Ecclesiastes - seu autor e propósito

O autor de Eclesiastes nem sempre se considera ser o Rei Salomão. Em diversos círculos acadêmicos, se debate se realmente Salomão é o autor deste livro, sobretudo porque o autor do livro nunca se identifica pelo nome. Uma vez dito isto, realmente, o autor se identifica através de algumas informações.

  • Ele era um filho de Davi e um rei em Jerusalém (Ec. 1:1).
  • Ele era um rei sobre Israel em Jerusalém (Ec 1:12).

Os autores do Antigo Testamento usam com regularidade o termo filho, como um equivalente a descendente. Se entendemos este termo no seu sentido geral, o autor é um descendente de Davi que governa desde Jerusalém sobre Israel. A partir do neto do Rei Davi, Roboão, o reino de Israel foi dividido em duas partes. O reino do Norte continuou se chamando Israel e sua capital era Samaria. O reino do Sul era chamado Judá e sua capital era Jerusalém. Deste modo, o único descendente do Rei Davi que governou desde Jerusalém sobre Israel foi o Rei Salomão.

Outros textos confirmando que Salomão escreveu Eclesiastes:

  • Lemos que o autor tinha mais sabedoria que todos os homens diante dele (Ec. 1:16; 1 Reis 3:12-13).
  • Aprendemos que o autor edificou grandes prédios (Ec. 2:4-6; 1 Reis 7:1-12), e
  • Descobrimos que o autor tinha uma grande riqueza (Ec 2:8; 1 Reis 9:28; 1 Reis 10:10; 1 Reis 10:14; 1 Reis 10:21).

Aqueles que mostram dúvidas sobre a autoria de Salomão, aponta o fato de que o texto de Eclesiastes 12:9-10 fossem escritas pelo próprio rei Salomão. Também, somos conscientes que o rei Salomão não foi fiel a Deus nos seus últimos anos de vida (1 Reis 11), contudo o autor de Eclesiastes ensinava ao povo a ser fiel a Deus (Ec. 12:13).

Isto nos traz uma dúvida sobre o autor, ainda que tal dúvida possa ser esclarecida se consideramos que o autor foi o rei Salomão, mas ele não foi o escritor. Um dos alunos de Salomão fui o responsável por organizar e transcrever as palavras e as ideias de Salomão. Se isto fosse correto, explicaria o fato de que o escriba desejasse deixar sua assinatura no texto. Isto não significa que o autor não fosse Salomão, significa que o escritor e o autor são pessoas diferentes. Isto resulta contraditório no Século 21. Estamos acostumados que o autor e escritor do texto sejam a mesma pessoa, contudo nem sempre foi assim. Inclusive, hoje em dia, encontramos pessoas que transferem um sermão para um formato de livro. As pessoas que transcrevem, fazem muito mais que simplesmente transcrever palavra por palavra que estão ouvindo na mensagem. Também estão adaptando o estilo do formato orar ao formato escrito.

A ideia de que um aluno de Salomão fosse o escritor de Eclesiastes, seria um fato comum da época. Inclusive seria feito através da supervisão de Salomão. Possivelmente, seria um estudante avançado capaz de instruir a outros. Isto explicaria o termo “filho” (Ec 12:12), sobretudo se percebemos que em Provérbios (Pv 4:1) o termo “filhos” se refere a estudantes.

Outra possibilidade seria que o autor fosse um dos conselheiros do rei, contudo fosse alguém que ninguém respeitasse (Ec 9:14-16; Ec 10:5-7). O próprio filho de Salomão não seguiu o conselho do sábio (1 Reis 12:8).

O PROPOSITO DO LIVRO

O autor deseja instruir o caminho que levam a sabedoria de Deus, aprendendo a importância de ser sábios, e aceitar a ideia de crescer em sabedoria.

Salomão começa o livro apresentando a questão universal para o homem, “qual é o sentido da vida?” Esta pergunta ainda hoje se apresenta em algum instante na vida. A vida parece sem sentido em muitas instancias. Será que existe um proposito ou somente é uma existência sem sentido? O tempo passa, a vida transcorre, as vezes dificilmente sobrevivemos, e todo transcorre sem parecer que nada esteja acontecendo. O mundo está em constante movimento e, ao mesmo tempo, todo parece permanecer igual. Há realmente alguma coisa nova no mundo? É claro que podemos responder sim, só precisamos ver os avanços tecnológicos nos últimos anos, contudo será que tais descobrimentos não são realmente avanços daquilo que o homem já conhece. Em outras palavras, temos descobertos novas formas de comunicação e transmitir ideias, mais rapidamente, e inclusive a menor custo e mais eficazmente. Será que tais descobrimentos mostram realmente o desejo do ser humano de estar conectado e de refletir sobre a própria existência humana. No mundo das ideias, se fala que geralmente uma nova ideia não é outra cosia que uma ideia esquecida que é apresenta de forma nova.

Deste modo, como encontramos uma resposta a questão de Salomão?

O próprio autor responde à questão usando das suas habilidades e experiência de vida. Ai é onde descobrimos o fascinante fato de que o homem sempre tem buscando uma resposta satisfatória a essa pergunta. A catolicidade (universalidade) dá questão, mostra que tal supera as barreiras do tempo, a distancia e os povos.

Salomão responde em direção ao Criador. Ele nos mostra que o proposito da vida é viver seguindo as instruções de Deus (Ec 9:1). Isto é possível se temos uma relação verdadeira com Deus, assim somos considerados sábios aos olhos do Senhor. Sendo assim, inclusive aquele que seja o mais sábio entre os homens, se não tem comunhão com Deus, é um tolo. A lei de Deus nos ensina como ter e manter uma relação intima com o Criador (Ec 12:13).

Não é nenhuma novidade tal mensagem na Bíblia, contudo o método seguido pelo autor de Eclesiastes é sem duvida diferenciado. Ele não declara estar falando em nome de Deus. Tampouco Salomão informa de maravilhas que Deus tenha feito no mundo. Em vez disso, o autor nos surpreende mostrando e descrevendo o estado verdadeiro da vida ao redor do mundo, em todos os tempos, e por todas as pessoas. O autor usa o principio da catolicidade (universalidade) para mostrar a verdadeira debilidade em que estamos. Enfatiza certos fatos que desejamos negar. E, finalmente, usa estas mesmas coisas para mostrar que devemos confiar em Deus. Através do estudo das vidas das pessoas, o autor mostrar que realmente precisamos Deus nos salvar.

Este livro se converte em uma arte de poesia e filosofia para os dias de hoje. Seja qual seja sua situação, você é um cristão ou alguém contrario a ideia da existência de Deus. Encontrará neste livro, elementos para crescer em sabedoria e descobrir um Deus vivo. O autor nos adverte de várias formas. Enfatiza que o sofrimento forma parte da vida. E, no fim, morremos e Deus será o juiz. Salomão, assim, nos orienta a perceber a simples realidade de que não estamos prontos para o julgamento de Deus, e nos urge a buscar a comunhão e paz com Deus, com urgência, e sem demora.

Neste sentido, encontramos uma conexão do autor de Eclesiastes com alguns dos filósofos gregos. Inclusive algumas das explicações são semelhantes. Ele descreve com simplicidade e constância aquelas atitudes e virtudes das pessoas que estão distantes de Deus. Tais pessoas terão sempre as mesmas motivais atitudes onde seja que eles residam. As pessoas sempre tentamos satisfazer nossos próprios desejos. As pessoas amamos comida e bebida, e geralmente se tornam gananciosos. Amam o dinheiro e as possessões, e frequentemente se tornam egoístas. Isto é maldoso, mas é a própria natureza humana. Qualquer de nos que tomei tempo para observar as atitudes das pessoas verá tais coisas.

Contudo o autor verá muito mais que isso. Salomão vê uma confirmação da maldade do homem e o comportamento das pessoas uma confirmação de que as Escrituras são verdade. A fraqueza do homem prova a grandeza de Deus. O autor, assim, insiste que o livro de Gênesis está certo (veja Eclesiastes 12:7 e Gênesis 2:7). Lembremos então que Deus nos criou (Ec. 12:1) e não esqueçamos da total certeza de que Deus será nosso juiz (Ec. 11:9). Isto nos lembra de dois fundamentos que não devemos esquecer:

  1. Não podemos alterar o mundo. Deus fez o mundo, e está nas suas mãos.
  2. Não podemos consertar o mundo. Há demasiadas coisas que estão quebradas.

O autor, também, faz uma nota preliminar. Se é importante o uso da sabedoria para encontrar a resposta a questão de qual é o sentido do mundo, tenhamos certeza de que a sabedoria não é a resposta em se mesma. Quanto mais aprendemos, mais percebemos o estado em que nos encontramos. Assim, percebemos com Sócrates, “Quanto a mim, tudo que eu sei é que eu não sei nada,...”

PERGUNTAS PARA MEDITAR:

1) Que critério podemos usar para decidir de que trata a vida ao final? Em outras palavras, como vamos definir o que vale a pena e o que é uma perda de tempo?

2) Será que é um bom investimento tentar encontrar o sentido da vida? Porque ou porque não?

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