As aflições, uma necessidade na jornada


Cristianismo que está livre de sofrimento não é verdadeiramente Cristianismo. Seguramente, tenha ouvido os grandes “homens de Deus na TV” promovendo tesouros e grandes benefícios, se você envia ofertas e dízimos. Infelizmente, muitos são os brasileiros que tem sido enganados com este falso evangelho que promete riquezas, mas entrega desespero. Os únicos que parecem enriquecer com estas atividades são estes falsos profetas dos dias de hoje.

A verdade é que Jesus nos mostra outra realidade bem diferente. Em Marcos 8.31, lemos, “E começou a ensinar-lhes que era necessário que o Filho do homem sofresse muitas coisas, fosse rejeitado pelos líderes religiosos, principais sacerdotes e escribas, fosse morto e depois de três dias ressuscitasse.”

Este texto nos chama a atenção a considerar o Cristianismo nos dia de hoje de uma forma diferente. A fé cristã se vivida verdadeiramente, vai trazer desconforto e aflições. Não estou falando dos atos injustos que muitos cristãos fazem e, depois, são perseguidos pelos seus próprios erros. Estou falando daqueles que, desejando seguir os passos de Jesus, enfrentam as aflições da própria vida.

Desde os tempos do Antigo Testamento, sofrimentos são parte da existência humana. O fruto do pecado causa sofrimento. As Escrituras não separam o sofrimento físico e mental, porque o homem é visto na sua totalidade. À diferença do homem contemporâneo, os autores das Escrituras não se preocupam tanto com a origem do sofrimento, mas refletem na razão e propósito do sofrimento.

Israel entende o sofrimento como castigo divino pelo pecado. Em conformidade com seu claro entendimento que o pecado de um só tem consequências na vida da comunidade toda, assim uma nação pode sofrer pelos pecados do seu rei ou os descendentes pelos pecados dos seus pais (I Sam 22.18; 2 Reis 21.10-11).

Talvez, a grande pergunta seja, porque os justos devem sofrer?

Se lemos o Antigo Testamento, observamos como os mensageiros de Deus, os profetas, sofrem das mais diversas formas, inclusive mais que outras pessoas. (Jer. 8.18-21; Salmos 44.23).

Às vezes, encontramos o Salmista reclamando impacientemente pelo juízo de Deus demorar a cair sobre os injustos e os malvados. Não em vão, muitos cristãos se sentem da mesma forma hoje. Em meio destas dificuldades, o povo de Deus era animado a esperar o Dia de Jeová. Nesse dia, todas as injustiças humanas serão julgadas e resolvidas pelo Juiz santo e justo. Nunca esquecemos que, apesar de todas as dificuldades, o povo de Deus no Antigo Testamento nunca tomou um ponto de vista pessimista. Já que Deus é Senhor, anima a permanecer firmes e desfrutar da vida (Eclesiastes 1.2-11; Eclesiastes 9.7-10). Portanto, ainda que enfrentemos grandes dificuldades, podemos ter certeza de que existe luz ao final do túnel. Sejamos confiantes na esperança que temos em Deus.

No Novo Testamento, a igreja enfrenta as perseguições à luz do entendimento do Antigo Testamento. Esta visão ganha novo entendimento à luz do sacrifício voluntário de Jesus na cruz por nós e os nossos pecados. Ele tomou para si os pecados do mundo. Assim, aceita a necessidade do seu sofrimento, como parte da obra redentora de Deus pelo seu povo eleito. Não foi um ato compulsivo, mas um ato de amor e entrega plena.

Deste modo, as palavras do apóstolo Paulo ao jovem bispo Timóteo, em 2 Timóteo 4.5, devem ser consideradas, “Tu, porém, sê equilibrado em tudo, sofre as aflições, faze a obra de um evangelista e cumpre teu ministério.”

Paulo tinha consciência que sua vida estava chegando ao fim. Portanto, tinha a urgência de deixar palavras de ânimo e conselhos práticos para os anos futuros. Assim, pede a Timóteo que sofra as aflições, deste modo estava indicado que a vida Cristã não era um caminho de rosas. Não há nada como um cristão sem dificuldades. MAS temos que estar prontos para enfrentar sofrimento e aflições, e sofrer tais desafios com um coração confiante em Deus.

Paulo estava falando da sua própria experiência pessoal, como podemos ver na atitude do próprio apóstolo em 2 Coríntios 11.18-33.

Para os apóstolos de Cristo, portanto, ser cristão tinha um preço a ser pago, não para ganhar a salvação, mas como um ato de ação de graças e humildade diante de Deus. Inclusive, se isto requer nossa vida, ou significa um perigo para nossas vidas, precisamos permanecer firmes na nossa fé. Devemos permanecer firmes em tudo, pela causa de Cristo.

Portanto, não devemos ter medo ou temor das aflições diante de nós, mas aceitemos as mesmas como parte da existência humana.

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