O Papa e o Pastor Presbiteriano




Uma reflexão sobre a unidade cristã a partir de um tema polêmico na igreja protestante do século 21.


Agradeço a todos pelas suas opiniões sobre a notícia do pastor presbiteriano que tem sido nomeado pelo Papa como o novo Editor do jornal do Vaticano, tanto as opiniões públicas como as privadas feitas no Messenger.

(NOTA - Esta notícia foi publicado no meu perfil onde perguntei as opiniões sobre esta notícia)

Pessoalmente, não tenho uma idéia formada sobre este passo dado pelo Papa Francisco. Um fato é inegável, estamos diante de um fato inédito, possivelmente um ponto histórico sem precedentes. As opiniões expressadas, a favor e em contra, mostram muitos dos meus próprios pensamentos.

Referente a unidade com a Igreja de Roma, simplesmente é impossível neste momento. As diferenças teológicas e bíblicas, sem mencionar as diferenças litúrgicas e pastorais, são de tal magnitude que tal unidade é uma utopia neste instante. Porém, podemos estar agradecidos a Deus que temos trocado o barulho das armas e a perseguição, em nome de Cristo, pelas orações e o diálogo.

Sei que muitos tem medo da unidade da igreja cristã. Alguns inclusive consideram toda a idéia da unidade, como uma das sinais da besta. Porém o fato é que a Igreja de Cristo está ferida, machucada e maltratada. Temos enfraquecido a missão de Deus e feito um desfavor ao testemunho cristão.

Os cristãos protestantes devemos considerar o que nos separa e até que ponto tais diferenças são razões para permanecer separados uns dos outros. E, me perguntou, se estamos diante de um novo acordar do movimento a favor da unidade cristã? O último levou o surgimento de várias igrejas unidas. Minha própria denominação foi fruto da união de duas igrejas na Inglaterra, a Igreja Livre da Inglaterra e a Igreja Episcopal Reformada da Grã Bretanha, que se uniram em 1927. Minha própria jurisdição local (Igreja Anglicana Reformada do Brasil) tomou o passo corajoso de deixar de ser independente para ser Igreja Livre da Inglaterra a partir de 2014, perdendo o que muitos consideravam inadmissible ser independentes, como se isto fosse uma das marcas da igreja.

Existe uma história ampla nos últimos 100 anos de igrejas que superaram as diferenças e se uniram em favor do evangelho de Cristo. Se deseja conhecer um pouco mais sobre esta história, desconhecida por muitos, poderá descobrir mais nesta página, ainda que está longe de refletir todas as igrejas que tem se unido nos últimos 100 anos:

https://en.wikipedia.org/wiki/United_and_uniting_churches

Talvez, ajude a que muitas das igrejas independentes reconsiderem sua própria Independência, e descubram que a Igreja de Cristo foi chamada a ser interdependente uns dos outros e dependente de Cristo, como Cabeça da Sua Igreja, visível e invisível. Ao mesmo tempo, ser interdependente, não significa rejeitar o principio de autonomia da congregação local, mas não confundamos a autonomia com o individualismo e o corporativismo local.

Deus nos ajudei a descobrir a unidade no essencial e fundamental, a diversidade, nas questões secundarias e não-essenciais, e, em todo tempo e lugar, a caridade, respeito e amor uns pelos outros.

ADDENDUM: Depois de ter visto as primeiras reações a este texto, talvez seja necessário escrever um Addendum para afirmar que o artigo não trata da unidade dos protestantes com os católicos romanos, já que o autor não considera esta possibilidade como possível em hipóteses alguma neste momento. O artigo levanta a questão, porque os protestantes brasileiros temos tanta dificuldade em buscar a unidade visível entre nos e temos tanta facilidade para nos dividir regularmente. Tendo presente as palavras do próprio Jesus Cristo no evangelho de João 17, e observando que a Igreja do NT tinha uma unidade visível inerente a sua própria existência.

NOTA - A foto deste artigo é o logo da Igreja Protestante da Holanda uma das últimas igrejas unida da Europa onde se uniram várias igrejas reformadas com a igreja luterana nesse país.


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