O Leccionário, o que é isso?


O leccionário é um lista de leitura bíblica que tem sido distribuída por um período de tempo para que assim possam ser lidas, estudadas, ou pregadas, em cultos ou no estudo pessoal.

Geralmente, estas leituras seguem o calendário cristão, sendo divididas de diversas formas. 
Geralmente, o culto de Santa Ceia tem uma leitura do Antigo Testamento, outra do Novo Testamento, uma leitura de um dos Evangelhos e um Salmo.

A Igreja tem usado algum modelo de leccionário por muitos séculos. De fato, isto foi desenvolvido a partir da pratica das sinagogas, que usavam um leccionário para determinar as leituras da Tora e dos Profetas durante o culto.

Um exemplo claro, se encontra em Lucas 4: 16, “E, chegando a Nazaré, onde fora criado, entrou num dia de sábado, segundo o seu costume, na sinagoga, e levantou-se para ler.” 

Também, podemos ver claramente na primeira carta do apóstolo Paulo ao bispo Timóteo que esta pratica tinha sido adotada nos cultos das primeiras igrejas cristãs, porque lemos em 1 Timóteo 4.13, “Até à minha chegada, aplica-te à leitura, (leitura: leitura pública das Escrituras) à exortação, ao ensino.” (Almeida Revista e Atualizada) 

Na metade do primeiro século, as igrejas começaram a adicionar as leituras do Novo Testamento e dos Evangelhos, as leituras do antigo Testamento, que eventualmente seriam reconhecidas ao final do século IV como o cânon bíblico do Novo Testamento.

Isto foi notificado pelo próprio Paulo na sua carta aos Colossenses, quando ele escreveu, “E, uma vez lida esta epístola perante vós, providenciai por que seja também lida na igreja dos laodicenses; e a dos de Laodicéia, lede-a igualmente perante vós.” (Colossenses 4:16)

Os leccionários atuais foram fortemente influenciados por Jeronimo no século V, já que ajudou a desenvolver o calendário litúrgico e os diferentes tempos litúrgicos para celebrar a vida de Jesus e a missão de Deus a cada ano.

Certamente, podemos encontrar muitos críticos nas igrejas evangélicas contemporâneas, sobretudo entre as igrejas pentecostais e neopentecostais, porque acreditam que o leccionário mata a liberdade do Espirito. Infelizmente, isto mostra a falta de criatividade dos pregadores e a ignorância entre os críticos, devido a que não tem um grande conhecimento das próprias Escrituras.

A leitura do leccionário no culto é muito positivo, porque...

1.      Podemos ter certeza de que a congregação vai ter uma leitura mais saudável de temas, textos e livros bíblicos. Não sendo só aqueles textos dos quais o pastor possa ter preferencias.

2.      Conecta a congregação com o calendário cristão, o que ajuda os cristãos a entender uma verdade tão esquecida como é a que somos cidadãos do Reino de Deus primeiramente, só que nosso endereço se encontra temporalmente neste mundo.

3.      Ajuda a preparar diversos elementos como musica, “banners,” decoração, cores, etc. para que todos os aspetos do culto sejam uma comunicação visível da palavra de Deus.

4.      Apoia a que os pregadores possam comunicar certos textos bíblicos importantes que, do contrario, seriam esquecidos.

5.      Faz que o pastor precise estudar as Escrituras em oração e ouvir o Espirito Santo para poder entender o que Deus quer falar na sua congregação atraves do texto bíblico em questão.

6.      O leccionário diário prove leituras bíblicas semanais que preparam os cristãos para o próximo domingo.

7.      O leccionário une toda a Igreja, em qualquer lugar do mundo e tempo, devido a que todos estamos lendo os mesmos textos bíblicos e escutando pregações baseadas nestes textos.

8.      A pregação é muito mais expositora, enriquecendo a vida do cristão que recebe uma explicação mais profunda do significado dos textos bíblicos e sua aplicação na vida dos cristãos.

9.      Ainda quando surge uma necessidade especial que precisa ser ensinada, geralmente aparece o texto idôneo para poder ensinar a igreja. Em qualquer caso, ainda não pregando do texto bíblico do leccionário para esse dia, a leitura das Escrituras em publico são sempre de beneficio para as pessoas congregadas diante de Deus.

10.  Permite uma nova vitalidade em grupos de casa, escola dominicais, e projetos de leitura, estudo e meditação na Igreja.

Eu realmente acredito que o leccionário é um instrumento eficaz na alfabetização bíblica nas igrejas, já que escutaram em um período de tempo (dependendo do leccionário de um a três anos) a maioria das Escrituras.

Evidentemente, precisamos perceber que existe uma diferenca entre o leccionário e o leccionário diário. Este último é o que acho muito interessante para a leitura, estudo e meditação pessoal das Escrituras.

Claro, existem outros métodos de leitura das Escrituras que são muito bons, também.

Pessoalmente, prefiro usar o leccionário aos outros sistema de leituras, porque ele nos conecta ao calendário cristão que estamos vivendo. Tem sido usado através do séculos pela Igreja de Deus e, sem duvida, segue sendo usado por milhões de Cristãos ao redor do mundo.


– Soli Deo Gloria – 

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6 comentários:

  1. parábens reverrendissimo ...uma exelente postagem... de grande valia para nossos estudos ...que Deus esteja sempre lhe direcionando assim...amén

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  2. Obrigado amado Washington. É muito bom ler o seu mensagem. Espero poder ver novamente você, logo, logo, se Deus permite.

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  3. Lecionário é diferente de LOC? Existem LOCs de outras denominações? Haveria como baixarmos uma amostra do LOC que a IAR usa (é o de 1662?)?

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  4. Existem diversos LOCs, mas todos são de igrejas anglicanas. Agora, algumas igrejas luteranas, metodistas e presbiterianas na Europa e USA tem livro de culto muito parecido o LOC.

    Vou mandar o LOC para você...

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  5. Bispo,quando a leitura é de um livro deuterocanonico a IAR usa essa leitura ou substitui por outra dos textos protocanonicos?

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  6. A IAR segue a tradição do LOC 1662, portanto os livros deuterocanonicos não são lidos. O LOC começou ter mudanças a partir de 1928 na Inglaterra com um novo leccionário onde colocaram algumas leituras dos deuterocanonicos, como alternativa as outras leituras. Possivelmente, foi para acomodar os anglo-católicos que tanto má tem feito o Anglicanismo.

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