Aos assembleianos o que é dos assembleianos


Na quarta feira, estive em um Café com Pastores e Líderes em Pindamonhangaba. Na verdade, sempre me pergunto se devo ir ou não, mas o desejo de ter comunhão com outros líderes Cristãos faz com que acabe indo.


Nestas reuniões, sou um peixe fora da água. Temos diferentes costumes e tradições; divergências teológicas importantes; diferentes histórias, e os governos eclesiásticos não tem nada a ver um com o outro. De fato, inclusive usamos palavras semelhantes para descrever coisas diferentes.

Uma vez dito isso, aconteceu um fato que fez com que decidisse escrever este artigo.

No final, quando estava quase entrando no meu carro, um pastor assembleiano de Taubaté me chamou. Ele queria conversar comigo.

Ele me perguntou se tinha alguma coisa a ver com os católicos. Tentei explicar que não. Expliquei com calma que os Anglicanos somos evangélicos, protestantes e reformados. Somos uma igreja histórica, com muitos séculos de existência. Porém, ele não pareceu convencido com minha explicação, assim que tentei explicar porque estava usando camisa clerical. Mas ele seguiu sem estar muito convencido.

A situação se alargou por uns minutos. Possivelmente, o sotaque e o portunhol que eu falava não ajudou muito na situação. Afinal, o irmão me deu um folheto evangelístico da Interlink (folheto que foi desenhado por um bom amigo meu, Aramis, de SJC), e me convidou a ler o tratado evangelístico.

Eu não fiquei ofendido, mas achei muito engraçado. Pensei, “o bispo foi evangelizado.”

Afinal de contas, muitos pensam igual a este irmão, “será que realmente os anglicanos somos cristãos?” Isto será uma pergunta que deve ser respondida em outro momento.

Agora, preciso refletir que este evento mostra o principal motivo pelo qual as Assembleias de Deus, com todos seus problemas, brigas e conflitos, são a igreja mais forte no Brasil.

Você pode ir no meio do mato, e posso assegurar que vai encontrar uma Assembleia de Deus. Portanto, temos que dar aos assembleianos o que é dos assembleianos. Eles são verdadeiros evangelistas. Acreditam no poder de Deus para converter as pessoas e vivem conforme esta crença.

Podemos seguir mostrando os erros, que são muitos, desta denominação, porém é também tempo de reconhecer que as igrejas históricas, e a igreja anglicana em particular, precisamos aprender dos testemunhos das Assembleias de Deus... e ser proclamadores da graça e amor de Deus por um mundo caído.

Por isso, quero agradecer a este irmão que foi usado por Deus para lembrar que precisamos ser mais ativos na obediência do mandato divino de ir a todas as nações, fazer discípulos, batizar em nome da Trindade e ensinar a obedecer tudo o que Jesus ordenou.


4 comentários:

  1. É isso aí bispo, eu creio que na verdade, todos devemos aprender uns com os outros, respeitando sempre a forma de ser de cada igreja e/ou denominação. Um abraço!

    Cicero

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  2. Tenho raízes na Igreja Presbiteriana, contudo, ainda criança (com 10 anos) meus pais passaram a frequentar as Assembléias de Deus e lá eu fui batizado com 15 anos de idade. Em 1999, com 19 anos, encontrei uma nova dimensão espiritual (se é que posso dizer assim) na Igreja O Brasil para Cristo, onde estou há 12 anos e, hoje ordenado pastor nesta denominação evangélica. Contudo, há cinco anos, comecei uma amizade com alguns anglicanos e me interessei por esta igreja. Contudo, o que pude perceber é que os anglicanos não tem a mesma opinião entre si (o que também acontece entre as igrejas O Brasil para Cristo). Entretanto, quando falo que os anglicanos não tem a mesma opinião entre si, não me refiro a simples questões teológicas ou práticas litúrgicas, mas também de assuntos muito sérios como por exemplo a Homossexualidade. Há cinco anos atrás, participei de um evento na Igreja Anglicana (não me recordo bem o nome da rua, mas é próxima à estação de metrô Marechal Deodoro em SP). Hoje, fico perplexo ao ver que esta igreja não se posiciona contra a homossexualidade e deixa bem claro que, em sua opinião, Deus não está se importando com isso. Não vêem como pecado tal prática. A anglicana está muito dividida entre a visão liberal e a ortodoxa.
    Se dependesse de mim, seria anglicano, porém, me assusto com esta situação de não pregar contra o pecado (não digo contra os pecadores, mas contra o pecado) e também acho a Igreja Anglicana muito fechada, ou seja, a gente é pastor de uma denominação evangélica, temos teologia e mesmo assim, quando nos interessamos em haver possibilidades de nos tornarmos anglicanos, as portas se fecham para nós como obreiros. Eu recebi o dom de Deus para ser pastor (ou presbítero conforme a igreja Anglicana do Brasil) (Efésios 4:11) e não vou abrir mão desse chamado ministerial por motivo nenhum. Se um pastor anglicano chegar na Igreja O Brasil para Cristo e quiser ser membro de nossa igreja, será recebido de braços abertos. Irá frequentar a Igreja e passará dois anos no curso de adaptação ministerial e depois dos dois anos será recebido como pastor em nossas igrejas. Eu até poderia ser anglicano, porém não abro mão de ser pastor, pois seria negar o que o próprio Deus me confiou, seria abrir mão do arado e recuar. Os anglicanos não perdem apenas a oportunidade de evangelizar mais como os assembleianos fazem, mas perdem também em receber obreiros e mais membros para suas igrejas, o que faria com que houvesse maior número ainda de cristãos anglicanos e faria com que muita gente evangélica (ignorante sobre o anglicanismo) ficasse sabendo que esta igreja é uma benção de Deus na vida dos crentes e salvos em Cristo.
    Deixo minha saudação e um forte abraço ao prezado bispo. Paz e bem a todos.
    Em Cristo, Pr. David Domenicali
    Blog: esperancanossa.blogspot.com
    Se o prezado bispo quiser falar mais sobre isso, meu e-mail é: obpcfecomobras@yahoo.com.br

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  3. Caro Pr. David,

    talvez, isto se possa entender pelo fato de que existem diversas denominações anglicanas no Brasil. Três são as mais serias e importantes:

    1. IEAB (Igreja Episcopal Anglicana do Brasil): É a mais antiga, e a maior, ainda que está decrecrsndo. Esta é a igreja que aparece mais na meia e é liberal, muito liberal, apoiando a causa LGBT. Também, são ritualistas. Formam parte da Comunhão Anglicana, cmo uma igreja nacional.

    2. A Diocese de Recife: Antigamente, eram parte da IEAB. Mas tiveram problemas com a IEAB, e já não estão com eles. Estão crescendo, e tem 35 anos de história como diocese. São evangélicos ainda que tem anglo-católicos e maçones entre o clero. Estão sobre a jurisdição da Igreja Anglicana do Cone Sul, Comunhão Anglicana.

    3. A Igreja Anglicana Reformada: Somos os mais pequenos dos três. Temos pouco mais de dois anos. Somos evang~elicos, protestantes e reformados. Abertos a obra do Espírito Santo e nos consideramos um movimento missionario anglicano. Estamos com conversas com igrejas da Comunhão Anglicana.

    Uma vez dito isso, o 80% de membros da Comunhão Anglicana são evangélicos e contrários a ordenação dos LGBT.

    Este número ainda é maior entre as igrejas anglicanas não afiliadas a Comunhão Anglicana.

    Deus te abençoe.

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  4. Fico feliz em saber disso.
    Um grande abraço ao Bispo e
    a todos os irmãos anglicanos
    reformados.
    Deus abençoe a todos.

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