A verdade sobre Anglo-catolicismo


Nos últimos anos, minha pressuposto de que as igrejas anglicanas são qualquer cosia exceto uma igreja protestante, reformada e evangélica, tem sido contestado, atacado e ridicularizado em diversos círculos. Minha pressuposição de que o movimento anglo-católico foi um “presente de grego” ou, em outras palavras, um “cavalo de troia” que devastou a identidade anglicana até reescrever a narrativa do Anglicanismo além do que se percebe hoje.

Em 2007, Alister McGrath escreveu para o jornal da Igreja de Irlanda. No artigo, Dr. McGrath analisa os méritos do Anglo-catolicismo a luz da história e os principais fontes acadêmicas contemporâneas. Ele afirma que é “historicamente indefensável” toa a noção anglo-católica de que o Anglicanismo é uma alternativa ao Protestantismo.
Muitos autores anglicanos simpatizantes do ‘Movimento de Oxford’ da Igreja Alta do século 19, também conhecido como ‘Tratarianismo,’ eram geralmente desconsiderados de qualquer sugestão que o Anglicanismo possa ser considerado ‘Protestante.’ Ao final, eles debatem, seu ‘Anglo-catolicismo’ poderia ser rastreado para os desenvolvimentos no inicio do século dezessete. Eles apontam a um grupo de autores durante o reinado de Tiago I e Carlos I que, eles defendem, mostram uma perspectiva muito mais ‘católica’ que seus colegas no reinado de Eduardo VI ou Elizabete I. Anglicanismo nunca foi Protestante, afirmam; mantive sua identidade Católica e resistiu qualquer tentação de ser parte do movimento Protestante. 
Historiadores consideram, agora, esta narrativa do Anglicanismo, como uma aberração desafortunada. Com certeza, é verdade que alguns membros importantes da Igreja de Inglaterra durante o reinado de Tiago I e Carlos I colocavam maior ênfase na sua vida sacramental que alguns dos seus contemporâneos. Alguns também se mostraram ser críticos (em alguns pontos) da primeira geração de líderes Protestantes na Reforma Inglesa. Sob o Carlos I, este grupo começou a ganhar a ascendência, com William Laud (1573- 1645) sendo Arcebispo de Canterbury e Richard Neile (1562-1640) Arcebispo de York. 
No entanto, tais líderes não podem ser considerados como ‘Católicos,’ não se pode negar sua identidade Protestante, por esta razão. Em primeiro lugar, eram geralmente afirmativos dos seus credenciais Protestantes. No segundo, sua visão sacramental e eclesiológica pode facilmente ser acomodada dentro do espectro das possibilidades Protestantes. 
Protestantismo é um movimento de ‘tenda grande,’ oferecendo uma variedade surpreendente de possibilidades dentro de sua visão de vida e pensamento cristão. Lutero, devemos lembrar, tinha uma visão mais ‘alta’ do batismo e a eucaristia que Zwingli - um fato que é refletido no Luteranismo moderno neste momento. Ainda assim ninguém sugere que Luteranismo não é uma forma de Protestantismo baseado no ponto de vista sacramental. 
Alguns apontam a Carlos I, como o representante clássico deste ‘Anglo-catolicismo.’ Mesmo assim, facilmente eles também ignoram o fato estranho que, na noite antes de sua execução, Carlos diz a sua filha de treze anos, Elizabete, que ele estava a morrer para “manter a verdadeira religião Protestante,” e pediu para ela ler as obras de Lancelot Andrewes e Richard Hooker “para fundamental ela contra Papismo.” Outros sugerem que Anglicanismo é uma ‘via media’ entre Protestantismo e Catolicismo. For esta razão, é debatido, que não é Protestante nem Católico, mas combina a força de ambos. Porém, historiadores, como Diarmaid McCulloch, tem corretamente apontado que a ‘via media’ desenvolvida na Inglaterra no século 16 era entre Luteranismo e Calvinismo – dois versões bastante diferentes de Protestantismo. A ‘via media’ que resultou não era Calvinista nem Luterana, mas era certamente Protestante. 
Desde uma perspectiva histórica, a Igreja Inglesa nacional deve ser considerada como uma variante Protestante – a ‘Igreja Episcopal Protestante de Inglaterra e Irlanda,’ como os documentos do estado e o parlamento regularmente a descreve. E, como muitos leitores lembraram, o corpo que agora prefere descrever-se como ‘A Igreja Episcopal’ era original chamada ‘A Igreja Episcopal Protestante nos Estados Unidos de América.’ (De fato, este permanece o titulo legal da Igreja). 

Leia o resto do artigo do Dr. McGrath, aqui.

A Deus seja toda a glória, agora e para sempre. Amém.

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4 comentários:

  1. Texto até interessante, caro Bispo, porém, há um Romanismo muito patente nas Igrejas advindas da reforma, onde mostra a força de Roma, mesmo sobre aquelas Igrejas que se acham SEPARADAS de Roma. Ao meu ver, hoje, tenho muita dúvida sobre o que a Igreja deve manter do Romanismo, ou expurga-lo de uma só vez da Raiz da Igreja Protestante em especial as advindas da Reforma. Evidentemente, sem os extremos de Calvino e outros radicais....

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    1. Eis aqui a gênese da dispersão protestante.A Igreja fundada por Lutero ficou lá atrás e a maioria dos protestantes o renegam e não o querem como pai e avô de sua crença. Alguns escrevem: "O que temos com Lutero?"

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  2. A diferença é que estão separados da Igreja de Roma, portanto trata-se de um grupo cismático, igualzinho aos protestantes e ortodoxos. Vamos voltar aos primórdios e conforme acreditavam os cristãos primitivos:

    "Mas visto que seria coisa bastante longa elencar, numa obra como esta, as sucessões de todas as igrejas, limitar-nos-emos à maior e mais antiga e conhecida por todos, à igreja fundada e constituída em Roma pelos dois gloriosíssimos apóstolos, Pedro e Paulo, e, indicando a sua tradição recebida dos apóstolos e a fé anunciada aos homens, que chegou até nós pelos sucessões dos bispos... COM ESTA COMUNIDADE, DE FATO, DADA Á SUA AUTORIDADE SUPERIOR, É NECESSÁRIO QUE ESTEJA DE ACORDO TODA TODA COMUNIDADE, ISTO É, OS FIÉIS DO MUNDO INTEIRO; nela sempre foi conservada a tradição dos apóstolos. [...] [Pedro e Paulo] confiaram a Lino o ministério do episcopado. [...] A Lino sucedeu Anacleto. A seguir, Clemente; Clemente vira os apóstolos, conversara com eles e ainda tinha ouvido sua pregação. [...] A Clemente sucedeu Evaristo, e a Evaristo, [sucedeu] Alexandre. Depois, em sexto lugar após os apóstolos, veio Xisto... " (Ireneu de Lião, 180 d.C., Contra as Heresias III,3,2-3).

    Repito as palavras de Irineu de Lyon:

    à maior e mais antiga e conhecida por todos, à igreja fundada e constituída em Roma pelos dois gloriosíssimos apóstolos, Pedro e Paulo, e, indicando a sua tradição recebida dos apóstolos e a fé anunciada aos homens, que chegou até nós pelos sucessões dos bispos... COM ESTA COMUNIDADE, DE FATO, DADA Á SUA AUTORIDADE SUPERIOR, É NECESSÁRIO QUE ESTEJA DE ACORDO TODA TODA COMUNIDADE, ISTO É, OS FIÉIS DO MUNDO INTEIRO

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  3. Parabéns! Já tinha concluído erradamente que não iriam publicar minha mensagem. A despeito da minha descrença publicaram-na. Parabéns. São realmente corajosos! Em minhas considerações já os tinha considerado COVARDES, mas vou retirar o termo e peço
    desculpas.

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