interpretação particular. Pois a profecia nunca foi produzida por vontade humana, mas homens falaram da parte de Deus, conduzidos pelo Espírito Santo” (2 Pedro 1:19-21).

A “palavra profética,” que Pedro cita aqui ele entende ser as Escrituras. Ele nos ajuda entender que nas Escrituras homens falam, mas falam como “de Deus,” porque eles eram “conduzidos pelo Espírito Santo.” Em nenhum outro livro, isto é assim. Outros autores tiveram esta experiência. Nem fo- ram usados por Deus deste modo. Por este motivo, os Reformadores afirmaram “Sola Scriptura.” Nenhum outro documento tem a autoridade que as Escrituras possuem. Nela, encontramos palavras de vida eterna, a palavra escrita de Deus. E porque é na Escritura somente que temos a promessa que
Deus mesmo fala “fazeis bem em estar atentos a ela, como a uma candeia que ilumina um lugar escuro.” Nós como reformados entendemos que de- vemos fazer exatamente isso.

No 6o Artigo dos 39 Artigos da Igreja da Inglaterra é dito: “A Escritura Sagrada contém todas as coisas necessárias para a salvação; de modo que tudo o que nela não se lê, nem por ela se pode provar, não deve ser exigido de pessoa alguma seja crido como artigo de fé ou julgado como requerido ou necessário para a salvação...

Sola Scriptura nos lembra que a Bíblia é, e deve ser, a regra su ciente e infalível para decidir as questões de fé e prática na vida da Igreja. Isto não deve ser entendido como que a Bíblia contém todo o conhecimento, mas que Ela contém todo o conhecimento necessário para nossa salvação. Se alguma doutrina não se encontra baseada nas Escrituras, essa não pode ser exigida dos cristãos.

No entanto, Sola Scriptura não nega a autoridade da Igreja para ensinar e instruir o povo de Deus, mas que deve ser conforme as próprias doutrinas que encontramos nela. Tampouco, deve ser considerada Sola Scriptura com uma negação a tradição per se. Já que a tradição tem seu papel na igreja, sempre e quando esteja sob a autoridade das Escrituras e não seja contraria a mesma.

Não devemos esquecer que Sola Scriptura não signi ca que os Reformadores rejeitavam todas as coisas que cada cristão tenha dito através dos séculos. Eles mesmos ci- tavam os Pais da Igreja, como exemplos da suas posições. O que Sola Scriputura também signicava é que reconheciam sendo grandes heróis da fé, mas não podiam ser considerados inerentes, nem inspirados, e, na verdade, tinham errado, como fazem os homens hoje. Por isso, a afirmavam que as Escrituras eram a única regra
verdadeira.

E, em tudo isto, o papel do Espírito Santo é vital. Já que somente podemos receber e obedecer pelo Espírito Santo.

- Sola Scriptura -


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Texto da minha autoria publicado na revista "A Espada e a Espátura" do Projeto Spurgeon, Junho de 2012.

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