Houston temos um problema

No filme Apolo 13, o ator Tom Hanks, depois de uma explosão na nave espacial, diz “Houston temos um problema.” Esta frase tem sido popularizada para falar de forma calma quando enfrentamos um possível desastre de grandes proporções antes de perceber a dimensão do mesmo.


A realização de que temos um problema, e este é muito sério. É fundamental para a vida de um discípulo de Cristo. Portanto, é importante que compreendamos a dimensão do problema e, também, é claro, qual é o problema.

A resposta é simples, porém nem sempre aceita com facilidade. Temos um problema com Deus. Nós não estamos em uma relação com Deus que seja aceitável por Ele. Você talvez se pergunte, o que isto significa?

Deus criou a humanidade para ter uma relação pessoal e intima com os homens e as mulheres. Este era o desejo de Deus. Tal relação se apresenta em muitos livros com a palavra Pacto ou Aliança. Deus desejava compartilhar uma relação única com os seres humanos. Por este motivo, lemos que fomos criados à imagem e semelhança dEle.

Adão e Eva são o exemplo dessa relação íntima na Criação. Eles tinham uma relação plena com Deus. Eles possuíam um conhecimento verdadeiro, santidade e justiça. Eles moravam na perfeita e maravilhosa Criação de Deus. A própria criação mostrava o desejo de Deus para abençoar a humanidade. Ele criou, e criou todas as coisas boas.

Criou Deus o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou… E Deus viu tudo o que havia feito, e tudo havia ficado muito bom. Passaram-se a tarde e a ma­nhã; esse foi o sexto dia” (Gênesis 1.27, 31).

Assim, cheguei a esta conclusão: Deus fez os homens justos, mas eles foram em busca de muitas intrigas." (Eclesiastes 7.29)

Essas intrigas foi o que acabou causando o fim do relacionamento entre Deus e os homens. Eles acabaram seguindo seus próprios conselhos, em vez de seguir os conselhos de Deus. Infelizmente, tais ações de rebeldia contra Deus tiveram consequências até os dias de hoje. O pior de tudo é que Adão e Eva passaram de ter uma relação intima e pessoal com Deus a esconder-se dEle.

Imagine por um instante a vergonha que sentiram ao perceber que aquilo que tinham até aquele instante, a prefeita comunhão com Deus, tinha sido pedido. A consciência de culpa terrível levou a se afastar de Deus. Nem sei as vezes que tenho visto essa mesma reação em pessoas que começaram o caminho, porém acabaram se afastando da sua presença, e seguindo outras estradas.

Ouvindo o homem e sua mulher os passos do Senhor Deus, que andava pelo jardim quando soprava a brisa do dia, esconderam-se da presença do Senhor Deus entre as árvores do jardim” (Gênesis 3.8).

Os homens até os dias de hoje se escondem de Deus. Envergonhados. Alguns desejam provar que são suficientemente bons para ganhar o reconhecimento de Deus, sem perceber que não é impossível ganhar o amor de Deus. Como tampouco é possível ganhar o amor de um verdadeiro pai. Os pais amam pelo fato de que os seus filhos, ainda quando fazem arte ou os entristeçam com suas decisões. Igual as crianças, diante dos pais, tentamos justificar as ações incorretas, e os desejos ímpios, como se os mesmos pudessem nos justificar diante do Pai.

Este não é o caminho do discípulo. Nós reconhecemos que a relação com o Pai está com sérios problemas por causa da desobediência e pecado de Adão e Eva. Porém, não somente pelo pecado deles, também pelos nossos próprios pecados.

Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porquanto todos pecaram” (Romanos 5.12).

Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus” (Romanos 3.23).

A tragédia foi que Adão e Eva nunca perceberam a extensão do seu ato até que foi tarde demais. Ainda que deveriam ter sido conscientes do custo que ia ser desobedecer a Deus. O pecado de Adão trouxe a morte para a humanidade, assim a natureza do homem foi de tal modo danificada pelo pecado que os teólogos falam de uma natureza pecaminosa. em outras palavras, a identidade da natureza humana está identificada pela morte e o pecado que habita nos corações dos homens.

A questão surge para muitas pessoas que desejam começar o caminho, por que o pecado é um problema tão grave assim? Sobretudo, se todos somos pecadores?

A resposta é óbvia, ainda que geralmente não percebida por muitos. Deus é Deus maravilhoso, bondoso e santo, impossível de compreender além da Sua revelação. O Salmista diz, “Adorai ao Senhor na beleza da santidade; tremei diante dele toda a terra…” (Salmos 96:9). As palavras do salmista nos permite afirmar que Deus é Santo, e ao aproximar-nos ao Senhor para adorar-lo, nos reparamos com Sua santidade. Porém, o pecado nos aparta dEle. De fato, pecado nos tem corrompido de tal modo que tem mudado nossa própria natureza. Por isso, nos encontramos com um muro insuperável entre Deus e nós. O pecado impede o acesso ao Deus Santo e Justo.

O profeta Isaías expressa tal tragédia quando escreve estas palavras, “…as vossas iniqüidades fazem separação entre vós e o vosso Deus; e os vossos pecados encobrem o seu rosto de vós, para que não vos ouça” (Isaías 59:2).

Enquanto que o apóstolo João expressa a mesma verdade nestes termos, “E esta é a mensagem que dele ouvimos, e vos anunciamos: que Deus é luz, e não há nele trevas nenhumas” (1 João 1:5).

Um verdadeiro discípulo descobre que o caminho começa com uma triste realização: estamos separados do nosso Criador, e sem conhecer como chegar até Ele. Assim, descobrimos que o caminho diante de nós não é qualquer caminho. Este Caminho é diferente de qualquer outro. Temos certeza onde começa e onde nos vai levar, porém não conhecemos cada passo a ser dado. E, ao mesmo tempo, requer a coragem de um guerreiro e a espiritualidade de um monge. Talvez, assim, descobrimos o verdadeiro valor de ser um discípulo de Jesus.

O primeiro passo é mudar nossa mente. O que quero dizer por isso? Leiamos as palavras das Escrituras, “Confia, de todo o teu coração, em Jeová, E não te estribes no teu próprio entendimento. Reconhece-o em todos os teus caminhos, E ele endireitará as tuas veredas” (Provérbios 3:5,6).

Se confiamos no Senhor, imediatamente evitaremos as próprias ações que nós desejamos. O comportamento maldoso que, às vezes, tomamos para justificar nosso estilo de vida longe de Deus.

Entenebrecidos no entendimento, separados da vida de Deus pela ignorância que há neles, pela dureza do seu coração…” (Efésios 4.18).

A vós também, que noutro tempo éreis estranhos, e inimigos no entendimento pelas vossas obras más, agora contudo vos reconciliou…” (Colossenses 1:21).

Em tal condição, nem preciso explicar a distância que nos levava a buscar aquilo que nos dava prazer temporal. A sociedade do século 21 nos ensina a viver pelos prazeres que nos vão dar a felicidade e a plenitude daquilo que desejamos. O homem busca os bens materiais e o prazer para se definir como pessoa diante dos outros. O individualismo nos coloca todos como concorrentes, e não companheiros nesta jornada. Esta vazio causa uma busca por comunidade, enquanto somos incapazes de criar laços fraternais autênticos com outras pessoas, além daqueles que nos dão respostas aos anseios pessoais, ou, talvez, seria melhor dizer individualistas.

Se refletimos observamos que nossa própria relação com Deus não difere da relação que temos com os outros. Esta é a razão de que o Senhor deseja que nossa relação mude com Ele. Se mudamos nossa compreensão da realidade em que nos encontramos, seremos capazes de mudar as próprias relações que temos com os outros.

A Igreja surge nesta realidade como a nova comunidade, a sociedade que reflete a cidade de Deus na Terra. Um reflexo daquilo que Deus está pronto a recriar, o novo Céu e a nova Terra, o Éden perdido feito novo e, talvez, inclusive mais esplendoroso que o anterior.

Porém, na situação atual, somos incapazes de conhecer Deus e viver o estilo e vida a qual somos chamados (Salmos 14.1-3, Isaías 64.6, Romanos 7.18).

A jornada começa… tome um momento e se aproxime ao Senhor com humildade e coração quebrantado. Você está entrando no Trono da Graça para ter uma audiência com o Criador todo-poderoso.



SÉRIE: Lições do Guerreiro Sereno



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