O Papa, anticristo ou herói?


Hoje, será o primeiro domingo sem Bento XVI, como Papa. Muito tem sido escrito nas últimas semanas sobre o anúncio da renúncia de Bento XVI. Este anúncio causou comoção nos jornais e mídia social. Muitas opiniões foram expressadas sobre os motivos do Papa para apresentar tal renúncia. Muitos consideravam os escândalos recentes no Vaticano, e outros afirmavam outras questões. Seja como fosse, a verdade é que o papado de Bento XVI chegou ao seu fim, e sua renúncia marcará o seu papado na história. Em outras palavras, será lembrado pela sua renúncia, e as implicações que tal ato terá para a futuro da Igreja de Roma.

Pessoalmente, tenho pensado que a renúncia dele foi fruto da idade, cansaço e desânimo para seguir adiante em tal responsabilidade, quando encontrou desafios demais para fazer frente como Bento XVI pensou que tais desafios deviam ser respondidos. Possivelmente, os escândalos recentes tem sido simplesmente a simples revelação que algumas coisas não tem mudado na Igreja de Roma, depois de 500 anos. Muitos ainda acreditavam no milagre do Concílio Vaticano II. Infelizmente, os recentes escândalos sexuais, econômicos, pastorais e teológicos mostram a Igreja de Roma em uma encruzilhada sem uma clara direção.

Enquanto lia os artigos este dias sobre tal notícia, observei a obsessão de vários setores evangélicos com o Papa. Ainda li afirmações de que o Papa seria o anti-cristo. Vi diversos artigos ensinando os motivos pelos quais se considera o Papa, como o anti-cristo, e, inclusive, alguns deles tinham sua lógica. Sou consciente que, inclusive, os Reformadores Ingleses, como Richard Hooker e William Laud, entre outros, usavam termos semelhantes para referir-se ao Papa e a Igreja de Roma. Suponho, se eu houvesse vivido no século 16 ou 17; possivelmente, também houvesse usado tal linguagem.

Hoje em dia, tenho verdadeira dificuldade para afirmar que o Papa é o anti-cristo. Simplesmente, vejo o Papa, como o Bispo de Roma. Ao mesmo tempo, considero a Igreja de Roma, como uma comunidade cristã que tem aceito, promovido e ensinado erros doutrinários, diversas idolatrias e práticas contrárias às Escrituras. Por este motivo, eu saí da Igreja de Roma faz vinte anos, e nunca mais pensei em voltar a ela. Minha oração é que a Igreja de Roma realmente tenha um verdadeiro processo de reforma que a leve de volta à igreja primitiva, como os Reformadores Ingleses fizeram com a Igreja de Inglaterra no século 16.

Se é verdade que vi os artigos que tratavam o Papa como anti-cristo, também li outros que apresentavam o Papa como o herói do momento. Suponho que assim deve ser visto por aqueles que desejam uma mudança na Igreja de Roma. A decisão de Bento XVI tem provocado que a opinião pública e, sobretudo, os católicos-romanos percebam a seriedade dos problemas que existem na Igreja de Roma.

Agora bem, a mudança que a Igreja de Roma precisa, não é somente de moral e ética, que precisa sim de tais reformas, mas também precisa uma reforma mais profunda de doutrina, crenças e dogmas. Do contrário, a história voltará a repetir-se no futuro, como no presente e o passado.

Finalmente, reconheço que, com todas as diferenças de dogma e doutrina que tenho com Bento XVI, achei nele um sincero teólogo que buscou de forma sincera expressar uma fé viva na Igreja de Roma. Agora, desejo que encontre a paz que busca em Cristo, por Cristo e para Cristo, e que seu corpo e alma sejam renovados pelo Espírito Santo na comunhão com o Pai.

Por minha parte, entendo sua decisão e tenho tido muitas vezes o mesmo desejo de apresentar minha renúncia, diante do quase impossível chamado de ser um pastor do povo de Deus nos dias de hoje. Que Deus continue dando sabedoria, forças e direção para seguir o exemplo do Bom Pastor, e Senhor de Senhores, Jesus Cristo.


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