Sobre a Sexualidade Humana


Uma posição e compreensão da sexualidade humana fundamentada nas Escrituras Sagradas e as posições históricas da tradição Anglicana


Preâmbulo

Os seres humanos foram criados a imagem de Deus para ter uma relação intima com Seu Criador e uns com os outros (Gênesis 1.26; Mateus 22.37-39; João 17.3; 1 João 4.11-12). Desde o inicio, Deus criou o ser humano em dois gêneros, homem e mulher (Gênesis 1.27). Uma expressão amorosa e bondosa do Seu caráter, o homem e a mulher declaram Seu satisfação profunda e apaixonado desejo. Ambos eram criaturas com desejo por intimidade sexual pela sua própria natureza, e Deus planejou que eles poderiam alegrar-se na sua masculinidade e feminidade. Sua criação era “muito boa” (Gênesis 1.31). Não tinha nada incompleto ou vergonhoso sobre o que tinha sido criado. Masculinidade e feminidade dá a base principal para o ser humano definir sua personalidade e sua relação com Deus e com os outros (Salmo 8.3-6; Salmo 100.3; Isaías 43:1, 3, 4; Jeremias 1:5; 1 João 4:7, 8).

A Bíblia apresenta uma visão holística do ser humano sem nenhuma dicotomia entre o corpo e o espirito (Gênesis 2.7; Salmo 63.1; Salmo 84.1-2; 1 Tessalonicenses 5.23). Em toda a Bíblia, a sexualidade é claramente considerada como um presente precioso de Deus, para ser recebido com gratidão e desfrutado livremente de forma saudável dentro da relação intima no casamento (gênesis 2.24; Provérbios 5.15-19; Cânticos 2.16; Cânticos 4.16-5.1; 1 Coríntios 6.19). A atitude positiva da Escritura sobre a sexualidade humana é confirmada pelo uso da linguagem de intimidade de um casal para descrever a relação de Deus com o Seu povo (Isaías 54.5; Isaías 62.4-5; Jeremias 3.14; Ezequiel 16.8; Oseas 2.19-20; Apocalipse 19.6-9).

No casamento, Deus planejou que um homem e uma mulher se uniriam juntos para viver na perfeita promessa da aliança (Gênesis 2.24-25; Cânticos 2.16; Malaquias 2.13; Mateus 19.4-6). Esta relação de casamento é descrita como uma só carne (Gênesis 2.24; Mateus 19.5) e presume uma união sexual (1 Coríntios 7.1-6). As Escrituras afirmam o prazer sexual entre marido e mulher. Deus preparou para a relação sexual ser uma ligação entre o marido e a mulher, como dão companheirismo, apoio emocional, plenitude espiritual, alegria e prazer sexual (Gênesis 2.24, 25; Provérbios 5.15-19; Eclesiastes 9.9; Cânticos 4.16-5.1; Efésios 5.21-33). O casamento não somente dará fruto de procriação (gênesis 1.28, 4.1), também prove uma relação segura e conforto para o cuidado e educação ideal para as crianças (Efésios 6.4).

Sexualidade e Criação 

A Bíblica começa apresentando uma clara posição sobre a sexualidade humana no livro de Gênesis. A Criação construí o fundamento das doutrinas fundamentais da fé Cristã. O próprio Jesus estabeleceu os seus ensinos sobre matrimonio e divorcio baseando-se em Gênesis 2, citando o evento da Criação tendo tanto autoridade e obrigatório (Mateus 19:4-6; Marcos 10:6-9). São Paulo apresenta um pensamento semelhante onde exorta os cristãos sobre o casamento usando a mesma linguagem de Gênesis 2:24 (veja Efésios 5:31).

Se compreendemos que Deus criou homem e mulher para complementar-se (gênesis 2.18, 20-22), então sentiremos um grau de liberdade e esperança nunca anteriormente vivido. No Éden, eles compartilharam igualmente a benção e imagem de Deus. Juntos, eles tinham recebido a responsabilidade de dominar e cuidar a Terra, e se multiplicar (Gênesis 1.26-28). Com a criação dos sexos, cada um deles chegou a ser conhecer melhor e compreender o outro (Gênesis 2.23). Foram criados com um desejo e anseio intrínseco um pelo outro, em todas às áreas: fisicamente, sexualmente, emocionalmente, psicologicamente e espiritualmente (Gênesis 2.23-25; Provérbios 5.18-19; Cânticos 2.16-17; Cânticos 4:9). O próprio Adão expressou essa união e comunhão entre o homem e a mulher quando diz, “esta é agora osso dos meus ossos, e carne da minha carne” (Gênesis 2:23). Eles compreenderam que eram companheiros, homólogos, pessoas capazes de encontrar as necessidades um do outro. Cada um viu o outro como parte dele, iguais mas diferentes, alguém para amar que que amaria de volta (Gênesis 2.18-23)

Em Gênesis 1-2, a sexualidade é apresentada dentro do contexto geral da intenção original de Deus para a humanidade, sendo o ser humano o objetivo do Criador. Temos sido criados homens e mulheres. Aprendemos assim que as distinções de gênero são parte da ordem criada, não somente um desenvolvimento cultural condicionado pela sociedade. O gênero traz um importante componente do que significa ser humano.

As distinções de gênero se fazem essenciais para o cumprimento do propósito de Deus para a humanidade. Se consideramos o propósito inicial da Criação no plano de Deus, então se faz necessário os dois gêneros, homem e mulher. Em Gênesis 1.28, está escrito que “E Deus os abençoou, e Deus lhes disse: Frutificai e multiplicai-vos, e enchei a terra, e sujeitai-a; e dominai sobre os peixes do mar e sobre as aves dos céus, e sobre todo o animal que se move sobre a terra”. Obediência ao mandato divino seria impossível se Deus não houvesse criado e abençoado as diferenças de gênero na Criação.

O gênero nos permite a maravilhosa vivencia de seres humanos semelhante e, ao mesmo tempo, diferentes que faz da intimidade sexual e a procriação possível. De fato, essa intimidade sexual e procriação, nos ajuda a compreender o amor de Deus de forma profunda, porque Deus é amor na Divindade da Trindade. A Trindade é uma comunidade de amor entre as Três Pessoas, Deus decidiu compartilhar esse amor com a Criação, especialmente com a humanidade. Ele nos criou e nos permitiu ter a capacidade criadora e reprodutora a partir da intimidade sexual entre um homem e uma mulher. Por esta razão, gênero e sexo são ambos dons divinos, parte da única criação de Deus que fui anunciada sendo “muito boa” (Gênesis 1.31). Ainda que vivemos em um tempo onde existe muita confusão sobre a sexualidade e tem sido motivo de muitos conflitos sociais e politicagem nos dias atuais, causando inumeráveis problemas de identidade e libertinagem sexual, Deus não tinha em mente ser desse jeito. O ser humano é capaz de converter as coisas maravilhosas de Deus em uma verdadeira fabrica de horrores pelo único motivo de satisfazer seus próprios desejos e egoísmos.

Sexualidade é uma benção de Deus, nunca esqueçamos disso. Deus criou os seres humanos para ter intimidade, não somente espiritual e intima comunhão com Seu criador, também para ser vivida plenamente e maravilhosamente na intimidade do matrimonio. Em Gênesis 2.24, está escrito que “Portanto deixará o homem o seu pai e a sua mãe, e apegar-se-á à sua mulher, e serão ambos uma carne”. Esta mesma verdade é refletida nos textos sagrados do Novo Testamento, vejam Mateus 19.4-6 e Efésios 5.31.

A intimidade sexual encontra seu significado mais profundo na relação entre o marido e a esposa caraterizada pelo amor, proximidade, mutualidade e compromisso. No desenho de Deus, a relação sexual é de pleno respeito, desejo mutuo e consentimento e satisfação amorosa das necessidades de um com o outro (Provérbios 5.15- 23; Cânticos 2.16-17; 4.16-5.1; 7.8-10; Malaquias 2.15; 1 Coríntios 7.3-5).

A história da Criação coloca os alicerces para uma teologia compreensiva e consistente da sexualidade que será desenvolvida através das Escrituras Sagradas. Se tivéssemos que resumir a compreensão bíblica em poucas palavras, seria assim: a sexualidade humana é um dom de Deus, pelo qual os seres humanos, criados homem e mulher, podem experimentar dentro do matrimonio a união profunda, intima e maravilhosa de ser um só corpo místico, sendo tal união física, intelectual, emocional e espiritual, e cumpre o mandato divino de crescer e multipliquem-se (Gênesis 1.28).

No contexto dos seus compromissos a Cristo e um ao outro, os casais fazes decisões juntos sobre sua vida sexual. Os princípios bíblicos de submissão mutua (Efésios 5.21) e cuidadosa consideração para os desejos e necessidade do outro (Filipenses 2.4) ajuda ao casal alcançar uma decisão que seja satisfatória tanto para o marido e a esposa. Qualquer prática que causei dano algum, ou possa causar, já seja físico, emocional ou espiritual da saúde ou ser de um deles ou de ambos, é contrario as Escrituras visão do valor da pessoa e seu cuidado com o corpo e a pessoa como a criação de Deus (Gênesis 2.25; Salmo 63.1; 139.13-16; 1 Coríntios 3.16-17).

Deus diz, “Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma ajudadora idônea para ele” (Gênesis 2.18). Não tem como negar a importância e centralidade que tem o dom do casamento nas Escrituras Sagradas (Gênesis 2.18; 2.24; Provérbios 18.22; 19.14, 1 Coríntios 7.2; Hebreus 13.4), entretanto também celebra o dom e benção do celibato (Mateus 19.10-12; 1 Coríntios 7.25-38), tanto esquecido nos dias atuais e, inclusive, visto como uma maldição quando Deus declara ser um dom e benção na vida daqueles chamados a viver, como celibatários. Ambos estados são bênçãos divinas, e proveem um contexto para o crescimento e desenvolvimento das pessoas. Ainda que a história da criação estabeleça o casamento, como a primeira resposta a solidão (Gênesis 2.24), porém a nova criação encontra comunidade e união através da conexão com Deus e os outros cristãos na mutua relação em Cristo (Romanos 14.7). Todas as pessoas foram criadas para viver em comunidade, onde pessoas sejam aceitam e cresçam juntos ainda com suas diferenças, unidos na perfeita comunhão com Cristo (Romanos 12.4-5; 1 Coríntios 12.12-13; Gálatas 3.28; Efésios 2.14-22; 4.1-6). Isto se vê perfeitamente na celebração do sacramento da Santa Comunhão quando o ministro diz, “ainda que somos muitos, todos participamos de um mesmo pão”. O mistério da unidade em Cristo é feito realidade ao partilhar o pão. Por isso, ainda que por escolha ou circunstancias, algumas pessoas sejam solteiras, não viver em plenitude como indivíduos e pessoas, conectadas com outros através da família e amigos, e trazer a glória a Deus, como homens e mulheres celibatários (Mateus 19.12; 1 Coríntios 7.7-8).

A queda e seu impacto na sexualidade humana

Temos visto como a ordem criada por Deus era boa (Gênesis 1.31), e cumpria o propósito inicial para a humanidade, homem e mulher. Infelizmente, a queda mudou todas as coisas. Troce conflito causado pela desobediência e, assim, acabou levando a perda de intimidade entre Deus e Sua Criação, especialmente com o ser humano. A comunhão verdadeira e plena a qual o homem e a mulher tinham sido convidados a participar e desfrutar com Deus, se perdeu em um instante. Porém, se isto não houvesse sido suficiente, também abalo nas profundezas da relação entre o homem e a mulher, criando desconfiança, onde anteriormente tinha existido intimidade. A intimidade que Deus preparou para ser vivida e desfrutada dentro do casamento, incluindo sua dimensão sexual, agora tinha sido perdida além do que somos capazes de perceber nos dias de hoje. Em outras palavras, a queda causou que nossa sexualidade esteja fragmentada. A queda não deixou nenhuma área da nossa humanidade, experiência ou natureza, sem ser afeitada e corrompida pela causa da rebelião, desobediência e pecado. A queda foi tal que se faz difícil imaginar o mundo antes da queda, e aceitamos a condição atual como se fosse a intenção original de Deus, em vez de perceber que vivemos uma realidade longe do proposito de Deus para a humanidade.

Se chegamos a compreender esta realidade presente, não deveria nos surpreender ao estudar a história da humanidade, o nível de desordem sexual que o ser humano tem sido capaz de se envolver através dos tempos. A humanidade tem abandonado o proposito original de Deus, inclusive resistindo ao mesmo e tentando criar argumento para mostrar a ilógica da sexualidade como entendida por Deus. O desenho original de Deus para ser vivido o sexo tem sido rejeitado das maneiras mais diversas que seja possível imaginar pelo ser humano. Entretanto, Deus continua nos mostrando que o desenho original para uma vida sexual satisfeita é para ser desenvolvida e vivida prazenteiramente dentro do contexto do casamento entre um homem e uma mulher. Outros modelos, tão presentes na nossa sociedade, são fruto do tempo e cultura em que vivemos, já seja sexo antes do casamento, coabitação antes do casamento, adultério, pornografia, e outras formas de abuso sexual que acabam causando tanto dor emocional e desconfiança crescente entre os sexos.

A igreja não é imune a sofrer estas situações; de fato, a família de Deus se enfrenta a esta realidade cada dia mais presente. Já seja porque os cristãos acabem pecando e esquecendo os ensinos de Deus, ou devido a que chegam novas pessoas com uma grande bagagem e precisam aprender e ser restauradas suas vidas, com amor, fé e esperança. Infelizmente, não são poucas as ocasiões, onde lemos notícias de ministros e líderes sucumbindo a imoralidade sexual. Nem sei o que se pode dizer diante de tal feito, porque abuso sexual perpetrado pelos membros do clero é sem nenhuma dúvida um dos sinais mais claros da profundeza e perversidade do pecado humano.

A sexualidade desordenada não é um problema da era moderna. Seria um erro pensar que isto somente está acontecendo nos dias atuais. Através dos séculos, temos visto a permissibilidade sexual sendo expressada e vivida de diversos modos, ainda quando algumas sociedades têm sido seguidas os padrões bíblicos do desenho de Deus para a sexualidade humana. Inclusive, tal iniquidade sexual nos é mostrada nas próprias palavras das Escrituras. A Bíblia não esconde o pecado para fazer a história mais adorável, pelo contrario os textos sagrados nos mostram a realidade e os conflitos humanos frutos da queda. Isto não deve ser compreendido como permissão bíblica para tais comportamentos, já que muitos textos bíblicos claramente proíbem algumas praticas sexuais (Êxodo 20.14; 22.19; Levíticos 18; 20.10-21; Deuteronômio 22.13-30; 23.17-18; Mateus 5.27-30; Marcos 7.21-23; João 7.53-8.11; Atos 15.19-20; Romanos 13.13; 1 Coríntios 5.11; 6.13, 18; 10.8; 2 Coríntios 12.21; Gálatas 5.19; Efésios 5.3; Colossenses 3.5-6; 1 Tessalonicenses 4.3-5; Apocalipse 2.20). Deus também toma tempo para ter a certeza de que sejamos conhecedores das consequências existentes por causa da desordem sexual. Por isso, seria recomendável tomar tempo para conhecer os mesmos, já que a Bíblia nos apresenta em inumeráveis casos as consequências do pecado sexual (Gênesis 19;1-38; Números 25; 2 Samuel 11-13; 1 Reis 11; Provérbios 2.16-19; 6.30-35).

Desde quase o inicio da historia da humanidade, encontramos como a humanidade tem usado de forma equivocada aquilo que Deus criou para nosso prazer e plenitude. O dom de Deus que fui criado para nosso bem, segue sendo usado de tal modo que acaba sendo para nosso próprio detrimento. Não existe forma mais clara de perceber que através dos ilustres heróis do Antigo Testamento, como Abraão, Isaac, Jacob, Davi e Salomão; todos eles praticavam a poligamia, ainda quando Deus claramente mostrou o plano original para o matrimonio entre uma mulher e um homem. Davi fui um adultero. A espiritualidade bíblica tem sido ameaçada com destruição pelo desejo sexual pervertido em forma.

Temos de mudar o pensamento de pensar que a confusão e caos sexual contemporâneo é único, e nunca antes visto na história da humanidade. Eles são evidencias da condição humana depois da queda. Sendo assim, são o resultado lógico da própria natureza humana. O estado contemporâneo da compreensão sobre a sexualidade afeta tanto os crentes como os ateus. Sendo um problema que requer a atenção e reflexão madura e responsável para compreender as raízes. Não é somente um problema para os homens, também é para as mulheres, para casados e solteiros. Inclui os heterossexuais e aqueles que sentem uma atração para o outro sexo. É, claramente, um problema que afeita de forma universal a toda a humanidade.

Mas, na atualidade, nos encontramos em uma rotatória cultural. Dois expressões particular de sexualidade têm vido a ocupar a atenção central nos debates contemporâneos sobre sexualidade humana, homossexualidade e transexualidade. Contudo não deveríamos nos surpreender se outras questões rapidamente surgem nos próximos anos e décadas as quais hoje são inimagináveis. Homossexualismo e transexualidade tem estado sempre presente como uma condição da queda humana, mas o clamor crescente entre certos círculos políticos e sociais para sua aceitação como uma escolha apropriada moralmente e um estilo de vida válido é sem precedente. Cabe assim, a Santa Igreja Católica (toda a Igreja de Cristo) pensar sobre tais comportamentos sexuais, e aquelas pessoas que enfrentam tais situações, da forma mais madura possível, nos aprofundando de forma bíblica e compassiva, como seja possível, com o desejo de dar respostas claras que auxiliem e advertem a sociedade do que representa abarcar tais pecados sexuais, como estilo de vida aceitáveis e promovendo os mesmos, como alternativas válidas ao desenho original de Deus e o propósito divino para a sexualidade humana.

Homossexualidade

A homossexualidade tem sido um tópico controvertido nos últimos anos. Ainda que tem sido promovido de forma social e politica desde a 1960s. O ímpeto do gayzismo tem sido tal na última década que, possivelmente, tenha surpreendido ao povo de Deus despreparado. Os argumentos bíblicos usados em outros momentos históricos, os quais eram aceitos, hoje em dia parece acabar caindo e rejeitado pela sociedade contemporânea. Isto é devido a que está sendo promovido das formas mais diversas através de movimentos sociais, figuras públicas, filmes e séries, jornais e documentários, e inclusive sendo expressado publicamente. Ao mesmo tempo, se caracteriza aqueles que pensam de forma diferente, como preconceituoso, homofóbico ou ainda pior. Ninguém gosta de ser chamado de homofóbico ou ser considerado uma pessoa preconceituosa, portanto muitos têm acabado por manter em silêncio. Enquanto outros que têm tentado levantar a bandeira advertindo os perigos desta questão, tem feito do jeito menos idôneo, já seja pelas suas palavras torpes, comportamentos agressivos ou incapacidade de desenvolver um pensamento lógico compreensível.

No debate contemporâneo sobre a homossexualidade, se encontra escondido algumas questões de grande importância, entre elas a natureza da sexualidade humana e a autoridade das Escrituras Sagradas. Por esta razão, se faz necessário pensar profundamente sobre esta questão e falar claramente sobre este tema com simplicidade, clareza e compaixão. Não deve ser esquecido que os cristãos estamos chamados a falar a verdade em amor (Efésios 4.15), mandamento este constantemente esquecido pelos crentes sobre a escusa de falar a verdade. A Bíblia nos ensina que é possível, ideal, falar a verdade com amor. De fato, ambos não devem ser separados. Requer, portanto, a extraordinário capacidade de navegar cuidadosamente pelo espaço diminuto entre os dois erros. Maturidade é obrigatória.

Por um lado, não devemos aceitar o crescente consenso cultural sobre a homossexualidade. Ainda quando mais pessoas cada dia aceitam o comportamento homossexual, como uma escolha pessoal válida, exceta de qualquer forma de censura moral. Inclusive, observamos em um número crescente de países onde o casamento do mesmo sexo é aceito como legal e aceitável socialmente. As objeções sobre a prática homossexual, ainda quando compassivas e amorosas, são caracterizadas como atos de ódios contra a dignidade da pessoa e acusados de ser homofóbicos. Diante de tal contexto social e cultural, não tem como simplesmente mudar ou ajustar nossa teologia para aceitar as mudanças morais que estão acontecendo. Não devemos mudar a “sabedoria” convencional pela verdade da Palavra de Deus.

Por outro lado, não devemos responder de forma acaroada. Se faz necessário manter a mente fria e o coração esquecido. Não podemos apontar a homossexualidade como se fosse o único ponto o qual é digno da nossa denuncia e rejeição divina. As Escrituras claramente ensinam que Deus rejeita o comportamento homossexual (Gênesis 19.1-22; Juízes 19.1-21; Levíticos 18.22; Romanos 1.24-28; 1 Coríntios 6.9-10; 1 Timóteo 1.10), mas também rejeita igualmente a imoralidade heterossexual, como tenho mostrado anteriormente. Imoralidade sexual de todas as formas contradisse o ensino bíblico claro, destorcendo o dom divino da sexualidade, e será julgado sobre a justiça de um Deus santo. As Escrituras nos advertem, “...” (1 Coríntios 6.18)., em qualquer que seja a forma que tal imoralidade possa apresentar-se.

Quando consideramos a totalidade deste debate, não devemos esquecer que, ainda quando estamos debatendo a pratica homossexual, também nos encontramos debatendo a própria orientação sexual. Alguns veem a orientação sexual, como uma questão de determinismo biológico. Se afirma que as pessoas são levadas a atração sexual pelo mesmo sexo devido a genética. Outros pensam que é condicionado pelas experiências sexuais iniciais. Ainda assim outros pensam que a atração pelo mesmo sexo é puramente uma decisão pessoal.

Neste ponto, os cristãos, que desejam aprofundar nesta questão, tenham mais questões que respostas. Não à toa, a sexualidade humana é um fenômeno complexo com aspectos biológicos, psicológicos, emocionais e espirituais envolvidos de forma intrinca. Não ter todas as respostas no inicio da própria reflexão, não nos deve preocupar, porque as perguntas sempre surgem primeiro das respostas. Melhor tomar tempo para achar respostas verdadeiras que dar respostas fácil as quais não responderam as próprias perguntas.

Uma verdade é intrínseca. O ser humano vive em um mundo caído o qual está longe de ser aquilo que fui criado a ser. Desastres, enfermidades, morte não formam parte do desejo original de Deus; de fato, é oposto do bom e perfeito plano de Deus. São peças e partes de um quebra-cabeça que forma a queda e seu impacto na criação. São Paulo escreveu assim que a criação estava “...” (Romanos 8.21). A criação se encontra desordenada, fruto da queda, e não devemos nos surpreender que os desejos humanos têm sido impactados de tal modo que, também, são confusos pelos próprios desejos sexuais. A tristeza se encontra em perceber que estes desejos sexuais que forma dados por Deus para trazer prazer, plenitude e união através da intimidade sexual nos cônjuges, tem se convertido em uma força usada para satisfazer os próprios desejos sexuais. Por toda esta razão, não deveríamos nos surpreender que existem pessoas que se sentem atraídas por pessoas do mesmo sexo. Isto é coerente com um mundo caído e o pecado existente em nos. A criação está corrompida pela queda, esperando ser restaurada e recriada. Ainda esperamos a plenitude do tempo para que Jesus faça todas as coisas nova (Apocalipse 21:5).

Muito tempo tem se dedicado para tentar explicar os origens da atração que algumas pessoas sentem por pessoas do mesmo sexo, nos perdendo em incontáveis debates, enquanto deveríamos de focar na questão de que qualquer que seja os origens da homossexualidade, estes não podem ser uma escusa usada para não obedecer os padrões que Deus demanda de nos e, também, nos ajuda a obedecer os Seus mandamentos da lei de Deus. A Bíblia claramente proíbe o sexo fora dos laços do casamento e matrimonio heterossexual. Ainda quando as pessoas possam questionar de que a Bíblia tem pouco a dizer sobre a orientação sexual, isto não nega o ensino claro sobre a sexualidade humana e o desenho original de Deus para que as pessoas pudessem desfrutar a sexualidade de forma intima e plena. A Bíblia fala claramente contra a imoralidade sexual e proíbe qualquer outra relação sexual fora da aliança sacramental entre um homem e uma mulher no casamento. A atração sexual não é realmente a questão, como se intenta mostrar e defender; o comportamento sexual é, como também a obediência aos ensinos de Jesus e a Palavra de Deus.

Transgenderismo

Deus criou dos sexos distintos e complementários (Gênesis 1.27; Mateus 19.4), porém um dos efeitos da queda é que algumas pessoas experimentam uma total confusão de gênero. Eles não aceitam que o seu gênero físico seja o mesmo que o gênero biológico. Isto difere da outra condição rara de intersexualismo ou hermafrodismo, condições em que o sexo da pessoa é biologicamente ambíguo, e a pessoa posse tanto os aspectos sexuais primeiros do homem e da mulher. No caso do transgenderismo, o sexo do individuo é biologicamente clara, mas psicologicamente não. É uma questão que não deve ser considerada fisiológica, mas de percepção de se mesmo.
A sociedade tenta normalizar uma situação complexa de crise de identidade, usando várias técnicas, incluindo terapia hormonal e cirurgia de mudança de sexo. O movimento gaysista tenta normalizar o transgenderismo na cultura contemporânea e na sociedade atual, insistindo através de propaganda, a média e, inclusive, a política que os indivíduos têm o direito de definir seu gênero de acordo ao sua própria percepção, em vez de acordo ao seu estado biológico. Ainda mais, estamos vendo nas escolas e faculdades uma pressão social e educativa para que os pais e professores aceitem como válido o uso neutro de gênero.

Esta questão entra em conflito direto com a Criação. Já seja definido pela própria compreensão da identidade de gênero ou determinado por causa de percepção da pessoa, a Palavra de Deus é clara sobre esta questão. Deus criou “homem e mulher” (Gênesis 1.27). Esta ordem, e a participação de cada pessoa, deve ser valorado e afirmado pelas sociedades e nações. Gênero é um componente importante da personalidade humana e não deveria ser simplesmente desconsiderado por causa do profundo sofrimento das pessoas que enfrentam tal crise de identidade.

É verdade que o papel dos gêneros muda de cultura a cultura, de povo a povo, porém a compreensão local e a expressão social não mudam a realidade do gênero. A compreensão histórica de gênero compreendida na Criação, supera a barreiras de tempo, cultura e povos. Não posso deixar de mencionar neste ponto que gênero realmente abraça mais que a questão biologia, no entanto não deve ser determinada fora da própria biologia. Temos que ser compassivos diante da realidade da queda. O fato simples é que os resultados da queda são mais profundos dos que nunca tenhamos percebido anteriormente. Assim, tem sido introduzido anomálias como intersexualidade na experiência humana. É trágico o sofrimento das pessoas causado pela confusão de identidade de gênero. Por isso, temos que olhar com compaixão, esperando a libertação da criação da atual situação pela redenção dos nossos corpos (Romanos 8.23). Entretanto, os cristãos devemos mostrar amor e compaixão com aqueles que sofrem com confusão e crise de identidade de gênero e convidar a todos abraçar a mensagem de redenção em Cristo e compartilhar a esperança da plenitude alcançada pelo evangelho.

Se não podemos desculpar as ações daqueles que buscam mudanças através de tratamentos hormonais ou cirurgia de mudança de sexo, contudo compreendemos a luta que enfrentam e o profundo conflito que leva eles a fazer isso. A consequência do pecado continua causando que muitas pessoas acabam escolhendo o caminho mais fácil, em vez de seguir o caminho do Senhor. Contudo temos que estar prontos para acolher aqueles que, em meio das lutas e conflitos de identidade de gênero, desejam ser fiéis a Cristo e obedecer a ordem da Criação com a esperança futura. Fazendo isto, seguiremos o caminho superior ensinando por Jesus que diz, “Não esmagara a cana quebrada, e não pagara o pavio que fumega, até que faça triunfar a justiça” (Mateus 12.20, veja também Isaías 42.3).

Não sejamos rápidos em condenar somente, sem mostrar misericórdia aqueles que procuram seguir o Caminho do Senhor, ainda enfrentamos profundas crises de identidade e conflitos emocionais intensos. Se não devemos abrir mão da verdade e abraçar a ordem da criação, também se faz necessário perceber que o amor e compaixão não estão em oposição a verdade. Os cristãos somos chamados a amar a Deus e, também, o nosso próximo. Esta tensão nos desafia a crescer na graça e amadurecer na fé. Afirmemos o valor de toda pessoa, porque Ele tem a imagem de Deus, ainda que distorcida pela queda. E, ao mesmo tempo, sejamos o evangelho encarnado que proclama as boas novas de Cristo e convida as pessoas a confessar a Jesus Cristo, como senhor e Salvador. Isto não significa, nem nunca deverá significar, que aceitamos ou animamos mudanças de gênero em ordem de que as pessoas adoptem sua percepção de identidade. Mas é um chamado a ser discípulos de Cristo, não abrindo mão da verdade e mostrando caridade.

Redenção restaura a sexualidade (Presente e Futuro)

A sexualidade permanece um problema profundo e presente na sociedade contemporânea, mas Deus tem antecipado a resposta e solução através da redenção prevista no evangelho de Jesus Cristo. Deus nos criou para plenitude, como homem e mulher, incluindo a plenitude sexual. Esta perfeição pode ser restaurada pela graça de Deus, ainda quando tem sido distorcida tragicamente pelo pecado. Nossa sexualidade caída pode ser redimida em Cristo.

Podemos ser redimidos da pena do pecado. Jesus levou todos nossos pecados na Cruz. Cristo morreu por aqueles com atrações pelo mesmo sexo e aqueles que sofrem com confusão de gênero, como também tem morto por aqueles que suas vidas sexuais estão caídas de outras formas (Romanos 3:23). Não há pecado, sexual ou outro, que não possa ser perdoado por Deus para aqueles que se arrependem e confessam (e confiam) em Jesus (1 Coríntios 6:9-11). Quando estamos em Cristo, a pena do pecado é cancelada. Nossa verdadeira identidade se encontra em Cristo, não nas atrações sexuais.

Agora também podemos ser redimidos do poder do pecado. Como resultado do pecado, a sexualidade tem sido desvalorizada e, em muitos casos, separada de intimidade, amor e relação saudável. As demandas morais de Deus são impossíveis de obedecer com nossas próprias forças. Jesus destruí o poder do pecado e cancelou nossa pena pela sua morte na cruz. Com a ajuda do Espírito Santo, a graça de deus nos capacita para seguir a Jesus vivendo vidas puras e santas. Isto não deve ser considerado como que a graça elimina imediatamente o desejo pelo sexo e as tentações sexuais. Não devemos pensar que Deus necessariamente eliminará todas as atrações que a pessoa sente pelo mesmo sexo ou a confusão de identidade de gênero. Deus tem proibido claramente o adultério e, todavia, as Escrituras e o pecado nos mostram que os cristãos ainda lutam com os desejos de adultério. A tentação ao pecado permanece um conflito da vida cristã. Se a tentação pode ser inevitável, sucumbir a tentação não é (1 Coríntios 10.13). Deus nos prove com liberdade depois da salvação para vencer o pecado (Romanos 6.6). Como discípulos de Cristo, em ordem para viver tal liberdade, devemos continuar resistindo os dardos lançados contra nossa natureza pecaminosa (Gálatas 5.17; Colossenses 3.5). Somos capazes de resistir o poder do pecado, sexual ou outro, como caminhamos no Espírito que nos sustenta pela força de Deus (Gálatas 5.16; Filipenses 4.13).

A sexualidade é tão poderosa para nos sentires conectados a outros, forma parte intrínseca da natureza humana, portanto quando é prejudicada, degradada, abusada, mal-usada, ou falsificada, as repercussões terão um impacto enorme sobre as pessoas e suas relações. As Escrituras nos advertem fortemente sobre isso. Os cristãos temos que ser exemplos, sendo os primeiros em fugir da imoralidade sexual e, pela graça de Deus, busca a plena restauração do desenho original de Deus para a sexualidade. Enquanto condenamos o pecado, como nossa incapacidade de refletir a norma dada por Deus para a sexualidade, a Escritura demostra a prontidão de Jesus para perdão aqueles que se arrependem dos pecados sexuais. O amor e poder renovador de Deus nos permite viver uma vida transformada do quebrantamento sexual para ser curados, feitos plenos e receber paz (Lucas 7.36-50; João 4.4-28; 8.1-11).

Em Cristo, seremos finalmente redimidos da presença do pecado. Enquanto isto aconteça, pela graça de Deus, vencemos progressivamente o poder do peado durante esta vida, tendo presente que não obteremos perfeição até os nossos corpos sejam plenamente redimidos e glorificados (Romanos 8.23). Nesse dia, seremos plenamente livres do pecado no novo céu e a nova terra (Apocalipse 21.1-5). Ainda que as distinções de gênero permaneçam para a eternidade, continuaremos sendo homem e mulher, a expressão sexual fui designada por Deus somente para a ordem criada atual onde serve como um símbolo da intimidade espiritual entre Jesus e Sua noiva, a Igreja (Efésios 5.31-32). Uma vez Jesus esteja plenamente unido com Sua noiva, casamento e vida sexual, como a conhecemos, será substituída com o prazer maior e a intimidade perfeita da nova criação (Mateus 22.23-33).
Afirmações Centrais sobre Sexualidade Humana

Em conformidade com as Escrituras e com a ortodoxia cristã através dos séculos, afirmamos as seguintes verdades:

1. Afirmamos que Deus deseja que as relações sexuais aconteçam dentro do Santo Matrimonio, uma aliança sagrada, entre um homem e uma mulher.
2. Afirmamos que o sexo é um dom divino, dado para selar a aliança matrimonial, e almejado tanto para o prazer (Provérbios 5:18-19) quanto para a procriação (Gênesis 1:28).
3. Afirmamos que o sexo faz parte da ordem da criação, serve como símbolo da gloriosa intimidade espiritual pela qual somos recriados na nova criação (Mateus 22:23-33).
4. Afirmamos que Deus pretende que o casamento entre um homem e uma mulher age como um sinal e símbolo vivo da relação entre Jesus e sua noiva, a Igreja (Efésios 5: 31-32).
5. Afirmamos que Deus declara que todas as relações sexuais fora dos limites do casamento, sejam eles pré-conjugais ou extramaritais, sejam heterossexuais ou homossexuais, são contraria a vontade de Deus e devem ser consideradas como pecado.
6. Afirmamos que a desordem sexual é um problema humano universal e que todo pecado sexual está sob o juízo de Deus.
7. Afirmamos que Deus chama e capacita todos os cristãos para viver em santidade sexual e pureza moral, qualquer que seja a natureza de sua atração sexual.
8. Afirmamos que a homossexualidade é contrária ao desenho original de Deus para a prosperidade humana e que o comportamento homossexual é claramente proibido nas Escrituras.
9. Afirmamos que o casamento homossexual, apesar de ser legalmente aprovado pelo Estado, permanece proibido por Deus e, portanto, pela verdadeira Santa Igreja Católica de Cristo.
10. Afirmamos que o gênero é um dom divino, essencial para nossa humanidade e identidade pessoal.
11. Afirmamos que o desenho original de Deus foi criar homem e mulher, distintos e complementares, masculino e feminino, uma distinção evidente na imagem fisiológica do ser humano.
12. Afirmamos que a identidade de gênero é determinada biologicamente (fisiologicamente) em vez da própria percepção.
13. Afirmamos que o pecado sexual - em qualquer forma que se manifesta - não pode afastar a imagem de Deus. Todos os seres humanos - seja qual for a natureza precisa de seu pecado - permanecem dignos de nossa compaixão e respeito, assim como eles permanecem objeto da misericórdia de Deus (Romanos 5:8).
14. Afirmamos que Deus nos chama a amar os pecadores, mesmo quando nos entristecemos pelo seu pecado.
15. Afirmamos que todos pecaram (Rom. 3:23) e precisam da graça redentora e restauradora de Deus.
16. Afirmamos a nossa confiança no poder salvador do evangelho (Romanos 1:16) e a vida transformadora do poder do Espírito Santo (2 Coríntios 3:18). Deus pretende que a graça, em vez do pecado, tenha a última palavra na vida de seus filhos. "Graças a Deus, que nos dá a vitória através do nosso Senhor Jesus Cristo" (1 Cor. 15:57).




Bispo Josep M. Rossello Ferrer
Pindamonhangaba, 12 de fevereiro de 2018.

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Obra de Deus para fazer boas obras



"Pois somos obra de Deus, criada em Cristo Jesus para fazer boas obras, que Deus preparou antecipadamente para nós fazermos." Efésios 2:10

Como leu isto, espero que leve um minuto para considerar o que significa ser obra de Deus.

Pensa bem: o Deus que criou o universo também te formou no ventre da tua mãe. Isso é o que o salmista estava falando no salmo 139:13 quando ele disse: " Porque você criou meu íntimo ser; você me tricotou no ventre da minha mãe " - e Deus disse ao Jeremias, o profeta: " Antes de eu te formarno ventre eu te conheci, antes de você nascer eu te formei; eu te designo como um profeta para as nações."

Da mesma forma, Deus criou-te com um propósito em mente. Nada sobre ti é um acidente. Nada é normal em ti. Você é original porque Deus é o artista, o criador.

Só há um tu, e foste criado por Deus, como Isaías 43:7 diz, pela sua glória.

Sê encorajado a ver-te como Ele te vê. E se ainda não o fez, porque não lhe pergunta o que ele planeja fazer com a sua vida que Lhe trará glória?


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Crescendo na Graça - Do pecado depois da Conversão



Nem sempre é fácil compreender a maravilhosa graça. As pessoas pensam, "se somos salvos pela graça, sem ter a necessidade de fazer obras para agradar e ganhar o favor de Deus, então que nos vai impedir de seguir pecando? Ou fazendo o que eu quiser?" As pessoas que fazem esta pergunta, ainda não perceberam que a graça de Deus nos alcança e nos liberta do pecado. Não somos mais a mesma pessoa, nem temos a mesma natureza, ainda que evite no coração as tentações e a debilidade da carne.

O cristão não é alguém que não peca, é alguém que não se agrada dele e se entristece diante do pecado que habita nele. O cristão não é uma pessoa perfeita, sem defeitos, somente é uma pessoa que acredita em Deus e deseja seguir os passos de Cristo pelo poder do Espírito Santo. É uma pessoa que está sendo transformada dia atrás dia. Por isso, diariamente, peca contra Deus, porém se arrependem e busca o auxilio do Espírito santo para ter uma vida transformada mais a imagem de Cristo.

O artigo de fé de hoje tenta responder aqueles que afirmam um cristão nunca poderia pecar depois de ser cristão. Essa ideia promove a visão errônea, sem base bíblica, de que o cristão é perfeito, sem pecado. Enquanto isto não é verdade.

ARTIGO XVI - DO PECADO DEPOIS DA CONVERSÃO
NEM todo o pecado cometido de bom grado depois da conversão é pecado contra o Espírito Santo, e imperdoável. Por isso não deve negar-se a graça do arrependimento aos que houverem caído em pecado depois da conversão. Depois de termos recebido o Espírito Santo, podemos apartar-nos da graça recebida, e cair em pecado, e, pela graça de Deus, levantar-nos de novo, e emendar a nossa vida. Devem, portanto, ser condenados os que dizem que já não podem mais pecar enquanto viverem aqui, e os que negam a possibilidade de perdão às pessoas verdadeiramente arrependidas.

O artigo de fé hoje tenta esclarecer uma questão antiga, a qual ainda hoje precisa de resposta. No inicio do século IV, as perseguições do Imperador Romano (Diocleciano) no Norte da África fizeram que muitos cristãos acabassem rejeitando sua fé Cristã. Abraçaram o paganismo para conseguir salvar suas vidas. Isto levou a que, uma vez passado o perigo, estes cristãos pediram voltar a comunhão na Igreja. A resposta do novo Bispo eleito de Cartago, Donato, foi que eles não poderiam ser recebidos de volta; porque tinham cometido um pecado terrível, depois de ter recebido o Santo Batismo. Isto causou uma cisma entre os partidários de Donato e a posição da Igreja que defendiam a possibilidade de receber de volta aqueles que se arrependiam com coração sincero e mudança de vida.

Bispo Donato e seus seguidores não compreenderam a graça de Deus. É verdade que, uma vez convertidos, somos santos diante de Deus pelos méritos e a obra expiatória de Cristo na Cruz. No entanto, ainda estamos sido regenerados e santificados. O apóstolo Paulo escreveu, "E todos nós, que com a face descoberta contemplamos a glória do Senhor, segundo a sua imagem estamos sendo transformados com glória cada vez maior, a qual vem do Senhor, que é" (2 Coríntios 3:18).

Se você observa sua vida cristã, poderá perceber como Deus tem mudado sua vida através dos anos. Ele ainda está te mudando e transformando a cada dia. Esta é a maravilhosa graça de Deus. Ainda quando nos apartamos dEle, existe a possibilidade de nos arrepender e ser perdoados pelo Senhor. Deus é um Deus misericordioso e bondoso. Sempre pronto para perdoar os pecados daqueles que se arrepende dos seus erros e mostram fé em Jesus Cristo (Atos 3:19, 20).

Isto levanta a questão do pecado imperdoável. "Eu asseguro que todos os pecados e blasfêmias dos homens lhes serão perdoados, mas quem blasfemar contra o Espírito Santo nunca terá perdão: é culpado de pecado eterno" (Marcos 3.28-29). Quais pecados são perdoáveis? E quais não?

A Bíblia nos mostra exemplos de pecados que são perdoados. Em 1 Coríntios 6.9-11, encontramos adúlteros que foram perdoados quando se arrependeram e mudaram de vida, recebendo o perdão de Deus. Outro caso interessante é o próprio testemunho do apóstolo Paulo que tinha recebido o perdão de Deus quando agira em ignorância contra Deus (1 Timóteo 1.13).

Talvez, o leitor se pergunte, será que eu tenho cometido um pecado que seja imperdoável por Deus? Deixe que te pergunte qual é sua reação diante do pecado na sua vida. Você sente prazer neles? Ou deseja mudar? Não responda rapidamente, toma um momento e reflita. É verdade que temos caído no mesmo pecado em várias ocasiões, inclusive outros percebam do nosso pecado, porém se o seu coração não está endurecido contra Deus e deseja obedecer ao Senhor (Provérbios 24.16), então tenha a certeza de que não tem cometido o pecado imperdoável.

Ainda que se senta com um sentimento de culpa pelos seus pecados presentes ou passados, isso não deve ser confundido com o fato de ter cometido o pecado imperdoável. Lembre-se as palavras do profeta Jeremias, "O coração é mais enganoso que qualquer outra coisa e sua doença é incurável. Quem é capaz de compreendê-lo?" (Jeremias 17:9). Deus te perdoa, se você se arrepende dos seus pecados, ainda que tenhamos um forte sentimento de culpa. "Assim saberemos que somos da verdade; e tranqüilizaremos o nosso coração diante dele quando o nosso coração nos condenar. Porque Deus é maior do que o nosso coração e sabe todas as coisas" (1 João 3:19,20).

Judas foi uma das pessoas que claramente cometeu o pecado imperdoável. Ele chegou a falar sobre as necessidades dos pobres, enquanto ele roubava dinheiro (João 12.4-8). Ele estava tão perdido no seu pecado que vendeu a vida de Jesus por 30 moedas de prata. Jesus diz dele que era o filho da destruição (João 17:12). Jesus sabia que Judas nunca se arrependeria sinceramente. Em vez de confessar seu pecado a Deus, ele entregou o seu Senhor (Mateus 27:3-5; 2 Coríntios 7:10).

Aquele que tem cometido o pecado imperdoável, está tão decidido a praticar o pecado que nunca mais vai mudar sua atitude ou suas ações. Ele tem um coração endurecido pelo poder do pecado (Hebreus 3.12-13). O coração de uma pessoa assim pode ser comparado a um vaso de barro que foi para o forno. Ele não pode ser mais modificado. Seu coração se opõe a Deus de modo permanente (Isaías 45:9). Por isso, seu pecado é considerado imperdoável (Hebreus 10.26-27).

Aqueles que temos fé em Cristo e nos arrependemos sinceramente dos nossos pecados, clamando ao Espírito Santo que nos ajude a viver agradáveis ao Senhor e para a glória de Deus, podemos ter a certeza de que Ele nos não abandona e, com certeza, perdoa aquele que sinceramente deseja rejeitar as obras contrarias a lei de Deus. O mundo, talvez, não esqueça dos nossos erros passados, porém a graça de Deus nos alcança e nos limpa de toda a culpa passada para ser transformados a imagem de Cristo, dia a trás dia.

A segurança da nossa salvação está em Cristo. Nada nos pode separar do Senhor. O apóstolo Paulo escreveu assim, "Pois estou convencido de que nem morte nem vida, nem anjos nem demônios, nem o presente nem o futuro, nem quaisquer poderes, nem altura nem profundidade, nem qualquer outra coisa na criação será capaz de nos separar do amor de Deus que está em Cristo Jesus, nosso Senhor" (Romanos 8.38-39). Nada te poderá separar do amor de Deus, ainda se enfrenta as lutas mais desbastadoras. Não escute seu coração, ouve a Palavra de Deus e tenha fé de que Ele vai fazer aquilo que o Senhor prometeu que ia fazer na sua vida por Cristo, para Cristo e em Cristo.


TEXTOS PARA MEDITAR

Lucas 15.11-32; Romanos 8.38-39; 2 Coríntios 2.5-11; 1 João 2.1-17.



PERGUNTAS PARA REFLETIR

- O que é o Donatismo?

- O que é o pecado imperdoável?

- Como podemos certeza de que nossos pecados tem sido perdoados?



LIVROS PARA SEGUIR CRESCENDO NA GRAÇA

LLOYD-JONES, Martyn, Salvos Desde A Eternidade, Editora PES, SP

RYLE, J.C., Santidade, Editora Fiel, SP.

YANCEY, Philip, Maravilhosa Graça, Editora Vida, SP.

ZAGARI, Mauricio, Perdão Total, Editora Mundo Cristão, SP.

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Crescendo na Graça - Das Boas Obras



O prévio artigo de fé aprendíamos sobre a centralidade da doutrina da justificação do homem. Hoje, estaremos aprendendo do papel das boas obras na vida cristã. O artigo de fé diz,

ARTIGO XII - DAS BOAS OBRAS
Ainda que as Boas obras, que são os frutos da Fé, e seguem a Justificação, não possam expiar os nossos pecados, nem suportar a severidade do juízo de Deus, são, todavia, agradáveis e aceitáveis a Deus em Cristo e brotam necessariamente de uma verdadeira e viva Fé; tanto que por elas se pode conhecer tão evidentemente uma Fé viva como uma árvore se julga pelo fruto.

A clareza evidência a verdade a qual somos expostos através do artigo de fé. Ele esclarece as práticas e ensinos tão preeminente na Idade Média, onde as pessoas acreditavam que seriam capazes de pagar os seus pecados através das boas obras. Estas boas obras poderiam ir desde um peregrinarem ao jejum em certos dias do ano. Porém, os Reformadores Ingleses rejeitaram tal ideia, como sendo verdadeira. Ainda que compreendiam que certas disciplinas espirituais poderiam ajudar as pessoas a crescer na graça e na maturidade espiritual, no entanto elas nunca poderiam ganhar a salvação ou ajudar a escapar da severidade do juízo de Deus.

Existe até os dias de hoje um grande grau de mal entendimento sobre a relação entre fé e obras. Muitas pessoas consideram que se não são necessárias as boas obras para a salvação e ganhar o favor de Deus, então isto nos levará a uma vida de libertinagem. Curiosamente, um dos movimentos cristãos que tem sido acusado até os dias de hoje do contrario, tem sido os Puritanos. Sendo que este ensino formava parte do corpo fundamental dos teólogos associados a este movimento teológico da Igreja da Inglaterra.

A fé nos salva e, também, é a nascente a partir da qual fluem as boas obras. Sem fé, não tem como dar fruto. A fé a semente que cresce no coração do crente que tem como resultado o fruto esperado das boas obras, conforme a boa, agradável e perfeita vontade de Deus. Esta ideia é dolorida, porque até os bons atos que realizamos, são simplesmente fruto da obra do Espírito Santo na vida do cristão. Enquanto o mundo nos ensina que somos capazes de fazer o bem, Deus nos ensina que o puro e inocente bem surge de um coração arrependido no qual tem brotado a arvore da fé em Cristo.

Temos que evitar a ideia de que não precisamos de boas obras. A ideia de que as boas obras não têm valor algum. O apostolo Paulo nos ensina que as boas obras são resultado da fé viva, e sinais da existência de um genuíno amor por Deus. Ele escreve aos romanos dizendo, "Que diremos, pois? Permaneceremos no pecado, para que seja a graça mais abundante? De modo nenhum! Como viveremos ainda no pecado, nós os que para ele morremos? Ou, porventura, ignorais que todos nós que fomos batizados em Cristo Jesus fomos batizados na sua morte? Fomos, pois, sepultados com ele na morte pelo batismo; para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim também andemos nós em novidade de vida" (Romanos 6.1-2).

O batismo nos aponta a realidade da nova vida em Cristo. A promessa do batismo se faz realidade quando somos alcançados pela graça de Deus. Transformados em uma nova criação, os valores nos são convertidos para refletir a busca constante da Eternidade. É neste ponto onde as boas obras fazem sentido. A Eternidade é o nosso destino, nosso lar. Jesus foi para preparar o caminho até a nossa chegada quando Ele esteja voltando em glória para julgar os vivos e os mortos. Deus nos ama, seu amor não muda conforme nossas ações, no entanto nossas ações surgem do desejo de agradar ao Pai do Céu.

Isto resulta de difícil compreensão para o homem contemporâneo. Ele está acostumado a que seu valor seja resultado do performance. Muitas vezes os próprios pais acabam dizendo os seus filhos que eles serão amados somente no caso de que eles façam certas coisas. A sociedade nos instrui ou, talvez, nos programa para compreender o valor pessoal a partir das boas obras. Cristo quebra toda essa noção errada, nos liberta. Ele nos mostra que somos amados quando ainda estávamos longe do Senhor. A graça de Deus nos alcançou para e Eternidade na presença do Pai. Nada podemos fazer para agradar a Deus, contudo Ele nos convida a viver uma vida nova. Seguimos assim os passos de Cristo que fez todas as boas obras do Pai. Obedeceu como um ato de amor.

Deus se agrada das nossas ações, atos e boas obras que são frutos da verdadeira e viva fé e Cristo. Estas são realmente uma obra visível do amor que invisível que sentimos pelo Senhor. Esse amor nos alcançou e nos fez uma nova criação. Amamos, porque primeiro temos sido amados incondicionalmente pelo Pai.

Somos chamados a seguir o exemplo de Cristo, como os seus discípulos. O discípulo, se verdadeiro, segue os passos e ensinos do Mestre. Se não refletimos as ações de Jesus, como poderemos dizer que Ele é realmente Senhor das nossas vidas?

Isto não quer dizer que primeiro precisemos atingir o grau de perfeição antes de ser discípulo. Pelo contrario, o Mestre nos recebe tal como somos e onde estamos e, a partir dai, começa o processo de ensino e mudança de vida. Isto é claramente observado nos evangelhos do nosso Senhor Jesus Cristo. Os discípulos foram chamados e convidados a seguir Jesus. Eles não compreendiam o que a jornada tinha preparado para eles. Suas vidas não tinham ainda sendo moldadas, porém o tempo fez deles apóstolos de Cristo pela obra do Espírito Santo, os ensinos de Cristo e para a gloria de Deus.

Fé e boas obras vão juntas, porque a premissa final é a fé causa ambas. Isto talvez resulte difícil de compreender, como fé pode causar fé, porque o autor e consumidor da fé é Cristo. A fé viva é fruto de Cristo, porém a fé morta é resultado das emoções. As emoções nos levarão a sonhar no impossível como uma realidade alcançável hoje. Infelizmente, amanhã, todo será simplesmente uma lembrança mais. A fé viva nos traz diante da novidade de vida que é revelada ao mundo através das boas obras. Tiago nos ensina está realidade, "Assim também a fé, se não tiver as obras, é morta em si mesma. Mas dirá alguém: Tu tens a fé, e eu tenho as obras; mostra-me a tua fé sem as tuas obras, e eu te mostrarei a minha fé pelas minhas obras" (Tiago 2:17-18).

Nem sei as vezes que já ouvi alguém que nunc amais voltaria a fazer certa coisa. Momentos depois se encontrava novamente envolvido em tais ações. Inclusive, se observamos a própria vida, não será difícil perceber este fato em nós. As boas obras são os frutos maturo da fé viva. São sinais para o mundo da fé que corre pelo nosso ser e da existência de uma verdadeira elação com Deus. Como a vida e as atividades do dia a dia, mostra que a sangue corre pelas nossas veias, do mesmo modo as boas obras são sinais da fé que habita em nós.

O apostolo João escreveu, "se andarmos na luz, como ele na luz está, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo o pecado" (1 João 1:7). Jesus nos ensinou no sermão do monte que somos "o sal da terra; ora, se o sal vier a ser insípido, como lhe restaurar o sabor? Para nada mais presta senão para, lançado fora, ser pisado pelos homens. Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder a cidade edificada sobre um monte; nem se acende uma candeia para colocá-la debaixo do alqueire, mas no velador, e alumia a todos os que se encontram na casa. Assim brilhe também a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos céus" (Mateus 5.14-16).

As boas obras são parte do chamado de ser a Santa Igreja de Cristo nesta geração. Não existe nenhum ato mais infeliz quando um cristão justifica suas perversas atitudes diante da sua incapacidade de seguir os ensinos de Cristo. Em vez de reconhecer o mesmo, acaba cometendo outro ato contra Deus. Nem sei o número de vezes que fiquei surpreso da capacidade das pessoas têm para justificar as ações mais inacreditáveis. Talvez, por isso, o próximo artigo de fé nos ensina um aspecto pouco considerado pelo homem. As boas ações nem sempre são agradáveis a Deus. Ainda que chocante, depois da consideração oportuna teremos uma compreensão perfeita desta realidade nunca conversada nos dias de hoje.

Se deseja conhecer quais são as boas obras agradáveis ao Senhor, simplesmente considere se são frutos da fé viva em Cristo ou resultado do seu próprio desejo? Sigamos os passos de Cristo e os ensinos de Jesus.


TEXTOS PARA MEDITAR

Mateus 5.14-16; Romanos 12.1-2; Efésios 2.8-10; Tiago 2.17-26.


PERGUNTAS PARA REFLETIR

- Como definiria boas obras?

- Qual é a relação entre as boas obras e a fé?

- Qual é a função das boas obras na vida cristã?


LIVROS PARA SEGUIR CRESCENDO NA GRAÇA

HORTON, Michael, Simplesmente Crente, Editora FIEL, SP

RYLE, J.C., Santidade, Editora Fiel, SP.

STOTT, John, Discipulo Radical, Editora Ultimato, SP.


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Crescendo na Graça - Justificação da fé


Ainda lembrou a primeira vez que converse com um amigo sobre a maravilhosa graça de Deus, como é expressada no artigo de fé de hoje. A resposta dele foi de total rejeição. Ele ficou chocado diante da ideia de ser feitos justos separados das boas obras. Eu não compreendi a reação. Tentei convencer o meu amigo, porém sem sucesso.

"Como um assassino ou ladrão pode ser perdoado somente por ter fé?" Esta foi a maior dificuldade. As pessoas são conseguem enxergar que a salvação é conseguida através do próprio mérito e boas obras. Eles conseguiram mostrar assim que são dignos de ser filhos de Deus. No entanto, eles ficam escandalizados diante do ensino do artigo de fé de hoje:

ARTIGO XI - DA JUSTIFICAÇÃO DO HOMEM
Somos julgados justos diante de Deus, somente pelo mérito de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo pela Fé, e não por nossos próprios méritos e obras. Portanto, é doutrina mui saudável e cheia de consolação que somos justificados somente pela Fé, como se expõe mais amplamente na Homilia da Justificação.

Um dos ensinos únicos da Santa Igreja de Cristo é o amor incondicional do Senhor, sendo demostrado pela graça de Deus. Esta doutrina é única a fé Cristã. Todas as religiões ensinam caminhos para alcançar a Deus, e a Bíblia nos ensina que Deus se fez homem, Jesus, para resgatar e salvar a humanidade. Isto foi feito quando ainda éramos pecadores e não merecíamos o amor de Deus. Ele nos resgatou, não porque fossemos melhores, nem perfeitos, nem pelos méritos e obras, somente pela graça de Deus.

Martino Lutero acredito que esta era a doutrina fundamental sobre a qual a Igreja estava fundamentada. Ele chegou a descobrir a importância do justo pela fé viverá, e fez da sua vida uma entrega para dar a conhecer esta doutrina fundamental da fé cristã. Lutero somente seguiu os ensinos do apóstolo Paulo quando escreveu que a justificação vem por meio da fé (Romanos 4.18-25), que não é outra coisa que a plena certeza da pessoa de Jesus. Ter fé é entregar-se inteiramente ao Senhor e dar a própria vida a Deus, como fez Abraão.

Jesus nos ensinou que não precisamos seguir certos rituais para alcançar a salvação. Jesus fez todo através da sua vida perfeita sem pecado e seu sacrifício expiatório pelos nossos pecados. Deus nos dá vida eterna por causa do Seu caráter. Deus derramou Sua graça desde o início. Ele criou o muno para que a humanidade pudesse desfrutar dele (Gênesis 1.26-28). Ele não destruiu o mundo depois do pecado de Adão e Eva, pelo contrário Deus fez uma promessa de salvação (Gênesis 3.15). Ele continua cuidando, inclusive antes de ter nascido, "Tu criaste o íntimo do meu ser e me teceste no ventre de minha mãe. Eu te louvo porque me fizeste de modo especial e admirável. Tuas obras são maravilhosas! Disso tenho plena certeza" (Salmos 139:13-14).

A graça sempre esteve presente nos atos de Deus pela humanidade. Esta é a razão de que diante da inabilidade do ser humano, Deus atua através do Seu Filho Unigênito. "Deus tornou pecado por nós aquele que não tinha pecado, para que nele nos tornássemos justiça de Deus" (2 Coríntios 5:21). Sem Cristo, somos prisioneiros do pecado e incapazes de sair da condição em que estamos, não tem nada que possamos fazer para escapar do pecado e da morte (Romanos 5.12). O profeta Isaias escreveu, "Somos como o impuro - todos nós! Todos os nossos atos de justiça são como trapo imundo. Murchamos como folhas, e como o vento as nossas iniqüidades nos levam para longe" (Isaías 64:6). Por esta razão, os méritos e boas obras não conseguem nos salvar, nem justificar, somente o mérito de Cristo nos salva e nos alcançamos os benefícios pela graça mediante a fé.

As pessoas continuam acreditando hoje, como no passado, que elas vão conseguir fazer mais cosias boas que mal-intencionadas. Eu espero que sim, realmente. Porém, ainda sendo assim, ainda sendo a melhor pessoa da humanidade, ainda assim Deus requer que sejamos perfeitos (Levíticos 19.2; Deuteronômio 27.26; Gálatas 3.10). Se alguém pudesse levar vidas perfeitas seguindo a lei de Deus, alcançaria a promessa da salvação. "Pois quem obedece a toda a Lei, mas tropeça em apenas um ponto, torna-se culpado de quebrá-la inteiramente" (Tiago 2:10; veja também Mateus 19.16-17; Lucas 10.25-28). Infelizmente, não é possível, porque somos pecadores por natureza (Salmo 51.5; Mateus 19.25-26). Somos inclusive incapazes de seguir nossos próprios padrões de conduta que esperamos outros seguir, como seremos capazes de obedecer perfeitamente a lei de Deus quando nossa natureza é pecar. "Se afirmarmos que estamos sem pecado, enganamo-nos a nós mesmos, e a verdade não está em nós" (1 João 1:8). Portanto, somos incapazes de ser julgados justos diante de Deus pelos nossos méritos e obras.

Deus não esqueceu o pecador, Ele deu a resposta que precisávamos diante da inabilidade do ser humano. Jesus tomou os pecados do mundo e derramou sua justiça para que Deus não veja mais o pecado que nos fez culpados de desobedecer aos mandamentos de Deus. O justiça e mérito de Deus nos foi atribuído para a nossa justiça. Temos sido resgatados da morte e do poder de Satanás sobre nossa vida. Somos feitos limpos, recebendo a plenitude da promessa recebida no Santo Batismo.

"Pois todos pecaram e estão destituídos da glória de Deus, sendo justificados gratuitamente por sua graça, por meio da redenção que há em Cristo Jesus" (Romanos 3:23-24).

Somente precisamos ter fé. Acreditar que Jesus é capaz de cumprir aquilo que prometeu fazer por ti e por mim. "a justiça de Deus pela fé em Jesus Cristo para todos e sobre todos os que crêem; porque não há diferença" (Romanos 3:22, veja também Gálatas 5.5). Se você acredita o que Jesus fez por ti, Jesus fará exatamente isso. Não existe anda que possa fazer para merecer, ou receber, a graça de Deus que nos justifica diante de Deus. "Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie" (Efésios 2.8-9). A própria fé é um presente de Deus através da obra do Espírito Santo. Nós não temos como criar fé ou nós dar fé. Jesus é "o autor e consumador da nossa fé" (Hebreus 12.2).

Ainda hoje, tem muitas pessoas que não aceitam este dom de Deus. Eles não chegam a compreender como pode ser que Deus perdoe pecadores. A dificuldade destas pessoas é que não percebem o simples fato de que elas também são pecadoras, ainda quando sejam boas pessoas aos olhos da sociedade. O pecado habita em nós, e nos controla. Pensei somente quantas vezes você espera coisas dos outros que você mesmo não faz pelos outros. Nem somos capazes de seguir nossos próprios padrões de conduta e valores morais. Outros rejeitam toda a ideia de que Deus se fez homem. Por outro lado, tem pessoas que não conseguem seguir Jesus por medo de perder amizades, ou amigos, ou popularidade. Também tem aqueles que os prazeres do mundo são agradáveis demais. Qualquer que seja a causa por rejeitar a Deus, o fato é que muitos rejeitam Deus. O paradoxo é que a humanidade busca uma nova vida e um novo começo, no entanto rejeitam Aquele que pode dar uma nova vida pela fé em Cristo.

Se você é uma pessoa que acreditar que, no último dia, todas as coisas boas que tem feito serão colocadas em contrapeso por todas as coisas erradas que tem feito. E será capaz de sair ileso de tal situação. Te convido a reconsiderar teus pensamentos. Você nunca será capaz de sair indene pelos próprios méritos e boas obras, como temos visto. Somente o mérito de Jesus te salva, justifica e resgata da situação em que você encontra. Unicamente precisa ter fé em Cristo. Se rejeita a verdade de Deus, está confessando que não tem fé, nem acredita naquilo que Ele diz que pode fazer e que tem feito por ti. Isto inclui perdão de pecados e liberdade do poder do pecado e da morte.

O alvo de Deus é declarar o pecado justo, transformando todas as pessoas em novas criaturas em Cristo, as quais, através do novo nascimento, servem e amam ao Senhor fazendo visível o Reino de Deus e Sua justiça num mundo onde ninguém é capaz de praticá-la por sua própria força e vontade. As pessoas justificadas pela fé, assim se convertem em verdadeiros agentes de transformação do Reino. Diante de tal maravilhosa graça, nossa única resposta é viver vidas agradecidas e glorificar a Deus cada dia. Seu amor é incrível, incondicional, e mostra o caráter bondoso e misericordioso de Deus, o Criador Todo-poderoso. Esse amor nos transforma para viver uma vida transformada pelo poder do Espírito Santo. Nada nos dá tanta consolação e paz, como a doutrina da justificação pela graça mediante a fé em Cristo. Temos o privilegio e acesso ao Pai, podemos nos aproximar a Deus prontamente.

Agora, podemos ir ao mundo a servir e amar ao Senhor, como cada domingo o ministro declara na frase de Comissão. E o povo responde com alegria, EM NOME DE CRISTO.


TEXTOS PARA MEDITAR

Ecclesiastes 7:20; Isaías 64.6; Romanos 3.20, 23; Romanos 5.8; Tito 3.4-7; João 3.16; Romanos 5.1-2.



PERGUNTAS PARA REFLETIR

- Como podemos ser julgados justos diante de Deus?

- Nossas obras podem nos ajudar a ser considerados justos?

- Porque as pessoas têm dificuldades de aceitar a justificação pela fé?



LIVROS PARA SEGUIR CRESCENDO NA GRAÇA

MCGRATH, Alastair, Lutero e a Teologia da Cruz, Editora Cultura Cristã, SP

PIPER, John, O Futura da Justificação, Editora Tempo da Colheita, RJ.

SHEED, R.P, Justificação, Editora Vida Nova, SP.

STOTT, John, A Cruz de Cristo, Editora Vida, SP.


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Crescendo na Graça - Livre Arbítrio



Hoje nos adentramos em um dos temas que tem causado uma quantidade inestimável de posts nas redes sociais, especialmente nos grupos de debate e teologia do Facebook. Não são poucos os textos, memes, artigos, livros e debates que têm sido escritos e criados para defender uma posição ou outra. Ao final, o ser humano tem livre arbítrio ou não?

A resposta se encontra no âmbito e compreensão do artigo de fé de hoje:

ARTIGO X - DO LIVRE ARBÍTRIO
A condição do Homem depois da queda de Adão é tal que ele não pode converter-se e preparar-se a si mesmo, por sua própria força natural e boa obras, para a fé e invocação a Deus. Portanto, não temos o poder de fazer boas obras agradáveis e aceitáveis a Deus, sem que a graça de Deus por Cristo nos preceda, para que tenhamos boa vontade, e coopere conosco enquanto temos essa boa vontade.

A questão de livre arbítrio traz controvérsia, porque alguns consideram que a negação do livre arbítrio significa que somos simplesmente fantoches nas mãos de Deus, enquanto o outro lado afirma que se temos livre arbítrio, então Deus não é realmente soberano. Isto tem causado dois posições enfrentadas, e uma conversa difícil de resolver quando cada parte tenta mostrar a certeza da sua posição em contra da outra.

O significado real deste artigo de fé se encontra com o desejo de responder à questão, O que uma pessoa pode contribuir para conseguir sua salvação? A resposta é simples, NADA. Isto será explicado ainda mais no próximo artigo de fé quando vejamos toda a questão da justificação pela fé. Aqueles que se oponham a posição dos Reformadores, acusaram de que eles estavam dizendo que o ser humano não tinha nenhum livre arbítrio. Isto não ajudou com o surgimento nas gerações posteriores de posições teológicas radicais que negavam qualquer livre arbítrio por parte do homem e adoptando certo nível de determinismo para defender a soberania de Deus, como se Deus precisará que nos ajudássemos a Ele defender e manter a fé na soberania de Deus. Deus é Deus, e Ele é o Deus Todo-poderoso, Criador do Céu e da Terra.

Este artigo de fé, claramente, é mais agostiniano que hiper-calvinista. Por isso, os reformadores e luteranos conseguem afirmar o mesmo, enquanto anglicanos e luteranos nem sempre afirmam a Confissão de Fé de Westminster.

Este artigo não nega o livre arbítrio e, ao mesmo tempo, nega a capacidade moral do ser humano de se converter e se preparar para chamar a Deus, ou ter a fé que leva a ser justificados diante de Deus. Isto é o que dizemos com claridade, ainda que muitos não querem ouvir. O ser humano é livre para fazer escolhas pessoais, contudo sua natureza está morta e corrompida pelo pecado, original e atual. Depois da queda, todos estamos mortos espiritualmente, ainda que nossa alma e corpo esteja vivo, nosso espírito está morto. Por esta razão, nossa alma poderá até procurar a Deus, porém a procura não será por amor ao Senhor, será uma busca de um Deus que dê aquilo desejado pela pessoa. Esse Deus será um deus feito a imagem e semelhança do homem ou da mulher que criou esse deus. Isto é idolatria, por isso ainda que a pessoa declare ter fé, não existe uma fé que busca o Deus vivo e verdadeiro, sem a ajuda do Espírito Santo que nos faça nascer de novo espiritualmente.

Evidentemente, existe muitos motivos pelos quais as pessoas são boas. A própria sociedade que vivemos nos ensinará comportamentos e padrões de conduta que determinará aquilo que é uma pessoa boa e uma pessoa malvada. Infelizmente, tais padrões diferem de cultura a cultura e de nação a nação. Por este motivo, muitas pessoas que mudam para outra cultura ou nação, acabam enfrentando choque cultural. Eles enfrentam uma nova situação onde padrões de conduta são diferente, e alguns dos valores positivos anteriores, talvez, nem sejam tais na nova cultura. Isto pode ser coisas tão simples como as brincadeiras. Uma brincadeira que é considerada engraçada em uma cultura, pode não ser apropriada em outra.

As pessoas são sim boas no seu contexto social e cultural, porém este artigo de fé está considerando a capacidade do homem de procurar a Deus pelas suas próprias forças e discernimento, de acordo a mente e desejo do Senhor. Aí é onde o homem não tem livre arbítrio. O ser humano somente será capaz de agradar a Deus, se o Espírito Santo planta fé no coração dele através da Sua obra e a pregação da Palavra de Deus. Isto significa que nos não conseguimos chegar a ser cristãos pelo próprio esforço. Depois da queda, a capacidade de escolher crer em Deus, foi destruída e, por esta razão, somos incapazes de acreditar no Senhor. Não há obras agradáveis a Deus separadas das boas nascidas do fruto de uma fé viva em Cristo. O Espírito Santo realiza tal maravilhosa obra através da Palavra e Sacramento (Santo Batismo e Santa Comunhão).

A noção de que uma pessoa pode escolher crer em Deus e fazer aquilo que Ele ordena na Sua santa lei porque o ser humano nasce bom, é rejeitada. Como temos visto ontem, esta posição foi rejeitada pela Santa Igreja Católica ao redor de 1,500 anos atrás. Se ontem comentava como esta ideia é presente, alguns comentários recebidos nas últimas horas, tem confirmado isto. Inclusive, persiste esta ideia entre muitos cristãos.

Eu não neguei que as pessoas possam fazer coisas que, superficialmente, pareçam agradáveis a Deus. O problema reside os motivos no coração do homem. As pessoas podem até cumprir alguns dos mandamentos da lei de Deus. Porém serão incapazes de cumprir plenamente e perfeitamente os mandamentos de Deus. No entanto, se vangloriaram de que têm cumprido alguns mandamentos de Deus e, rapidamente, apontaram seu dedo para aqueles que não tem feito. É verdade, a maioria pessoas nunca mataram ninguém, ou roubaram dinheiro diretamente dos outros. Porém será que não tem matado de pensamento e palavras, e têm roubado não dando o que era para ser pagou a receita federal ou um empregado, por exemplo.

As obras que agradam a Deus são aquelas que procedem da fé. Separados de Cristo, não há fé verdadeira, portanto Deus não se agrada das obras feitas pelo homem pelo seu próprio prazer, glória e honra.

O homem contemporâneo tem grande dificuldade de aceitar a ideia de que ele nunca será o suficiente bom para ir até Deus, sem a ajuda e a chamada de Deus pelo Espírito Santo. Isto é devido a várias questões, porém existe um ponto que sempre me chamou a atenção. Temos sido ensinando desde criança que o ser humano é o centro da criação, não Deus. Deus nos ensina que Ele é o Criador e Sustentador do Universo, somente Ele merece toda a honra, glória e louvor, agora e para sempre. A graça de Deus nos alcança em Cristo pelo Espírito Santo para que uma verdadeira transformação espiritual aconteça em todos nos.

Em Romanos 7, se nos apresenta uma situação bem conhecida pelo homem de hoje. Não são poucas vezes que acabamos fazendo aquilo que somos conscientes não é apropriado. Por outro lado, nem sempre fazemos aquilo que deveríamos fazer. O Livro de Oração Comum tem uma oração que expressa este paradoxo da seguinte forma,

"Deus todo-poderoso, nosso Pai celestial, confessamos, arrependidos, ter pecado contra Ti em pensamentos, palavras e obras, tanto no mal que fizemos como no bem que deixámos de fazer por negligência, fraqueza e intenção. Por amor de teu Filho, Jesus Cristo, que morreu por nós, perdoa-nos todo o passado e concede que Te sirvamos com vidas renovadas, para glória do teu Nome. Amém."

Este paradoxo é exatamente o fato de que o homem não é totalmente, nem plenamente, livre como ele tem feito acreditado ser. Existem escolhas que, ainda desejando fazer, não conseguir realizar, sem a obra do Espírito Santo, ainda quando é consciente de ser a decisão moral correta.

Estamos tão envolvidos em satisfazer os próprios desejos da carne, que nem percebemos o estado espiritual em que nos encontramos. Isto não deveria nos surpreender quando percebemos o nível de divorcio, gravidez de jovens não casadas, ou os casos de acidentes de trânsito por causa de um motorista bêbado. Estes são só três casos de muitas outras situações que nos reparamos diariamente. Culturalmente, encontramos frases como "tirar vantagem", "para o inglês ver" e "jeitinho brasileiro" que nos lembra a aceitação de padrões inapropriados, porém aceitos quando a pessoa se beneficia em contra dos outros. Por outro lado, reclamamos quando tal nos afeita de forma negativa.

O artigo de fé de hoje nós ensina uma grande lição, ainda quando nem sempre nos agrada ouvir certas verdades que nos ajudaram a ser a pessoa a qual Deus nos criou a ser em Cristo. Sejamos agradecidos pela graça e misericórdia de Deus conosco, e estejamos sempre prontos para louvar e dar ação de graças a Deus que nos chamou e fez possível ser parte da Santa Igreja de Cristo pela obra do Espírito Santo.


TEXTOS PARA MEDITAR

João 6.44; Romanos 7; Romanos 8.8; 1 Coríntios 2.14; Efésios 4.17-32.



PERGUNTAS PARA REFLETIR

- O que é livre arbítrio?

- Em qual sentido podemos afirmar que temos livre arbítrio?

- Qual é o objetivo do artigo de fé de hoje?



LIVROS PARA SEGUIR CRESCENDO NA GRAÇA

AGOSTINHO, Livre Arbítrio, Paula Editora, SP.

LUTERO, Martin, Nascido Escravo, Editora Fiel, SP.

SPROUL, R.C, Nós Temos Livre Arbítrio?, Voltemos ao Evangelho.


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Crescendo na Graça - Pecado Original



Os cristãos sempre ensinamos que o evangelho é as boas novas de Cristo, porém nem todos compartilhariam tal ideia, devido a que as boas novas têm um lado não tão amável, de fato a realidade do pecado é terrível. Isto causa estupor para aqueles que não compreendem, nem conseguem aceitar toda a ideia do pecado original. A maioria das pessoas têm na mente que as crianças são inocentes, e boas, não tem nada de ruim nelas. Porém, todo o conceito de pecado original vai encontrar o pensamento popular que prevalece na sociedade de hoje. "Como pode ser que uma criança recém-nascida seja já pecadora?", diz o mundo diante de tal afirmação.

O ensino bíblico do pecado original é inegável, porém existe uma dificuldade em aceitar que tal seja o caso. Possivelmente, seja a mesma reação que muitos pacientes de doença terminal tem quando ouve a notícia. Será que realmente somos pecadores?

O artigo de fé de hoje nós ensina sobre esta doutrina, ainda que impopular, não deixa de ser parte essencial do estado do ser humano depois da queda. Ainda quando seja difícil ouvir, não por isso devemos de deixar de anunciar e ensinar ao respeito do pecado original.

ARTIGO IX - DO PECADO ORIGINAL
O Pecado Original não consiste na imitação de Adão (como em vão propagam os pelagianos); é, porém, a falta e corrupção da Natureza de todo homem, gerado naturalmente da semente de Adão; pelas quais o homem dista muitíssimo da retidão original e é de sua própria natureza inclinada ao mal, de sorte que a carne sempre cobiça contra o Espírito; e, por isso, toda a pessoa que nasce neste mundo merece a ira e a condenação de Deus. E esta contaminação da natureza ainda permanece também nos regenerados, pela qual o apetite carnal, chamado em grego phronâma sarkos (que uns interpretam sabedoria e outros, sensualidade, outros, afeição, e outros, desejo carnal), não é sujeito à Lei de Deus. E apesar de que não há condenação para os que creem e são batizados, contudo o Apóstolo confessa que a concupiscência e luxúria têm de si mesmas a natureza do pecado.

A doutrina cristã sobre o pecado original é que, depois da queda de Adão, todos os homens nascem pecadores; em outras palavras, com a natureza pecadora. Isto significa que temos sido contaminados pelo pecado de tal modo que ele tem tomado controle do nosso corpo. Isto não é tão diferente de uma pessoa viciada em drogas ou um alcoólatra. O vicio tem tomado conta das suas vidas até tal ponto que a pessoa acaba mudando.

Diante de tal mensagem, existe pessoas que reagem se opondo a tal ideia. Isto não é novo. No século IV-V, Pelagius foi um monge de Bretanha, atual Reino Unido, que ensinou a possibilidade do homem de escolher o bem e o mal, porque a natureza do homem era boa. A posição ensinada por Pelagius foi condenada pela Igreja de Cristo, nunca sendo aceita por nenhuma igreja cristã. Infelizmente, esta ideia não é diferente da que muitas pessoas têm hoje. A ideia de que o homem consegue resistir o pecado e viver sem pecado, levanta diversos problemas a ser considerados.

Primeiro, se o homem não comete pecado, podendo escolher ser bons o tempo todo, então não precisa de salvação. A morte de Cristo não faria sentido, porque Ele entregou sua vida para nos resgatar do pecado e da morte (resultado do próprio pecado). O homem poderia entrar no Céu pelo seu próprio mérito e esforço, possivelmente não esteja muito longe das ideias que muitas pessoas possuem, "Eu sou bom e, portanto, vou ao Céu". Deus nos ensina de forma diferente, "Quem poderá dizer: Purifiquei o meu coração, limpo estou de meu pecado?" (Provérbios 20:9).

Segundo, a realidade diária mostra o fato de que o homem, ainda quando tenta ser bom, acaba cometendo pecado em alguma área. É verdade que as pessoas não usam o termo pecado, porém usam erros, equivocações ou culpas. O termo "pecado" resulta muito forte, como se fosse somente usada para pessoas que são ruins demais, sem opção de redenção. Na verdade, paradoxalmente, todos nos cumprimos essa definição aos olhos de Deus. "Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus..." (Romanos 3:23). Se todos tem pecado, é impossível para o homem vencer o pecado.

Terceiro, se negamos a condição em que o homem está, será difícil tomar as medidas para curar aquilo que tem tomado controle da nossa vida. Uma das maiores dificuldades de um alcoólatra e um viciado é perceber e, depois, reconhecer que precisa de ajuda se deseja sair da condição que se encontra. Somente então poderá tomar os passos para vencer sua dependência. Cristo venceu o poder do pecado sobre o ser humano, e Ele é a resposta as consequências do pecado original sobre o ser humano. Ainda quando temos sido regenerados, ainda existe tal tentação e contaminação. O artigo de fé define tal estado, usando o termo grego phronâma sarkos (que uns interpretam sabedoria e outros, sensualidade, outros, afeição, e outros, desejo carnal). Este é o desejo que tenta controlar e dirigir as paixões do homem para seguir seu próprio caminho, em vez de seguir o caminho do Senhor.

Se deseja compreender o poder do pecado original sobre sua vida, somente precisa pensar quantas vezes você se prometeu que nunca mais iria fazer isto ou aquilo para, logo depois, se surpreender fazendo de novo. Ou quem não fez já uma promessa de final de ano para, logo depois, não seguir a mesma. Isto acaba sendo uma brincadeira, porque assim é mais fácil que aceitar a realidade de que não conseguimos vencer o pecado.

Outra situação curiosa é que os padrões de conduta colocados para os outros, não são seguidos por nós mesmos. Esperamos que os outros façam aquilo que nos não estamos dispostos a viver. Se não nos conseguimos seguir nossos próprios padrões de conduta, será que conseguimos seguir aqueles colocados por outras pessoas? E pelo Deus Santo e Perfeito?

Temos caído dos padrões morais e de conduta, não somente de Deus, porém os nossos próprios também. A lei de Deus nos condena, porque não seguimos ela. Também, nós mesmos nos condenamos pelos próprios padrões que colocamos a outros, porém falhamos em seguir. Todo isso serve como uma clara sinal da condição humana. Nossa natureza tem sido influenciada de forma profunda pelo pecado de Adão, e nascemos com uma condição impossível de resolver, a natureza do homem está corrupta pelo pecado de Adão e pelo próprio pecado.

Nos rejeitamos tal declaração. Alguma coisa em não se resiste a aceitar tal proposta, como estando certa. Alguma coisa deve estar errada, no entanto os defeitos dos outros nos lembram dos próprios defeitos. De fato, percebi já faz tempo que aqueles defeitos dos outros que mais me incomodam, são os mesmos próprios defeitos. Jesus diz certa vez, "Por que reparas tu o cisco no olho de teu irmão, mas não percebes a viga que está no teu próprio olho?" (Mateus 7.3). Depois de 2,000 anos, ainda resulta relevante estas palavras.

Não adianta correr longe de Deus, porque não poderemos escapar da própria condição. O homem chega a ofender a Deus, e negar sua existência, para justificar seu próprio pecado e iniquidade. Pensando que isto resolverá sua condição. O fato de que todos façam uma coisa, não faz que a mesma seja correta, ou boa. Pelo contrário, muitas vezes, as pessoas seguem a corrente das pessoas, ainda sendo consciente de que aquilo está errado de um jeito ou outro.

A condição de pecado do ser humano nos aponta a necessidade de encontrar uma cura. A cura se encontra na Cruz e Ressurreição de Cristo. O Salvador que precisa o homem, é também o Senhor que nos ensina como viver vidas satisfatórias e transformadas pelo poder do Espírito Santo.

Nesta Quaresma, e qualquer outro momento do ano, seja um tempo para considerar em que área da nossa vida temos deixado o desejo pelo pecado controlar nossa vida e quais atitudes e comportamentos devem mudar para agradar ao Senhor. Isto nos ajudará a perceber nossa incapacidade de viver uma vida em plenitude e felicidade sem a presença de Deus e a obra do Espírito Santo. Todos nos precisamos do nosso Salvador, Jesus Cristo. Somente Ele nos reconcilia com o Pai e nos faz uma nova criação pelo Espírito Santo. Sejamos agradecidos a Deus pelo perdão e a nova vida que nos tem dado em Cristo.


TEXTOS PARA MEDITAR

Gênesis 3.1-19; Proverbios 3.5-6; Mateus 7.3; Romanos 3.9-23; 1 Coríntios 15.21-22.



PERGUNTAS PARA REFLETIR

- O que é o pecado original?

- Porque os ensinos de Pelagius são equivocados?

- Qual é a nossa condição humana?



LIVROS PARA SEGUIR CRESCENDO NA GRAÇA

BRIDGES, Jerry, Pecados Intocáveis, Editora Vida Nova, SP.

SHEDD, Russell, Pecados e pecadinhos, Shedd Publicações, SP.

SHERLOCK, Charles, A doutrina da Humanidade, Editora Mundo Cristão, SP.


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Crescendo na Graça - As Doutrinas Essenciais




Se houvesse um dos artigos de fé que resume toda a fé Cristã, sem dúvida alguma seria o artigo de fé de hoje. A importância é tal que ficou sem palavras diante do grande desconhecimento que existe entre os cristãos sobre esta questão. As doutrinas essenciais da fé Cristã são confundidas com outras doutrinas fundamentais, porém se faz necessário esclarecer para trazer luz onde tem prevalecido tanta escuridão. Por isso, os 39 Artigos da Religião declaram e afirmam as doutrinas essenciais dos Credos Gerais da Santa Igreja de Cristo, proclamando assim a catolicidade da fé Cristã.

ARTIGO VIII - DOS TRÊS CREDOS
Os três credos a saber: os Credos Niceno, Atanásio e o que normalmente se chama Credo dos Apóstolos, devem ser inteiramente recebidos e cridos; porque se podem provar com autoridades inegáveis das Sagradas Escrituras.

Os 39 Artigos da Religião têm sido dividido em três partes: as doutrinas católicas, as doutrinas protestantes reformadas e as doutrinas estritamente anglicanas. Com o Artigo VIII, finaliza a seção das doutrinas católicas, no sentido das doutrinas próprias da fé Cristã que todo cristão deve crer e receber para ser um verdadeiro discípulo de Cristo. O fato do último artigo desta seção dedicada aquelas doutrinas universais estejam dedicadas aos Credos Gerais, mostra a maestria do Arcebispo Cranmer, porque é nos Credos que encontramos o sumário da fé Cristã.

Durante a Reforma Protestante, as igrejas aceitaram estes credos, e fizeram questão de afirmar os mesmos nas suas confissões de fé e artigos da religião. Os Reformadores se entendiam sendo os verdadeiros Católicos e continuadores da fé Cristã, em oposição a Igreja de Roma que tinha se desviado e afastado da verdadeira fé. Ainda quando a Igreja de Roma e as Igrejas protestantes afirmavam os mesmos credos, existia divergências fundamentais na compreensão dos próprios Credos Gerais.

Seja como foi, o simples fato é que não existe como ser cristão sem crer e receber os mesmos. Nos últimos tempos, temos visto diferente modelos para que uma pessoa pudesse fazer uma confissão publica da sua fé, porém não existe nenhuma profissão melhor que pronunciar publicamente em voz alta os Credos, compreendendo o significado dos mesmos.

Infelizmente, o espaço deste texto não permite esclarecer os ensinos e doutrinas essências dos Credos, como o autor gostaria, no entanto poderá encontrar livros e referência que ajudaram ao leitor a conhecer melhor estes Credos e os ensinos dos mesmos. Não deixe passar a oportunidade para conhecer melhor a fé Cristã, como tem sido expressada desde os primeiros séculos da Igreja de Cristo

O CREDO DOS APÓSTOLOS

Existe uma lenda de que o Credo dos Apóstolos teria sido escrito na noite de Pentecostes. Na verdade, não há nenhuma razão para acreditar tal coisa. É verdade que, nos primeiros séculos, surgem sumários de fé que dariam origem com o tempo ao que hoje conhecemos como o Credo dos Apóstolos. Na forma atual, aparece nos escritos de Priminus, fundador de um mosteiro no século 8. Este Credo ganhou muita popularidade durante o reinado do imperador Carlos Magno. Possivelmente, foi uma versão abreviada do Credo Romano, contudo não existe certeza disso.

O Credo dos Apóstolos é mais usado no Culto Cristão das Igrejas de Ocidente. No Livro de Oração Comum (LOC), se usa no Batismo e na Oração Matutina e Vespertina, com a exceção dos treze dias do ano que se usa o Credo de Atanásio.

O Credos dos Apóstolos pode ser dividido em três partes, e doze doutrinas essências. Por motivos de espaço, estarei somente apresentando as três seções principais deste Credo:

Criação - Creio em Deus, Pai Todo Poderoso, criador dos céus e da terra

Esta seção declara com plena confiança que Deus nos fez e fez todas a Criação. Ele nos deu o corpo e alma, olhos e todos os membros do corpo, como também a capacidade pensar, os sentidos e a razão, e continua cuidado de nós. Todo o que temos, Ele é quem tem dado; e não faz que nada nos falte do que realmente precisamos. Ele nos defende de todo perigo e nos guarda e protege de toda maldade. Todo isto Deus faz por causa de ser o Pai do Céu, por causa da sua misericórdia e bondade divina, sem que existe nenhum mérito ou bondade da nossa parte. Por esta razão, é nossa alegria e dever dar graças e louvar ao Senhor, servindo e obedecendo a Palavra de Deus.

Redenção - E em Jesus Cristo, seu único Filho, nosso Senhor, o qual foi concebido por obra do Espírito Santo. Nasceu da virgem Maria, padeceu sob o poder de Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado; desceu ao Hades; ressuscitou ao terceiro dia; subiu ao céu, e está sentado à mão direita de Deus Pai Todo Poderoso, donde há de vir para julgar os vivos e os mortos.

Na segunda seção, se declara que as verdades relacionadas ao nosso Senhor, Jesus Cristo. Ele é nosso Salvador, porque nos tem redimido quando estávamos perdidos e condenados. Temos sido comprados e Ele venceu o pecado e a morte, sendo assim não somos mais prisioneiros do pecado, nem a morte, tampouco a maldade tem poder sobre nós. Isto foi possível pelo precioso sangue de Cristo. O Cordeiro de Deus, inocente e santo, que sofreu e morreu, para que pudéssemos ser de Deus e viver no Seu Reino para servir e amar a Senhor. Esperamos ansiosos sua vinda, depois da Sua ressurreição e ascensão para viver e reinar para toda a eternidade com o nosso Senhor, Jesus Cristo.

Santificação - Creio no Espírito Santo; na santa igreja católica; na comunhão dos santos; na remissão dos pecados; na ressurreição do corpo; e na vida eterna. Amém.

A última seção nos ensina que não podemos crer em Jesus Cristo, somente através da a própria razão ou força. Não temos como ir até o Senhor, somente pelo Espírito Santo nos chamando pelo evangelho de Cristo, iluminando com Seu amor, e santificando e mantendo na verdadeira fé. Do contrário, estamos sem opções. A obra do Espírito Santo passa desapercebida, porque dá a sensação de que somos nós quando, na verdade, Ele nos chama, nos reúne, ilumina e santifica toda a Igreja Militante, permitindo que sejamos capazes de manter a única verdadeira fé ainda enfrentamos adversidade e grandes dificuldades. Em esta igreja cristã, diariamente nos perdoa de todos nossos pecados. No último dia, o Espírito Santo ressuscitará todos os corpos mortais e, aos cristãos, será dado a vida eterna.

Esta é a nossa fé. Nisto eu creio.

O CREDO NICENO

Recebe o nome de Credo Niceno, porque se pensou por muito tempo que foi neste Concílio Geral de Nicéa (325 d.C.) que o Credo tinha sido escrito para responder a controvérsia Ariana. O texto aprovado no Concílio de Nicéa somente é semelhante, porém esquece parte importante, como o artigo sobre o Espírito Santo. Possivelmente, o texto atual do Credo seria composto durante o Concílio de Constantinopla (381 d.C.). Com certeza, lemos no Concílio de Éfeso (431 d.C.) que nenhuma mudança devia ser feita no Credo Niceno. O Concílio de Calcedônia (451 d.C.) seria o primeiro em mencionar o Credo de Nicéa com total claridade. Na forma atual, aparece ter sido usado por Cirilo em Jerusalém e, também, é mencionado por Epifânio de Salames ao redor do 373 d.C..

O Credo afirma a unidade de Deus, enfatiza que Cristo é o unigênito do Pai antes de todo os tempos, e declara que Cristo é da mesma essência (homoousios) como o Pai. Tendo uma pequena menção sobre o Espírito Santo.

No LOC, o Credo Niceno é usado na ordem para a Ceia do Senhor, também chamada Santa Comunhão, também nas ordenações de diácono, presbítero e bispo.

O CREDO DE ATANÁSIO

Este Credo também é conhecido como Quicunque Vult. Ele recebe o nome do famoso bispo de Alexandria, Atanásio (296-373), que defendeu a fé Cristã do Arianismo. Não há evidencia alguma que Atanásio escrevesse o Credo e, a partir da obra de G. J. Voss, no século 17, tem sido aceito que a evidência aponta em contra da sua autoridade. A primeira evidencia do Credo aparece em um sermão de Caeserius de Arles, sendo semelhante a um manuscrito de Vicente de Lerins. Isto indicaria que o Credo pudesse ter sido escrito no sul da França.

O Credo de Atanásio contém uma declaração detalhada e clara da Trindade. Também, afirma a plena Divindade e Humanidade de Cristo, Sua morte pelos pecados, ressurreição, ascensão, segunda vinda e juízo final.

Este Credo era usado como um cântico ou hino durante a liturgia primitiva. No LOC, o Credo de Atanásio é usado em 13 ocasiões designadas durante o ano.


Os três credos afirmam de forma clara e concisa a fé em Cristo, ensinando quem Jesus é, e a centralidade do evangelho. Os Credos são a forma mais concisa e clara que existe para ensinas as doutrinas essências afirmadas e cridas pelas Igreja de Cristo através dos séculos.



TEXTOS PARA MEDITAR

Deuteronômio 6.4; Atos 8.37; Romanos 1.3-4; 1 Coríntios 15.3-4, Filipenses 2.6-11; 1 Coríntios 8.6; Mateus 28.19.



PERGUNTAS PARA REFLETIR

- Qual é a importância de conhecer os Credos?

- Quais ensinos aprendemos no Credo dos Apóstolos?

- Porque devem ser usado os Credos no culto cristão?



LIVROS PARA SEGUIR CRESCENDO NA GRAÇA

BORTOLINI, José, Raízes Bíblicas Do Creio Niceno Constantinopolitano, Editora Paulinas, SP.

FERREIRA, Franklin, O Credo dos Apóstolos, Editora Fiel, SP.

MCGRATH, Alaster, Creio, Editora Vida Nova, SP.



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Crescendo na Graça - Antigo Testamento



Através do tempo, temos visto maior interesse no Antigo Testamento, enquanto em outras ocasiões existiu um estudo menor. Os Reformadores Ingleses, especialmente Cranmer, tinha uma grande preocupação para que o povo de Deus pudesse conhecer toda a Palavra de Deus. Ele se preocupou para que a Bíblia estivesse presente na nação inglesa.

Existe a tentação de ignorar o Antigo Testamento, como irrelevante na vida da Igreja. Inclusive, temos visto uma negação de todo o Antigo Testamento por posições teológicas diversas, como a Teologia da Nova Aliança. Por outro lado, encontramos aqueles que tem abraçado de uma forma ou outras práticas judaizantes, colocando uma ênfase desnecessário no Antigo Testamento. Diante destas duas posições, o artigo de fé apresenta uma posição centrada e atual:

ARTIGO VII - DO ANTIGO TESTAMENTO
O Antigo Testamento não é contrário ao Novo; porquanto em ambos, tanto no Antigo como no Novo, se oferece a vida eterna ao gênero humano, por Cristo, que é o único Mediador entre Deus e o homem, sendo Ele mesmo Deus e Homem. Portanto, não devem ser ouvidos os que pretendem que os antigos Pais só esperaram promessas transitórias.
Ainda que a Lei de Deus, dada por meio de Moisés, no que respeita a Cerimônia e Ritos, não obrigue os cristãos, nem devam ser recebidos necessariamente os seus preceitos civis em nenhuma comunidade; todavia, não há cristão algum que esteja isento da obediência aos Mandamentos que se chamam Morais.

O Artigo de hoje começa afirmando a unidade do Antigo e Velho Testamento. Não existe contradição entre eles, neles se apresenta toda a história redentora da humanidade e todo o conselho de Deus para o homem. A igreja do Novo Testamento fazia uso constante no Antigo Testamento, como as Escrituras Sagradas.

O próprio Jesus fez usou extensivo do Antigo Testamento, como a verdadeira e inspirada Palavra de Deus. Ele diz, "A Escritura não pode ser anulada" (João 10.35). Ele se refere a Escritura como "mandamentos de Deus" (Mateus 15.3) e como a "Palavra de Deus" (Marcos 7.13). Ele também indicou que era indestrutível, "Antes e que o céu e a terra passem, e modo nenhum passará uma só letra ou um só traço da lei, até que tudo se cumpra" (Mateus 5.18). Jesus se referia constantemente ao Testamento quando ensinava aos seus discípulos ou respondiam aos argumentos apresentados diante dele (Veja Mateus 22.31; Mateus 21.16, cf Salmo 8.2; Mateus 12.3).

Além disso, o Antigo Testamento nos ensina respeito a vinda do nosso Senhor, Jesus Cristo, o Salvador e Mediador da humanidade. O Antigo Testamento ensina sobre Jesus e o evangelho de várias formas:

  1. PROFECIAS - Sem nenhuma dúvida, este é o ponto que maior atenção tem recebido entre os cristãos e apologética contemporânea. Jesus cumpriu as profecias sobre a vinda do Messias, como lemos no Novo Testamento. P.e., a profecia do nascimento virginal (Isaías 7.14) é vista em Mateus 1.18-25, também Lucas 1.26-35.

  1. IMAGENS - Deus revela diversos reflexos de Cristo no Antigo Testamento. Ao contrario das profecias, estas imagens não são revelações diretas sobre um aspecto da vida e ministério de Jesus, como o nascimento de Cristo, porém revelam um aspecto do plano de Deus para o Senhor. Muitas destas representações do Antigo Testamento são afirmadas no Novo Testamento, ainda que nem todas. Uma palavra de advertência se faz necessária, temos que ser cuidadosos quando consideramos uma imagem a qual não tem claro apoio no Novo Testamento. Um exemplo, Abraão foi testado com o sacrifício de Isaac (Gênesis 22) é uma imagem de Deus sacrificando o Seu Filho, Jesus.

  1. VERDADES ETERNAS - Existem passagens que não apontam diretamente a Jesus, em vez disso esclarecem a natureza central do evangelho e nossa necessidade da provisão de Deus através de Jesus. Nos mostra a condição desesperadora da humanidade, estando desamparados diante do pecado. Em outras ocasiões, será um vislumbre da santidade, pureza, graça, amor e amabilidade de Deus. Também, nos mostra a perfeita comunhão e relação entre Deus e seu povo. Todo isto nos ajuda a compreender e viver o evangelho de Jesus. P.e., a lei nos mostra nossa inabilidade de seguir os padrões perfeitos de Deus (Romanos 3.20).

  1. HISTÓRIA REDENTORA - A Bíblia é uma história, não qualquer uma, mas a história redentora da humanidade da criação a eternidade. Deus prometeu a Adão e Eva que alguém veria (O Messias, Jesus) que esmagaria a Satanás. A maioria do Antigo Testamento nos mostra esta narrativa e nos mostra o cumprimento no nascimento em Belém, a cruz do Calvário, e a tomba vazia no jardim. P.e., o estabelecimento do Reino de Israel aponta a vinda do Rei Jesus que vai reinar entre todas as nações.


A leitura regular e meditação do Antigo Testamento nos ajudará a compreender toda a história redentora de Deus para a humanidade, e crescer no conhecimento de Deus e na graça do nosso Senhor, Jesus Cristo.

Um ponto final temos que considerar pela sua importância. Será que a lei de Deus continua vigente nos dias de hoje?

No livro de Hebreus, se houvesse qualquer dúvida, como Cristo cumpriu a lei cerimonial do Antigo Testamento. Portanto, as práticas e costumes do povo de Israel respeito as cerimônias e ritos da lei de Deus, não são prescritas, nem obrigatórias, para a Santa Igreja de Cristo. A diferença do Antigo Testamento, onde Deus ensinou cada detalhe do culto agradável ao Senhor, o Novo Testamento ensina os princípios e orientações a partir do qual a Igreja organiza ao culto ao Senhor, sendo que tais não devem ser contrarias aos claros ensinos das Escrituras, nem devem ser obrigatórios como sendo necessárias a salvação qualquer coisa que não possa ser provada pela própria Bíblia.

Ainda que existem correntes e escolas teológicas que defendem a aplicação plena e completa dos preceitos civis da lei de Deus nas nações, não existe suficiente base bíblica para isso, nem apoio para defender e aceitar que todos e cada um dos princípios civis da lei de Deus deva ser aplicada a todas as nações e todos os contextos. Os princípios civis foram dados claramente para Israel e, ainda que, os governantes atuais decidam seguir seus ensinos dos dias de hoje, muitas dos aspectos seriam inconcebíveis nos dias de hoje. Se faz necessário um importante esclarecimento neste ponto, Israel não considerava a separação da lei de Deus em três aspectos, como foi elaborado na teologia cristã. Isto nos pode ajudar a compreender porque os preceitos civis da lei de Deus não deve ser recebida necessariamente nas nações. Uma vez dito isto, é recomendável compreender que os preceitos morais dos mandamentos de Deus vão ter uma influência nas nações que são discipuladas com os ensinos de Cristo, portanto se espera uma mudança nas leis e regulamentos, seguindo os ensinos e mandamentos de Jesus. A Santa Igreja de Cristo não deve fazer politica partidista neste sentido, porém deve ser uma voz profética diante da injustiça, iniquidade e opressão, sem esquecer do mandato apostólico do Senhor de discipular as nações através da pregação do evangelho e a instruição da Palavra de Deus.

O artigo de fé finaliza lembrando a necessidade de obedecer aos Mandamentos da lei de Deus, considerados como morais. A razão principal se encontra no fato de que cada mandamento é confirmado e afirmado no Novo Testamento, como sendo prescritivo para todos os cristãos, manifestando a catolicidade da ética moral dos Mandamentos da Lei de Deus, ainda nos dias de hoje. Eles continuam sendo o tutor que ensina ao homem a incapacidade de agradar a Deus e a necessidade que a humanidade tem de um Salvador que resgate eles do pecado e da morte para a vida eterna e a liberdade em Cristo.


TEXTOS PARA MEDITAR

Mateus 5.17-37; Atos 7:1-53; Romanos 9-11; Gálatas 3.15-25; Hebreus 11.



PERGUNTAS PARA REFLETIR

- Porque devemos ler e meditar regularmente no Antigo Testamento?

- O que o Antigos Testamento nos ensina sobre Jesus?

- Porque não estamos isentos dos preceitos morais da lei de Deus?



LIVROS PARA SEGUIR CRESCENDO NA GRAÇA

COPE, Landa, Modelo Social do Antigo Testamento, Editora JCUM Brasil, SP.

DILLAR, Raymund, Introdução Ao Antigo Testamento, Editora Vida Nova, SP.

GOLDSWORTHY, Graeme, Trilogia, Editora Fiel, SP.


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