Os cristãos devem celebrar a quarta-feira de cinzas?


Podemos os Evangélicos participar e celebrar a quarta-feira de cinza? Não é uma tradição católica romana? Ao final, que é a quarta-feira de cinza?

A quarta-feira de cinzas é o primeiro dia da Quaresma no calendário cristão. As cinzas que os cristãos recebem neste dia é um símbolo para a reflexão sobre o necessidade de ser santos, porque Deus é santo. (1 Pedro 3.13-16)

O motivo pelo qual este dia ficou conhecido como quarta-feira de cinzas é que são 40 dias antes da Sexta-feira Santa, e o primeiro dia é sempre uma quarta-feira. Seu posicionamento varia a cada ano, dependendo da data da Páscoa. A data pode variar do começo de fevereiro até à segunda semana de março.

O período da quaresma tem como objetivo ser um tempo de santificação e sagração pessoal e comunitária, onde os cristãos analisam suas vidas a luz das Escrituras e buscam a orientação do Espírito Santo para ser renovados e santificados.

A quarta-feira de cinzas é o início deste período de arrependimento. Certo que a Bíblia não menciona a quarta-feira de cinzas, porém a Bíblia contém inúmeras narrativas de pessoas usando “poeira e cinzas” como símbolo de arrependimento e/ou sofrimento (Gênesis 18:27; II Samuel 13:19; Ester 4:1; Jó 2:8; Daniel 9:3; Mateus 11:21). A tradição Cristã é que se desenhe, com cinzas, o sinal da cruz na testa da pessoa, como símbolo de sua identificação com Jesus Cristo (Romanos 6.1-5; Colossense 3:4), como Senhor e Salvador. Um conceito parecido é mencionado em Apocalipse 7:3; 9:4; 14:1 e 22:4.

Sem duvida, este ato simbólico lembra que “Vocês foram comprados por alto preço. Portanto, glorifiquem a Deus com o corpo de vocês” (1 Cor. 6.20)

Muitos Cristãos pensam que esta é uma festividade católica romana, sem perceber que muitas igrejas evangélicas, como os luteranos, metodistas, anglicanos, presbiteranos e, inclusive, pentecostais celebram esta festa em diversos países do mundo.

Certamente, em nenhum lugar da Bíblia se ordena (ou condena) tal prática, nem o fato de participar nesta festividade faz que sejamos melhores Cristãos.Porém, quando participamos nestas festividades, estamos unidos a milhões de outros Cristãos que tem celebrado a quarta-feira de cinza através dos séculos e, hoje, ao redor do mundo.

Ao mesmo tempo, é importante que observamos a quarta-feira de cinzas e quaresma com um coração contrito diante de Deus e arrependendo de qualquer pecado que o Espírito Santo nos mostre.

John Piper escreveu uma reflexão chamada, “Somos Servos Inúteis,” a qual nos pode ajudar a preparar nossos corações, mentes e espirito para este tempo de Quaresma. No artigo de John Piper, encontramos três pontos importantes:
  • Nos ensinamentos de Jesus, há uma íntima relação entre a humildade e a condição de servo. Ser humilde é ser servo. Eles não são a mesma coisa, porém a humildade produz a disposição para serviços insignificantes com alegria no coração. O discípulo deixa de ser pobre de espírito e passa a confiar na graça de Deus como uma criança. Desenvolve um coração de servo e deseja servir aos outros.A primeira das conhecidas bem-aventuranças de Jesus é: “Bem-aventurados os pobres em espírito” (Mateus 5.3). Isto é, bem-aventurados são os que não encontram motivo para mérito ou elogio quando olham para dentro de si. São o oposto daqueles que “confiavam em sua própria justiça” (Lucas 18.9). Eles sabem que nada têm em si que mereça o elogio de Deus.
  • Os humildes assumem com alegria o lugar dos servos inúteis descritos por Jesus em Lucas 17.10: “Assim também vocês, quando tiverem feito tudo o que lhes for ordenado, devem dizer: ‘Somos servos inúteis; apenas cumprimos o nosso dever’ “. Que declaração profunda — e devastadora para o orgulho até o último vestígio! Jesus diz que nenhum ato de obediência, do pior ao melhor, merece reivindicar o elogio de Deus. A pessoa perfeitamente obediente deve dizer: “Sou um servo inútil”.Isso deve fazer parte de sua obediência. É como dizer a Deus: “Não coloco sobre teus ombros nenhum dever de recompensar-me”. Essa convicção é a raiz da humildade: não merecemos nenhuma recompensa de Deus.
  • Explicando de maneira mais positiva o exemplo do humilde publicano, a única coisa boa que podemos exigir de Deus é sua mi¬sericórdia, mesmo assim ela é imerecida: “Deus, tem misericórdia de mim, que sou pecador” (Lucas 18.13). “Eu lhes digo que este homem, e não o outro, foi para casa justificado diante de Deus” (v. 14). A alegria do humilde não está em ser merecedor de alguma coisa, mas em receber misericórdia.

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