Nem todo o que se diz “anglicano,” pode ser considerado como tal


O Brasil vive um momento complicado. Todo dia aparecem e, também, desaparecem “igrejas.” Existe uma confusão geral, ninguém sabe mais o que é a igreja e o que não é.

Em 2009, observe que o problema não acontecia somente entre os Anglicanos, as principais igrejas luteranas do Brasil encontravam que o Censo incluía muitas igrejas luteranas, mas elas não existem, leia mais aqui. Evidentemente, este artigo não menciona as diversas igrejas luteranas que podemos encontrar na internet: IECLB, IELB, ILdeR, IENA, IELI, ILR, IELR, AILLB, entre outras.

Encontramos muitas igrejas que se intitulam metodistas, luteranas, batistas, presbiterianas e anglicanas, mas quando analisamos o conteúdo das mesmas, nos perguntamos, se os líderes entendem o que significam estas palavras.

Isto pode parecer de pouca importância para o observador, mas resulta muito doloroso para aqueles cristãos que, por opção pessoal, temos escolhido viver nossa fé Cristã em uma destas tradições cristãs.

Não dá mais para ficar calado, ainda com o temor de cometer uma injustiça com este artigo, preciso denunciar os abusos daqueles que se fazem passar pelo que não são. Assim, desejo ajudar as pessoas sinceras que buscam a verdade com o desejo de que encontrem a direção certa em meio de tanto caos.

Os seguintes pontos ajudarão ao leitor discernir se uma igreja que se chama “anglicana” é realmente anglicana e seria, ou, talvez, seja uma piada.

I. O CULTO DA IGREJA

O primeiro ponto é essencial para saber se uma igreja é anglicana.

Se uma igreja não tem o Livro de Oração Comum, como base para formar os cultos dominicais, então pode ter certeza de que essa igreja não é anglicana. Ainda que usem outra liturgia (“Missal Anglicano,” “Breviário Anglicano” ou “Rito de Sarum”) que contenha a palavra “anglicano” nele. Também, tentaram dar mil e uma explicações, mas se não tem o LOC, não pode ser considerada uma igreja anglicana.

Talvez, você pergunte, “eu fui a uma igreja que se diz anglicana, mas não usavam nenhuma liturgia lá. Isso é possível?” É possível e acontece, porque tem igrejas que o culto está formado pelo LOC, ainda que não usem todo o texto do mesmo. Isto esteve presente na igreja anglicana a partir do século 20, e se denomina um culto de “Igreja Baixa.” Conheça diferentes ordens de culto aqui.

O culto (ou liturgia) na Igreja Anglicana nunca pode ser uma missa ou reunião. O culto anglicano sempre é Trinitário, centrado na adoração ao Senhor, sendo pregada a Palavra de Deus e, semanalmente ou mensalmente, se celebra a Santa Comunhão, também chamada da Ceia do Senhor ou Eucaristia.

II. O GOVENO DA IGREJA

A Igreja Anglicana se organiza em Concílio Geral (ou Convocações ou Sínodo Geral) de toda a igreja nacional (ou denominação), e também existem os Sínodos Diocesanos. Nestas reuniões, estão presentes os representantes leigos das paróquias, o clero e os bispos que, juntos, tomam decisões. O Sínodo (ou Concílio) escolhe um conselho (ou comitê) formado por leigos e ministros. Uma igreja que não siga este modelo de governo, não deve ser considerada como anglicana.

No Anglicanismo, o Bispo tem autoridade pastoral e espiritual, conforme esteja definido pelos Cânones e a Constituição ( que são os estatutos e regulamentos da igreja anglicana). Encontramos casos onde os bispos tem maior capacidade de decisão, como acontece na África, ou menor, como seria o caso da América do Norte e outros países. Em qualquer caso, o bispo tem áreas as quais pode tomar decisões e outras as que deve submeter-se tanto às decisões do Sínodo, como aos Cânones, e às orientações dos comitês.

As províncias anglicanas tem um Conselho de Bispos, e o bispo que preside este conselho pode ser chamado de Arcebispo, ou Bispo Primus. Ele é o Metropolitano de cada província. Portanto, não faz sentido o uso de títulos como “Arcebispo Primaz” ou semelhantes. Isto mostra uma falta de conhecimento do Anglicanismo.

III. A TEOLOGIA E PRÁTICA

O Anglicanismo é claramente reformado e protestante, ainda que exista uma rama anglo-católica e setores liberais que tentam negar este feito. Contudo, tanto o Catecismo Anglicano, como o LOC 1662 e o Ordinal, como os 39 Artigos da Religião, mostram uma doutrina e prática claramente reformada e protestante.

Portanto, uma igreja anglicana vai ter sempre um Catecismo, o LOC e reconhecerá os 39 Artigos da Religião como próprios, ainda que seja só como um documento histórico. Recomendamos a leitura dos 39 Artigos da Religião para ter certeza do que os Anglicanos acreditamos e confessamos como a fé Cristã.

Se são anglicanos ortodoxos, sem dúvida, afirmaram a Declaração de Jerusalém. Documento que foi aprovado pela primeira reunião do GAFCON em Jerusalém.

Se você observa que uma igreja fala de sete sacramentos, pode ter certeza de que não é Anglicana. Será qualquer outra coisa, mas os Anglicanos reconhecemos somente dois sacramentos: Batismo e Santa Ceia do Senhor.

Se afirma os 7 Concílios Ecumênicos da igreja indivisa, pode ter certeza de que não são Anglicanos, porque o Anglicanismo afirma da seguinte forma a igreja primitiva: “Um Canon, Dois Testamentos, Três Credos, 4 Concílios e 5 Séculos” (Bispo Lancelot Andrewes).

IV. OS MINISTROS

O Anglicanismo acredita no ministério de toda a igreja. Assim, afirma o papel de todos os membros da igreja, como parte essencial da vida em comum e apoia o ministério de todos os crentes.

Se uma igreja somente tem clero nos cultos, nas reuniões, no site, etc., tenha certeza de que alguma coisa está errada nessa igreja. Se observa uma igreja que se chama anglicana que tem cinco igrejas locais e três bispos, pode ter certeza de que alguma coisa não se enquadra. Ou se tem somente dois presbíteros e dois bispos, pode ter certeza de que alguma coisa está fora de lugar. A diocese, ou igreja particular, precisa ter povo; do contrário, não faz sentido ter um bispo e, ainda menos, ter arcebispos.

Sempre pergunte se os bispos são eleitos pela Igreja através do Sínodo Diocesano. Se eles são eleitos somente pelo Arcebispo, pode ter certeza de que esta igreja não é anglicana. E, não se esqueça, o sínodo deve estar formado por ministros e leigos.

Se um bispo que se chama “anglicano,” não foi consagrado bispo por outros três bispos presentes fisicamente; então, isto se chama uma sagração irregular e questionável. Por certo, as igrejas que são fortemente questionáveis sempre estarão falando da validade da sua sucessão apostólica. A questão da sucessão apostólica é outra questão que não será tratada neste artigo, porque, hoje em dia, é mais fácil encontrar “bispos” com sucessão apostólica que cristãos verdadeiros no Brasil.

Conferência de Lamberth, 1968, faz um chamado para simplificar os títulos da igreja. Se na igreja que você está as pessoas usam muitos títulos e tem pouco conteúdo, então pode ter certeza de que é uma igreja onde se vangloria as pessoas e não a Cristo. Tenha cuidado com as igrejas onde uma pessoa entra e, logo, já aparece como ministro ou bispo. Isso mostra uma situação preocupante e alarmante, e uma total falta de seriedade e responsabilidade pelos líderes desse grupo.

Eu já vi de tudo nos últimos quatro anos no Brasil. Teve uma pessoa que fez questão de ser da Igreja Anglicana Reformada do Brasil. Não permiti que entrasse por ser maçom e mostrar claros sintomas psicóticos. Depois tive notícias de que esteve em várias igrejas até conseguir ser sagrado bispo.
Também, encontramos aquela pessoa que desejava entrar já pronto para ser bispo. Chegou a afirmar que entrava somente se era feito bispo. Assim que, ficou fora da igreja. Tivemos que disciplinar alguém, porque causou uma confusão danada para ser ordenado. Não foi ordenado, porque esteve vivendo com uma mulher sem estar casado, e não se casou com ela quando foi requerido dele. Nem terminou os estudos requeridos. E faltou a ética cristã básica a receber dinheiro para escrever os trabalhos do seminário para um amigo. Portanto, todos estes anos tenho aprendido que uma pessoa podem parecer uma coisa e ser outra.

V. AFILIAÇÃO

Uma das características mais interessantes das igrejas que se chamam “anglicanas,” é o fato de que se associam, ou afiliam, rapidamente a uma igreja no exterior. Assim, tentam conseguir respeitabilidade rapidamente. O problema é que terminam se associando a “comunhões,” ou “igrejas,” as quais são um problema em si mesmas. Por exemplo, algumas igrejas brasileiras estavam associadas a um “arcebispo” chamado Patricio Viveros Robles, o qual esteve preso por falsidade de identidade no Chile, lemos neste link.

Outras igrejas tem mudado de afiliação incontáveis vezes. Tem igrejas que tem estado já ligadas a cinco ou seis diferentes comunhões no exterior. Nem dá mais para entender onde estão.

Você vai ver que muitas igrejas dizem estar associadas a FCA. Isso não significa nada, porque eles tem pensado que são parte da FCA, porque tem preenchido um formulário online. O importante não é colocar “afiliada a FCA,” mas participar e ter comunhão com a GFCA.

A Igreja Anglicana Reformada do Brasil, da qual sou bispo, tomou muito cuidado antes de unir-se a uma igreja anglicana no exterior. Éramos consciente do que isso significava. Encontramos na Igreja Livre da Inglaterra (FCE), uma igreja que refletia todo o que a IARB era no Brasil. Depois de três anos de conversa, nossas congregações foram recebidas em 2014. Hoje em dia, a IARB é uma missão da Igreja Livre da Inglaterra (FCE). A FCE é membro da FCA UK e Irlanda e tem participado na última reunião de GAFCON em Nairobi, Quênia. Em Junho 2016, a Assembleia Provincial da ACNA (Igreja Anglicana na América do Norte) votou favoravelmente a plena comunhão entre FCE e ACNA.

Portanto, visite sempre o site da igreja e, se está afiliada, visite o site da igreja no exterior. Ainda sem ler inglês, as fotos vão falar muito, como os endereços das paróquias ou a falta de endereços.

VI. VISITE UMA PARÓQUIA

Finalmente, o Anglicanismo está fundamentado nas congregações locais que são chamadas de paróquias e missões. A igreja local é a congregação local, como encontramos nos 39 Artigos da Religião. Uma igreja anglicana não pode ser igreja, se não tem congregações locais.

Por isso, recomendamos sempre visitar uma paróquia da igreja que você deseja ser parte, antes de tomar qualquer decisão final. Você vai descobrir que muitas dos endereços dessas igrejas chamadas anglicanas são virtuais e que, realmente, não existe uma igreja onde falam que tem uma igreja.

Uma coisa é que as congregações sejam pequenas. Isto vai acontecer nas igrejas históricas. Algumas congregações são pequenas e, às vezes, se reúnem em casa. Contudo, estão trabalhando na obra de Deus. Outra coisa, é que somente exista na internet. Eu já visitei endereços onde falavam ter uma igreja onde certo bispo era o pastor. E nem existia o endereço.

O leitor pode ter certeza que, se uma igreja é anglicana, vai ter congregações locais. Do contrário, será qualquer coisa exceto uma igreja.

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Espero que este artigo ajude a discernir aquelas igrejas que são anglicanas, das que não são.

Leia os outros artigos desta serie:

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5 comentários:

  1. No Brasil existem várias igrejas disfarçadas de anglicanas. A maior parte delas são cismas daIgreja Católica Brasileira tais como a Igreja Anglicana Tradicional do Brasil que celebra a Missa de Paulo VI e a Missa tridentina e a "Diocese anglo-tradicional do Japi" que celebra a Missa Tridentina e o Rito de Sarum. O mesmo acontece com a Igreja Episcopal Latina do Brasil que afirma ser ao mesmo tempo anglo-católica e vetero-católica, mas não passa de um cisma da Igreja Católica Brasileira. Existe ainda a Igreja Anglo-Católica de Rito Tradicionalista que é um cisma da Igreja Romana e que celebra o Rito de Sarum. Todas essas Igreja usam o nome de anglicanas, mas não o são. Há também pentecostais e neo-pentecostais disfarçados em anglicanos como é o Caso das Igrejas Anglicana Carismática, Episcopal do Evangelho Pleno e Episcopal Carismática. No Brasil vale tudo e por aqui o anglicanismo é uma verdadeira babilônia!

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  2. Comparto sua opinião, ainda que não acho que a Igreja Episcopal Carismática seja uma igreja anglicana per se. Principalmente, porque os próprios Cânones internacionais e a comunhão internacional nega esta fato. São uma igreja muito seria, mas eu não acho que realmente pode considerar-se anglicana, mas convergente.

    Não era consciente da existência da igreja anglicana carismatica. Esta difícil tanta igreja virtual que aparece e desaparece todo dia.

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  3. Faço parte da Igreja Episcopal Carismática, na Missão São Lucas, em Tubarão-SC. Concordo com o Bispo Rossello, em momento algum a IECB se intitulou como anglicana, é sim uma igreja convergente. Inegavelmente temos muitos aspectos semelhantes ao anglicanismo, principalmente em termos de liturgia e doutrina.
    Rangel

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  4. Muito bem, estou plenamente de acordo com o artigo acima, porém com algumas reservas. Sou bispo de uma pequena mas pequena comunidade: igreja episcopal tradicional de rito anglicano. Realmente nós não somos anglicanos, mas adotamos o ritual anglicano. Outro sim, conheço alguma igrejas citadas e seus bispos, não concordo na citação dessas igrejas.

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