Está chegando, e já está aqui... ainda tem tempo


Já estão aqui, já chegaram. De que estou falando? Das eleições.

Um ano mais chegam as eleições. Como eu sei, porque o Facebook começam aparecer amigos promovendo um candidato ou outro. E, depois, veio os carros com a propaganda eleitoral. Os jornais falam dos candidatos, e as pessoas começam a perguntar uns aos outros, “e você já sabe a quem vai votar?”

A relação da Igreja e a política vive um situação meio constrangedora. Os púlpitos são abertos aos políticos, existem trocas de avantajes por votos dos crentes, e observamos políticos convertidos a pregadores. Isto se vive com a maior das normalidades, enquanto o escândalo só faz que crescer ao nosso redor.

Neste artigo, não vou escrever sobre os males da política, nem vou defender um partido sobre os outros, ou vou mostrar aqueles pastores que atuam como verdadeiros mercenários. O que desejo neste artigo, é refletir para que o leitor possa decidir mais conscientemente o seu voto a partir de certos princípios bíblicos nos quais não abro mão.

Os cristãos somos cidadãos e devemos ser exemplos

O estado deve ser entendido como um meio da “graça comum” de Deus. As Escrituras nos ensinam que as autoridades e os governos atuam em nome de Deus para restringir o mal (veja Romanos 13 e 1 Pedro 2). Isto nos mostra que a bondade de Deus também cobre na sua “graça comum” todas as pessoas deste mundo, e não somente os cristãos.

Os cristãos temos uma cidadania dupla. Por um lado, somos cidadãos do céu (Filipenses 3:20) e, por outro lado, somos também cidadãos de um país, ou mais, na Terra. Portanto, vivemos em meio da tensão de obedecer as autoridades governamentais, exceto quando a lei de Deus seja violada e o estado permita alguma coisa que Deus proíbe (Atos 5:29). Deste modo, a última autoridade é Jesus Cristo, como Rei Soberano e Senhor, sobre a vida dos cristãos.

Obedecer está conectado as obrigações que temos como cidadãos. Estas obrigações vão acompanhadas também de privilégios. O próprio Paulo faz uso dos privilégios e direitos, conforme o que era mais proveitoso para o evangelho
(Atos 16:37-39; Atos 21:39; Atos 22:25-29; Atos 25:10-12).

No Brasil, vivemos em uma democracia, ainda que imperfeita, permite que os cidadãos participem ativamente na eleição das autoridades e governos do país, o estado e a cidade onde se vive.

Este fato provoca que tenhamos uma grande responsabilidade e privilegio. Votar deve ser entendido como uma responsabilidade cristã para obedecer a Deus. O voto de cada cidadão elege os governantes que tomarão as decisões, como representantes dos cidadãos. Portanto, a escolha faz a diferença.
Não existem soluções finais, exceto o conhecimento que a solução real e eterna ao pecado do homem é prevista unicamente no Evangelho do nosso Senhor, Jesus Cristo. Erramos se pensamos que a solução aos problemas da humanidade se encontram nas mãos dos governantes. Evidentemente, um bom governante será uma benção para o seu povo, e mau governante será um maldição para o povo governado por ele.

Por este motivo, a primeira obrigação é orar pelos governantes para que possamos ter “uma vida tranquila e serena, em toda piedade e honestidade” (1 Tim 2:1-2). Ao mesmo tempo, devemos orar que as autoridades e os governos cumpram o mandato e governem conforme a lei moral de Deus (Romanos 13:1-7; 1 Pedro 2:13-14).

Uma vez feito isto, sendo parte da nossa vida, então podemos desenvolver a segunda parte do que os cristãos podemos fazer como bons cidadãos, porque as eleições dão uma oportunidade para os Cristãos falar claramente e promover os assuntos relevantes a que a sociedade caminhe sobre o Senhorio de Cristo.

Por certo, se você percebe, escrevi os Cristãos e não a Igreja. Porque está diferenciação? Eu acredito que a Igreja tem uma função profética para com o estado. Esta pode ser prejudicada, se toma partido nas eleições. Ela deve ser capaz de lutar pela justiça e a Lei de Deus, mostrando os erros, inclusive quando ganhei seu candidato. Na verdade, a Igreja não pode, nem deve, ter candidato.

Agora bem, os cristãos, como cidadãos, podem e devem participar na vida politica do país. Inclusive militar em partidos políticos. A militância ajuda a que a própria democracia seja desenvolvida nos partidos, sobretudo se existe uma militância real e forte dos cidadãos nos mesmos.

Finalmente, acredito que não é conveniente para os ministros do evangelho, militar em partido político. Eu mesmo milite em partido político até faz uns anos. Contudo, depois tenho percebido do meu erro.

Ao mesmo tempo, o contexto brasileiro tem mostrado com clareza que, infelizmente, não existe madureza política, nem pastoral, para perceber que o ministro deve ser independente e autônomo da disciplina de partido para poder ser a voz de Deus com liberdade. Por exemplo, devemos orar, tanto privadamente como publicamente, por todos os candidatos. Não podemos apoiar um candidato, se isto significa depois ter que estar calhado no seu mandato. Os ministros de Deus tem a obrigação primeiro com o Reino de Deus e, depois, com as pessoas. Os ministro deve instruir no conhecimento das Escrituras e os leigos devem agir na vida política, e exercer em posições de governo.

Este principio se vê claramente refletido no Antigo Testamento, com os reis e os sacerdotes/profetas.

Nos próximos artigos, escreverei sobre áreas que devemos refletir antes de votar. Se conhecemos o que as Escrituras falam sobre diversos temas, comparamos estes com as propostas dos candidatos, então poderemos ser cidadãos conscientes e cristãos obedientes a Deus.


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