O Sacerdócio Universal dos Crentes



"Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz; vós, sim, que, antes, não éreis povo, mas, agora, sois povo de Deus, que não tínheis misericórdia, mas, agora, alcançaste misericórdia" (I Pedro 2.9-10).

Pregar o sacerdócio universal dos crentes foi um dos pilares fundamentais resgatado e defendidos pelos reformadores do século XVI, a fim de contrapor o clericalismo desenvolvido na Idade Média, de que apenas o povo teria acesso a Deus através do sacerdote. Isto nos ensinam, que todos crentes tem livre acesso a Deus, através do sumo sacerdote Jesus Cristo. Nos mostra o grande privilégio que temos todos os crentes como filhos de Deus: cada cristão é um sacerdote; cada cristão tem livre e direto acesso ao Trono da Graça, tendo como único mediador o Senhor Jesus Cristo.

O QUE SIGNIFICA?

Somos sacerdotes de nós mesmos, no sentido de podermos prestar culto diretamente a Deus, através de Jesus Cristo, sem intermediário algum. É o que o apóstolo diz em 1Pedro 2:4,5: "Chegando-vos para ele, a pedra que vive, rejeitada, sim, pelos homens, mas para com Deus eleita e preciosa, também vós mesmos, como pedras que vivem, sois edificados casa espiritual para serdes sacerdócio santo, a fim de oferecerdes sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por intermédio de Jesus Cristo." Os sacrifícios eram prestados pelos sacerdotes e eram materiais; precisavam ser agradáveis a Deus para que fosse aceito por Ele; o mediador era o próprio animal sacrificado que figurava o Messias. Hoje o culto é espiritual, mas precisa ser agradável a Deus e é realizado pela mediação do Cordeiro de Deus, Jesus Cristo. Quando cultuamos a Deus através de Jesus Cristo, exercemos o sacerdócio que nos foi delegado.

O segundo aspecto do sacerdócio do crente está no sentido da intermediação entre pessoas e Deus. Não como era a função do sacerdote de Israel, que recebia do povo o animal a ser sacrificado e o apresentava a Deus, como um mediador aparentemente direto, mas em uma intermediação indireta, como veículos de uma mensagem que leva ao perfeito e único Mediador, Jesus Cristo. Observe-se as palavras do apóstolo em 1 Pedro 2:9: "Vós, porém, sois nação eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz."

Terceiro, todos os cristãos são “leigos”, palavra que vem do termo grego laós, “o povo de Deus”. Infelizmente, a palavra "leigos" tem tomado outro significado popular entre nos o qual significa aquele que tem pouco conhecimento sobre uma questão. Alguns cristãos são especificamente chamados, treinados e comissionados para o ministério especial de pregação da Palavra e ministração dos sacramentos. Os leigos, no sentido daqueles que não são “ministros da Palavra e Sacramento”, também têm importantes esferas de atuação à luz do Novo Testamento. Os líderes da Igreja devem falar sobre o ministério do povo de Deus, bem como instruir e incentivar os crentes a desempenharem seu ministério, como sacerdotes.

Uma vez dito isto, este princípio jamais deve ser entendido de maneira individualista, como acontece hoje. A ênfase dos reformadores está unido inseparavelmente a Igreja de Cristo e Sua vida em comum. Somos sacerdotes uns dos outros, devendo orar, interceder e ministrar uns aos outros. À luz do Novo Testamento, cada cristão deve exercer a função de poimene, que em grego quer dizer “cuidador”, “ajudador”, “pastor”, “discipulador”, entendendo seu papel e responsabilidade de discipular/cuidar de alguém. Ou seja, todo cristão é um ministro (diákonos) de Deus, chamado para servir ao outro em amor, porque se somos discípulos de Cristo estamos chamados a fazer discípulos e cuidar daqueles que Deus nos tem permitido cuidar e discipular dentro da Igreja.

O crente faz parte do povo de Deus e exerce um sacerdócio real com a finalidade de proclamar, pregar, anunciar, as virtudes do nosso Salvador, Jesus Cristo. Ou seja, exercemos um sacerdócio mediador no sentido de veicularmos a mensagem que pode levar o homem a Cristo que, por sua vez, é o único que pode levar o homem a Deus.

Uma igreja que caminha baseada nestes princípios será uma igreja saudável, abrangendo a maioria das pessoas que se aproximam a igreja cristã. Cada cristão precisa assumir sua responsabilidade, sair da sua zona de conforto, olhar menos para si mesmo e servir de suporte para aqueles que precisam de socorro, ajuda e esperança.

Seremos uma igreja mais forte se todos exercermos o sacerdócio universal, independentemente de títulos. A igreja não é feita de cargos ou posições, mas de vidas que precisam ser amadas. Uma das maiores belezas da igreja de Cristo é que, quando um está fraco, pode contar com quem está mais forte. E assim vamos nos nutrindo, crescendo e caminhado juntos.

Estes, e somente estes, são os aspectos do nosso sacerdócio como crentes em Jesus Cristo.

Deus seja glorificado e louvado através das nossas vidas.



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Que tem de maravilhosa a graça?

graça de deus

Tenho quase certeza de que Maravilhosa Graça seja um dos hinos cristãos mais conhecidos por toda a humanidade, talvez simplesmente pelo fato de que aparece em muitos filmes ou pela história incrível de graça e transformação atrás desse hino. 


Uns anos atrás, tivemos um filme com esse título onde encontrávamos a incrível luta de William Wilberforce para dar um ponto final da escravidão e o negócio ao redor dela.

A maioria das pessoas que eu conheço seria capaz de cantar o hino somente ao ouvir as primeiras notas do hino. Sem falar como as palavras deste hino nos emocionam aliem do que possamos explicar com palavras. Sentimos o coração espremido por uma sensação profunda de estar cantando sobre uma coisa que nos chamamos maravilhosa. Contudo, nem sempre temos certeza o que significa essa palavra que usamos tantas vezes, “graça.” Neste artigo estaremos vendo o que tem de maravilhosa a graça de Deus. Meu desejo é que ajudei a compreender e ser transformados pelo amor do eterno Criador por você e por mim.

ESTOU FALANDO SÉRIO, O QUE É A GRAÇA?


Esta foi a pergunta que recebi de um amigo. Eu não acreditava o que estava ouvindo, como podia ser que ele não tivesse uma ideia clara do que era a graça? Uma vez percebi que era uma pergunta sincera, respondi que a graça era “o favor imerecido que Deus concede ao homem.” Contudo percebi que aquela resposta não acabava de explicar suficientemente o que era a maravilhosa graça.

Em outra ocasião, um irmão da igreja se aproximou depois de um culto dominical, “bispo, poderia me explicar mais sobre aquilo que você falou sobre graça e misericórdia?” Durante meu sermão, mostrei a diferença entre misericórdia e graça. Usei aquela definição que diz “a misericórdia é Deus não nos castigando como merecem os nossos pecados e a graça é Deus nos abençoando apesar de não merecermos. Misericórdia é a libertação do julgamento, enquanto graça é estender bondade aos indignos.” (Não sei quem é o autor desta definição, nem lembro em que momento aprendi a mesma, contudo sempre achei oportuna).

A simples verdade é que definir “graça” não é tão fácil, como pode parecer em um primeiro instante. O motivo é que esta palavra é usada de formas diferentes no Novo Testamento. Evidentemente, o significado amplo dela fala da generosidade de Deus nos dá parte da Sua abundância. Em outras palavras, graça é qualquer coisa que Deus nos dá livremente e brota da Sua bondade. Este é o motivo pelo qual falamos da “graça comum,” que alcança a todas as pessoas; por exemplo, a chuva, o sol, a tecnologia, os avanços na medicina, entre outros. Todos são dons maravilhoso de Deus que Ele entrega tanto aos cristãos como aqueles que não são.

Também, falamos dos “médios de graça.” Quais são esses médios de graças? Em um sentido amplo, são as coisas que os cristãos fazem ou vivem, como povo de Deus, através da obra do Espírito Santo. Deus usa estas coisas para levar adiante o propósito perfeito na Igreja de Cristo. Isto se refere tanto a leitura e estudo das Escrituras, a oração, os cultos, a comunhão, e outras atividades que envolve o povo de Deus. A graça de Deus chega ao povo de Deus através deles. Por outro lado, em um sentido mais estrito, se refere aos sacramentos: o Santo Batismo e a Santa Ceia do Senhor. Ambos são sinais e médios de graça.

Muitos cristãos pensam sobre a salvação quando ouvem falar da graça. Isto é devido a verdade eterna de que somos salvos pela graça mediante a fé em Cristo. Lembramos-nos de que a salvação é única, porque somente é possível em Cristo e Sua morte na Cruz por todos nós. Evidentemente, falamos da graça aqui, se referindo especialmente ao povo da Cruz, a Igreja de Cristo. Neste sentido, a graça de Deus para o Seu povo não se resume somente a salvação, também a fé, dons espirituais e a continua graça para edificação e crescimento espiritual. Todos estes são dons de Deus e, portanto, são parte da graça dEle para nós. Nós recebemos devido ao sacrifício de Cristo por nos.

Brennan Manning escreveu, “O pecador salvo está prostrado em adoração, perdido em assombro e louvor. Ele sabe que o arrependimento não é o que fazemos para obter o perdão; é o que fazemos porque fomos perdoados. Ele serve como expressão de gratidão em vez de esforço para obtenção do perdão. Portanto, a sequência: perdão primeiro e arrependimento depois (e não arrependimento primeiro, perdão depois) é crucial para a compreensão do evangelho da Graça.

São Agostinho escreveu também sobre a graça, “A graça de Deus não encontra homens aptos para a salvação, mas torna-os aptos a recebê-la.

Martinho Lutero diz, “Os salvos são escolhidos não por seus próprios méritos, mas pela graça do Mediador.

Todas estas citações nos ajudam a compreender a generosidade gratuita que temos recebido de Deus. A graça não pode ser comprada, nem adquirida, nem recebida como prêmio. A graça é de graça. Deus nos apresenta como um presente único. Você não pode fazer nada, somente agradecer pela graça que não é merecida e se nos dá como presente eterno.

Se a graça fosse somente um presente gratuito que Deus não dá, já seria suficientemente maravilhoso. Contudo a graça é muito mais que isso, a graça é graça porque recebemos o contrário que merecemos. Nós merecemos ser condenados e rejeitados por Deus por causa das muitas transgressões e pecados, contudo o Senhor decide nos dar aquilo que não merecemos, sua bondade abundante. Deus entregou Seu filho para que nos pudéssemos receber aquilo que nunca conseguiríamos alcançar, que não éramos dignos de receber, e aquilo que nem buscávamos: a graça e o amor de Deus.

DEUS SEMPRE TE AMOU. ACREDITE!


Se você toma um momento para considerar em que momento você recebeu a graça de Deus, talvez considere o momento em que confessaste a Cristo como Senhor e confessaste os teus pecados a Deus. Outros podem pensar no momento em que começaram ver e perceber a bondade de Deus. Possivelmente, tem aqueles que pensem no instante que decidiram ser cristãos, ou a primeira vez que ouviram falar sobe Jesus.

A Bíblia nos ensina que a graça de Deus nas nossas vidas começou muito antes do que imaginamos, “Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nas regiões celestiais em Cristo. Porque Deus nos escolheu nele antes da criação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis em sua presença. Em amor nos predestinou para sermos adotados como filhos, por meio de Jesus Cristo, conforme o bom propósito da sua vontade, para o louvor da sua gloriosa graça, a qual nos deu gratuitamente no Amado” (Efésios 1:3-6).

A graça de Deus já estava presente antes da criação do mundo. Se isto não é graça, não sei o que é.

ELE TE CONHECE, E TE CONHECIA


Não são poucas as pessoas que acreditam esta ideia, “primeiro vou mudar para depois entregar minha vida a Deus.” Porém, está ideia é completamente a oposta do que nos ensina as Escrituras Sagradas. Primeiros temos um encontro com Deus para depois ser transformados pela sua graça.

Deus te conhecia melhor que você mesmo quando Ele te chamou para ser parte da Igreja de Cristo. A graça invadiu sua vida quando você ainda nem tinha percebido dela. Somos escolhidos antes de ter nascido e chamados a sermos santos e irrepreensíveis na sua presença. Isso não é de nos mesmos, é o Espírito Santo que dá o fruto em nós.

O apóstolo Paulo escreveu esta verdade da seguinte forma, “Vocês estavam mortos em suas transgressões e pecados, nos quais costumavam viver, quando seguiam a presente ordem deste mundo e o príncipe do poder do ar, o espírito que agora está atuando nos que vivem na desobediência. Anteriormente, todos nós também vivíamos entre eles, satisfazendo as vontades da nossa carne, seguindo os seus desejos e pensamentos. Como os outros, éramos por natureza merecedores da ira. Todavia, Deus, que é rico em misericórdia, pelo grande amor com que nos amou, deu-nos vida com Cristo quando ainda estávamos mortos em transgressões - pela graça vocês são salvos. Deus nos ressuscitou com Cristo e com ele nos fez assentar nas regiões celestiais em Cristo Jesus, para mostrar, nas eras que hão de vir, a incomparável riqueza de sua graça, demonstrada em sua bondade para conosco em Cristo Jesus” (Efésios 2:1-7)

Este texto bíblico nos ensina a grande verdade de que quando a graça nos alcançou, estávamos “mortos em nossas transgressões e pecados, nos quais costumavam viver…” Éramos filhos da ira, como toda a humanidade. Talvez, esta não seja uma mensagem que queiramos ouvir, contudo é o que as Escrituras nos apresenta. A realidade é que antes da graça invadir nossa vida, não existia nada pelo qual viver espiritualmente. Estamos em um estado de morte espiritual e sem desejo algum de buscar a Deus. Isto mudou quando o Espírito Santo tocou sua vida e te fez vivo em Cristo, e respondeu a esta maravilhosa graça. Desde o inicio até o fim, em cada instante e momento, sua vida cristã e sua existência é uma obra da Sua graça.

PARA QUEM É ESSA GRAÇA?


Uma das tentações que devemos evitar como cristãos, é pensar que a graça de Deus nos salva, contudo depois é conosco. Em outras palavras, começamos a vida pela graça, mas logo é santidade, obediência e boas obras. Temos que nos esforçar a fazer todas as coisas que Deus ordena para agradar a Deus e ter comunhão com o Pai. Exatamente esta ideia é o que leva a muitos cristãos a cair na desilusão, o fracasso e desesperação. Eles percebem que não conseguem viver o estilo de vida de Jesus e os mandamentos da Lei de Deus. Tentam, tentam, e tentam, contudo acabam sempre errando. O problema é que se esqueceram do simples fato de que graça é sempre o fundamento das nossas vidas, e quando escrevi sempre, me refiro a sempre mesmo.

O apostolo Paulo escreveu ao bispo Tito, “Porque a graça de Deus se manifestou salvadora a todos os homens. Ela nos ensina a renunciar à impiedade e às paixões mundanas e a viver de maneira sensata, justa e piedosa nesta era presente, enquanto aguardamos a bendita esperança: a gloriosa manifestação de nosso grande Deus e Salvador, Jesus Cristo. Ele se entregou por nós a fim de nos remir de toda a maldade e purificar para si mesmo um povo particularmente seu, dedicado à prática de boas obras” (Tito 2:11-14).

As palavras de Paulo são para todos os cristãos, não somente para Tito. Tampouco se referem ao tempo antes de ser cristãos. A graça “se manifestou salvadora para todos os homens,” assim nos resgatou da morte e nos deu uma vida nova. Contudo não somente fui para a salvação, ela continua obrando nas nossas vidas, nos fazendo santos, e nos permitindo esperar o retorno de Cristo, sendo dedicados a prática de boas obras. A graça de Deus é 24/7 por 365 dias ao ano. O cristão precisa da graça de Deus, como precisamos de ar para respirar. Em todo momento e em todas circunstancias, precisamos da graça e do amor de Deus.

SEMPRE PRECISAMOS DE MAIS GRAÇA


Em outras palavras, quando precisamos mais graça? Talvez, alguns pensem quando pecamos, ou quando nos afastamos de Deus, ou quando temos dúvidas, contudo o cristão sempre precisa mais graça. Permita que coloque de outra forma. A bondade gratuita de Deus nos chega até nos desde antes da fundação do mundo, nos leva da morte em pecado a vida em Cristo, e continua a obra de perfeição e santidade na sua vida e na minha. Há também um aspecto a ser considerado, a graça de Deus está aí quando nos precisamos para nos ajudar a enfrentar os desafios e as lutas que estaremos enfrentando no dia a dia.

Em tempo de necessidade, Deus está pronto para nos auxiliar e nos ajudar a vencer as batalhas que enfrentamos. Qualquer que seja nossa situação ou lugar de necessidade, Deus nos não abandona. Ele está conosco.

…pois não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas, mas sim alguém que, como nós, passou por todo tipo de tentação, porém, sem pecado. Assim, aproximemo-nos do trono da graça com toda a confiança, a fim de recebermos misericórdia e encontrarmos graça que nos ajude no momento da necessidade” (Hebreus 4:15-16).

O trono da graça está sempre a nossa disposição quando precisamos nos aproximar para pedir auxilio e ajuda no momento da necessidade. A graça de Deus nunca termina, nem acaba, para o Seu povo escolhido desde a fundação da terra.

FALA SÉRIO, NÃO DÁ PARA SER DE GRAÇA


Escrevi que a graça significa a bondade de Deus dada totalmente livre. Da mesma forma, é recebida livremente. E, inclusive, falamos que a graça de Deus é totalmente de graça. É verdade, contudo não é toda a história. Por quê? Porque a graça teve um preço muito alto. De fato, fui o maior preço nunca pago para que a graça nos fosse dada sem custo algum.

Paulo escreveu, “pois todos pecaram e estão destituídos da glória de Deus, sendo justificados gratuitamente por sua graça, por meio da redenção que há em Cristo Jesus. Deus o ofereceu como sacrifício para propiciação mediante a fé, pelo seu sangue, demonstrando a sua justiça. Em sua tolerância, havia deixado impunes os pecados anteriormente cometidos; mas, no presente, demonstrou a sua justiça, a fim de ser justo e justificador daquele que tem fé em Jesus” (Romanos 3:23-26).

O preço que fui pago não fui outro que a morte do próprio Filho de Deus. O amor do Pai Eterno se fez visível quando Ele enviou Seu Filho a ser o perfeito sacrifício pelos pecados do mundo e nos resgatar da morte. Jesus que existia eternamente na glória em perfeita comunhão na Divindade com o Pai e o Espírito Santo, deixou todo isso para trás para vir a terra e viver entre nós. Ele se encarnou e nasceu da virgem Maria, e se fez homem. Tomou para ele toda a fragilidade e limitações da humanidade. Enfrentando no momento certo uma morte brutal na Cruz, como era comum para os piores criminosos da época. Seu sangue inocente fui derramada, como um perfeito sacrifício, e seu corpo foi quebrado, como o cordeiro puro e santo. Este foi o preço pago para que nos pudéssemos ser salvos da morte espiritual presente e da condenação eterna depois. A graça, assim, nos alcançou e chegou até nos, nos dando uma vida nova e nos transformando para sempre.

A GRAÇA CONTINUA


Inclusive quando pensamos em presentes, temos a ideia de que existe uma parte a qual nos temos que fazer para receber tal presente. Por exemplo, temos que aceitar e receber o presente, precisamos tirar o papel e abrir o presente. Em certa maneira, se pode dizer que precisamos fazer um pequeno esforço que nem consideramos pela alegria de receber um presente e o desejo de saber que existe atrás do pacote. Ao mesmo tempo, temos a sensação de que o presente nos pertence. A graça de Deus é realmente um presente, contudo recebemos e forma diferente. Confio em Cristo. Pelo ato da fé, recebeu a graça para a salvação. A fé é também um dom de Deus. É através da fé que continuou recebendo a graça de Deus.

Em João 1:16, lemos “Todos recebemos da sua plenitude, graça sobre graça.” Recebido Cristo, recebemos “graça sobre graça.” Eu recebo Cristo pela fé, sendo a fé dom de Deus.

Jesus diz, “Eu sou o pão da vida. Aquele que vem a mim nunca terá fome; aquele que crê em mim nunca terá sede… todo aquele que come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele… permaneçam em mim, e eu permanecerei em vocês. Nenhum ramo pode dar fruto por si mesmo se não permanecer na videira. Vocês também não podem dar fruto se não permanecerem em mim” (João 6:35; João 6:56; João 15:4)

Acreditar e receber vida abundante estão juntos, como permanecemos em Cristo. Por isso, se vivemos vidas ativamente confiantes em Cristo, estou conectado e fonte da graça infinita, Jesus Cristo. A graça nos alcança da plenitude do Seu ser. Ele é o pão da vida que nunca falha a nos satisfazer, e Ele é a videira que prove aos ramos uma fonte infinita de vida, fortaleça e vitalidade espiritual, através do sacramento da Santa Ceia do Senhor e uma vida de plena e autêntica comunhão com o Pai pelo Filho através do Espírito Santo.

Assim como somos salvos pela graça pela fé, assim continuamos recebendo a graça que nos sustenta e santifica pela fé. Somos alimentados espiritualmente na Santa Comunhão. O pão e o vinho são a sangue e o corpo de Cristo que tomamos pela fé.

Cremos e confessamos que nosso Salvador Jesus Cristo ordenou e instituiu o sacramento da santa ceia, a fim de alimentar e sustentar aqueles que Ele já fez nascer de novo e incorporou à sua família, que é a sua igreja” (ARTIGO 35 - A SANTA CEIA, a Confissão Belga)

A Ceia do Senhor não só é um sinal do mútuo amor que deve haver entre os cristãos, mas é também um sacramento da nossa redenção pela morte de Cristo; de modo que, para os que devida e dignamente e com fé a recebem, o pão que partimos é uma participação do Corpo de Cristo; e igualmente o cálice de bênção é uma participação do sangue de Cristo... O Corpo de Cristo dá-se, toma-se, e come-se na Ceia do Senhor, de um modo unicamente celestial e espiritual. E o meio pela qual o Corpo de Cristo se recebe e se come na Ceia, é a fé” (Artigo 35 - Da Ceia do Senhor, Os 39 Artigos da Religião).

A graça final que recebeu não está separada de Deus, é Deus. O próprio Deus em Cristo Jesus é a graça definitiva para ti e para mim.

Graça sobre graça” (João 1:16) nos alcança em Cristo, porque nos é dado Cristo através do evangelho e, deste modo, estamos eternamente unidos em Cristo e a sua abundante graça. Em Cristo, somos novas criaturas e temos sido recebidos na eterna aliança a qual renovamos cada vez que celebramos a Santa Ceia do Senhor, o perpétuo memorial do Seu Corpo e Seu sangue. Dependemos, confiamos e nos apoiamos em Jesus, recebendo assim constantemente a graça de Deus.

PARA FINALIZAR


Jerry Bridges escreveu um excelente livro, “A Disciplina da Graça,” onde podemos ler uma das porções mais linda sobre a graça de Deus: “seus piores dias nunca serão tão ruins a ponto de você estar além do alcance da graça de Deus. E seus melhores dias nunca serão tão bons a ponto de você estar além da necessidade da graça de Deus.”

Qualquer que seja o seu dia, lembrasse sempre da graça de Deus. E que a graça do nosso Senhor, Jesus Cristo, esteja contigo (1 Tessalonicenses 5:28).


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O evangélico e o álcool


Consumir álcool, para os crentes brasileiros, é mesmo como um tabu, e até aqueles que são membros de denominações ou grupos cristãos mais liberais em relação ao assunto têm certa preocupação em serem vistos com o copo na mão.

Você, leitor cristão, imagine-se na seguinte situação: depois de uma abençoada reunião de oração e estudo da Palavra de Deus, é hora daquela gostosa comunhão regada a comes e bebes. Ato contínuo, o dono da casa abre uma garrafa de vinho e oferece a bebida aos presentes. Se você acha que se sentiria constrangido e inseguro entre aceitar e ser criticado pelos outros ou recusar e perceber, meio sem graça, que todos provaram da bebida, saiba que não está sozinho. A maioria dos evangélicos já passou por situação semelhante, se não na casa de irmãos na fé, no ambiente de trabalho ou no lazer com amigos. Consumir álcool, para os crentes brasileiros, é mesmo como um tabu, e até aqueles que são membros de denominações ou grupos cristãos mais liberais em relação ao assunto têm certa preocupação em serem vistos com o copo na mão.

O que a maioria dos evangélicos brasileiros desconhece é que esta visão estigmatizada acerca do álcool é coisa muito recente na história da Igreja. Ao longo de quase 2 mil anos de cristandade, prevaleceu a noção de que a bebida, em si, é neutra, uma dádiva do Senhor que traz alegria – sendo o seu consumo excessivo, ou embriaguez, esta sim, pecaminosa. De fato, muitos crentes se escandalizariam ao descobrir que, na galeria dos heróis da fé protestante, homens e mulheres de Deus consumiam bebida alcoólica, e ficariam surpresos por saber que certos segmentos da Igreja, em nome do abstencionismo, alteraram até mesmo um dos ritos mais importantes, ao lado do batismo: a celebração da eucaristia. O detalhe é que o vinho é mencionado reiteradamente nas Escrituras, tanto no sentido literal como por expressão poética. E o produto da uva era parte fundamental da cultura, da religiosidade e da economia do povo hebreu, desde sua origem.

Em relação ao álcool, os cristãos se dividem basicamente em três correntes: os abstêmios, que optam por beber eventualmente, mas não combatem quem pensa diferente; os temperantes – ou moderacionistas, que assumem beber em determinadas circunstâncias e com moderação –; e os proibicionistas, que advogam a condenação total ao ato de beber álcool. Por aí, já se tem uma noção do tamanho do problema. Com ascendência religiosa ligada ao arminianismo das tradições batistas do sul dos Estados Unidos e ao pentecostalismo clássico, o movimento evangélico brasileiro tende historicamente à rejeição total ao álcool, posição que, no entanto, tem tantas motivações culturais quanto espirituais. E a prática evangelística dominante no país, muito pautada na oposição ao catolicismo, faz com que a maioria dos evangélicos brasileiros se surpreenda ao descobrir diferenças culturais marcantes entre eles e os cristãos de outros povos, em especial os europeus. De fato, na Europa, até mesmo os pentecostais não costumam ter qualquer pudor diante de um canecão de vinho ou de uma reluzente tulipa de cerveja.

“Depois de ter vivido em diversos países, tenho percebido que a questão da bebida está mesmo muito ligada à cultura dos missionários que chegaram a cada região”, confirma o bispo Josep Rossello Ferrer, moderador da Igreja Anglicana Reformada no Brasil. No Velho Mundo, os cristãos veem o ato de beber com maior normalidade que os americanos, por exemplo – por isso, muitas práticas na Igreja brasileira de hoje são frutos de ideias religiosas oriundas dos Estados Unidos, o que explica porque as denominações surgidas do esforço missionário americano do século 19 (batistas e presbiterianos, por exemplo), guardem em sua memória a visão abstencionista.

Líder de uma comunidade anglicana em Pindamonhangaba (SP), Ferrer, que é espanhol, observa que sua organização religiosa não tem uma posição oficial sobre o assunto. “Entendemos que a decisão de beber ou não é uma questão de liberdade cristã. Alguns irmãos podem usar álcool sem nenhum problema de consciência, enquanto outros entendem que isso seria pecado”. Por isso, o bispo faz questão de não tratar o assunto como dogma. “Não se pode afirmar que a Bíblia condena a bebida. Encontramos nas Escrituras avisos claros contra o estado de embriaguez, que leva à perda do controle dos sentidos, mas não vemos nenhuma restrição ao consumo moderado.”

Leia todo o artigo aqui.

Autor: Danilo Fernandes
Publicado: Cristianismo Hoje

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Porque Jesus veio?


Já passamos do meridiano de 2012, e faltam 5 meses para o Natal chegar. Contudo, o que celebramos no Natal se faz presente hoje. Celebramos o Natal a cada ano, mas poucos se perguntam porque celebramos o nascimento de Jesus.

Nos últimos anos, tenho visto como muitas palavras tem mudado de significado, e como, as vezes, falamos de “amor” quando queremos falar de “sexo.” As palavras mudam através dos anos, mas ainda hoje existe uma palavra que permanece inamovível, “graça.” Por este motivo, Jesus veio 2,000 anos atrás. Por esse motivo, cada ano trocamos presentes, como um memorial de que o maior presente nos foi dado de graça.

Nós como cristão de tradição reformada reconhecemos que tudo é um presente de Deus. A vida, a família, a salvação e até mesmo cada novo dia. Por este motivo, desejamos seguir vivendo esta vida de graça a cada instante. Sabemos que nossa salvação depende inteiramente em Cristo: Sua vida, Seu ministério, Sua morte e Sua ressurreição. Ele é quem faz possível para nós sermos salvos do pecado, resgatados de satanás e reconciliados com Deus e uns com os outros.

Somente pela graça, podemos viver essa nova vida em Cristo pelo poder do Espírito Santo que nos santifica e nos permite ser transformados dia a dia. Esta realidade nos liberta e nos ajuda a descobrir uma liberdade que nem sabíamos que existia. Enquanto éramos pecadores, pensávamos que éramos livres, fazendo aquilo que desejávamos, mas somente conhecemos a verdadeira liberdade quando fomos regenerados pelo Espírito de Deus. Só então, percebemos que vivíamos em uma prisão, enquanto nos enganávamos acreditando que éramos livres.

Isso demonstra como estávamos errados ao pensar que éramos sábios aos nossos próprios olhos. O ser humano pensa que é sábio, mas não percebe o seu próprio estado e nem suas limitações. Porem, isso somente se observa quando olhamos com atenção a graça infinita e maravilhosa de Deus.

A graça nos encontra no estado onde estamos, longe de Deus e na escuridão da nossa própria existência. Lá, Ele nos transforma para que possamos encontrar um caminho cheio de graça e misericórdia. Assim, as palavra do livro de Lamentações se con- vertem em nossas próprias palavras, “as misericórdias de Deus são novas cada manha.”

Como escreveu o Rev. Thomas Adams (1612-1653), “A graça vem na alma, como o sol da manhã para o mundo; amanhecer um primeiro, em seguida, uma luz. E, finalmente, o sol em seu brilho máximo e excelente.”

Com certeza, nós, como cristãos, somos lhos de Deus pela graça imerecida de Deus. Percebemos que não merecemos essa graça, e não entendemos porque a recebemos. Diante de tal dom, desejamos viver e ser tudo para Ele. Em consequência, desejamos amar e servir a Deus onde seja quer Ele nos chama.

Nesse aspecto, observamos como que os cristãos de tradição reformada são pessoas que tem participado intensamente da transformação do mundo, lutando contra a escravidão, formando escolas, os primeiros orfanatos, e indo a lugares longinguos para pregar o evangelho ou dando tudo para que outros possam conhecer as boas novas de Cristo, ao longo da história, e deveríamos ter essa posição também hoje, como resultado de nossa compreensão da graça que veio em Cristo e por Cristo que veio.

A graça nos transforma para dar frutos do Espírito. Assim, a igreja se faz presente no meio do mundo, mostrando Cristo para um mundo em escuridão, e o Reino de Deus se faz visível, contra o reino da Escuridão.

Somente a graça pode quebrar os medos e temores que alimentam a vida de tantos. Contudo, o temor não existe em nós, porque conhecemos que não podemos perder algo que não nos pertence, e ainda que nós percamos a vida, somente estamos ganhamos a vida eterna.

A esperança, a fé e o amor surgem a partir desta realidade. Portanto, nosso coração se entrega a essa graça que se nos faz presente na Cruz do Calvário. Cristo ressurrecto é a eterna imagem do amor, como o Natal é a eterna imagem da graça de Deus que se faz homem para que nos pudéssemos renascer em Cristo.

Quando encontramos a graça, realmente nunca mais seremos os mesmos, ainda que tentemos voltar aos caminhos de onde viemos. Não em vão, Spurgeon escreveu, “a graça não elege um homem e, depois, deixa ele como ele é.”

Hoje, observamos a graça que se faz presente no amor de Deus pelo seu povo eleito. O Senhor reina, e nos chama para que sejamos parte de Seu propósito. A noite escura já passou enquanto o amanhecer chega diante de nós. Assim, podemos seguir em frente, em meio a dor e das dificuldades, porque a graça de Deus nos dá força em meio a tudo para nos transformar naquilo que Deus está nos moldando a ser, a imagem de seu Filho para Sua glória.

Nós cristãos reformados afirmamos, “Reafirmamos que na salvação somos resgatados da ira de Deus unicamente pela sua graça. A obra sobrenatural do Espírito San- to é que nos leva a Cristo, soltando-nos de nossa servidão ao pecado e erguendo-nos da morte espiritual à vida espiritual.” (Declaração de Cambridge)

Um cristão reformado é, e sempre será, um cristão eternamente agradecido a Deus. Cada segundo da vida é um novo dia cheio de oportunidades em Cristo. Somente com a compreensão da maravilhosa graça do Espírito atuando através de nós, como parte do povo eleito de Deus, que seremos transformados de glória em glória.



Este artigo forma parte de uma série de artigos que vai encontrar aqui, aqui e aqui.

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Texto da minha autoria publicado na revista "A Espada e a Espátura" do Projeto Spurgeon, Junho de 2012.



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QUEM SOU EU? Entrevista com o Bispo


Recentemente, o Censo 2010 apontou a situação das Religiões no Brasil: é notório, entre as igrejas evangélicas, a estagnação das igrejas históricas no Brasil, porem, entre essas, a Igreja Anglicana nem é citada como um grupo significativo; aparece como “outras”. Realmente, mesmo com sua presença no Brasil desde 1805 quando o evangelista Henry Martin esteve no Brasil, o Anglicanismo não é conhecido com profundidade; muitos a percebem somente como uma “igreja católica diferente”; muitos a tem como uma igreja liberal, por conta das polemicas envolvendo a questão do homossexualismo; os evangélicos, principalmente os de linha Presbiteriana e Batista, por conta da história da Reforma Inglesa, muitos levam algumas ideias difusas sobre o anglicanismo, em parte por ignorância do fato de que a Igreja da Inglaterra de fato ser reformada, em parte pelos erros dessa igreja em alguns momentos da história; nessa entrevista, o Bispo Josep Miguel Rossello Ferrer, bispo da Igreja Anglicana Reformada no Brasil, Comissário do Bispo Primus da Igreja Livre da Inglaterra, e blogueiro mantenedor do blog “Café com o Bispo” nos esclarece as raízes do que é realmente é o anglicanismo, fala um pouco de como ele é realmente uma expressão do movimento da Reforma Protestante, e nos coloca várias considerações de como fazer o reino de Deus visível no Brasil de uma forma teocêntrica.

Leia toda a entrevista neste link.

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Entrevista realizada pelo Armando Marcos, Diretor do Projeto Spurgeon.

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O Espirito Santo e as Escrituras na vida do cristão


Nos artigos anteriores aqui e aqui, escrevi sobre a experiência individual da graça soberana de Deus através de Jesus Cristo que cria um desejo no coração humano em viver para a glória de Deus. Neste artigo, desejo olhar mais de perto como isso acontece na vida dos cristãos.

As Escrituras nos ensinam que 40 dias depois da ressurreição de Cristo, Ele aparece pela última vez aos seus discípulos. Ele deu uma última instrução e palavras de ânimo antes da ascensão ao céu. “Mas recebereis poder quando o Espírito Santo descer sobre vós; e sereis minhas testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judeia e Samaria, e até os confins da terra. Depois de dizer essas coisas, ele foi levado às alturas enquanto eles olhavam, e uma nuvem o encobriu de seus olhos” (Atos 1:8-9).

Existe muito que dizer a partir desta pequena porção das Escrituras, mas gostaria de comentar apenas dois pontos básicos.

1. Jesus prometeu que o Espírito Santo estava vindo, e viria sobre nós.

2. Jesus não estará mais presente fisicamente com os seus discípulos.

Uma vez que realizamos estes dois básicos pontos, observemos os seguintes versículos em Atos 1.10-11, “Estando eles com os olhos xos no céu, enquanto ele subia, apareceram junto deles dois homens vestidos de bran- co, que lhes disseram: Homens galileus, por que estais olhando para o céu? Esse Jesus, que dentre vós foi elevado ao céu, virá do mesmo modo como o vistes partir.

Este texto nos lembra que vivemos em um tempo especial, o tempo do Reino. Vivemos entre sua primeira e segunda vinda. A graça soberana de Deus atua através da Igreja pelo Espírito Santo. Isto tem sido grandemente ignorado pela Igreja hoje.

Se é verdade que Jesus não se encontra mais na Terra, também é certo que o corpo de Cristo místico, a Igreja, está presente em mais lugares que aqueles que Jesus esteve durante o seu ministério terreno.

Assim, o amor e perdão de Jesus so- mente se fazem visíveis aos olhos do mundo através da Igreja que Ele estabeleceu. Por isso, é essencial que a Igreja esteja fundamentada nas Escrituras, que continue pregando e ensinando as Escrituras, e viva cada dia as verdades que nelas encontramos. As Escrituras são o testamento escrito dos propósitos e promessas de Deus para Seu povo eleito. A Bíblia é a Palavra de Deus viva que transforma aqueles que leem com um coração aberto pelo Espírito.

Albert Einstein diz em uma entrevista publicada no jornal ‘Saturday Evening Post’, o 26 Outubro de 1929: “Ninguém pode ler os Evangelhos sem sentir a presença atual de Jesus. Sua personalidade presente em cada palavra. Nenhum mito está cheio com tal vida.”

As Escrituras seguem sendo o maior testemunho da verdade eterna que Deus se fez homem, Jesus, e habitou em meio de nós. Por isso, muitas pessoas tem sentido do mesmo que Albert Einstein ao ler as Escrituras. De verdade, não somente teem lido, mas meditado no que estas Escrituras descreviam com tal claridade que tocou o coração do leitor.

Isto não deveria surpreender, porque o próprio Jesus diz aos seus discípulos, “Todavia, digo-vos a verdade; é para o vosso benefício que eu vou. Se eu não for, o Consolador não virá a vós; mas, se eu for, eu o enviarei” (João 16.7). O Consolador tem um ministério essencial na vida da Igreja e dos cristãos. Ele vem nos convencer do pecado, da justiça (João 16.10) e do juízo (João 16.11). Também, lemos que Jesus diz que o Consolador virá e nos dirigirá em toda verdade (João 16.13). Este texto é muito importante, porque foram aos apóstolos que esta promessa foi feita e os responsáveis por escrever o Novo Testamento (2 Timóteo 3.16). Por isso, o Consolador glorificará a Jesus (João 16.14).

A Bíblia tem uma vitalidade que ou- tros livros não tem, porque era e é a palavra de Deus escrita que transmite as verdades eternas. Se lemos as Escrituras, deve ser para glori car Deus. Se o Espírito faz isso, quanto mais a Igreja de Jesus Cristo. Se pensamos que a Bíblia é um livro de regras, dizendo o que devemos ou não fazer, então parecerá muito mais como um manual de instruções. Com certeza, a Bíblia nos ensina como podemos viver melhor. Contudo, a Bíblia não trata do que você tem que fazer como um simples manual, mas trata sobre Deus e o que Ele tem feito pelo Seu povo.

A Bíblia é principalmente um história. É uma aventura do Herói que vem de lugares longínquos para recuperar te- souros perdidos. É uma historia de amor sobre um Príncipe valente que abandona seu palácio, seu trono, tudo, para resgatar a amada. É a mais maravilhosa das histórias que tem sido contadas, mas ela é real.

Existem muitas historias diferentes nas Escrituras, mas todas elas formam parte de uma maior historia. A historia de como Deus amou seus lhos e vem a resgatar eles.

Existem outros livros escritos por C.S. Lewis e Tolkien que tentam contar a historia redentora de Cristo através de novelas. Elas são boas, mas nada pode ser comparado com as Escrituras. “Assim, temos ainda mais rme a palavra profética. E fazeis bem em estar atentos a ela, como a uma candeia que ilumina um lugar escuro, até que o dia amanheça e a estrela da alva surja em vosso coração. Saibam antes de tudo que nenhuma profecia das Escrituras é de interpretação particular. Pois a profecia nunca foi produzida por vontade humana, mas homens falaram da parte de Deus, conduzidos pelo Espírito Santo” (2 Pedro 1:19-21).

A “palavra profética,” que Pedro cita aqui ele entende ser as Escrituras. Ele nos ajuda entender que nas Escrituras homens falam, mas falam como “de Deus,” porque eles eram “conduzidos pelo Espírito Santo.” Em nenhum outro livro, isto é assim. Outros autores tiveram esta experiência. Nem fo- ram usados por Deus deste modo. Por este motivo, os Reformadores afirmaram “Sola Scriptura.” Nenhum outro documento tem a autoridade que as Escrituras possuem. Nela, encontramos palavras de vida eterna, a palavra escrita de Deus. E porque é na Escritura somente que temos a promessa que
Deus mesmo fala “fazeis bem em estar atentos a ela, como a uma candeia que ilumina um lugar escuro.” Nós como reformados entendemos que de- vemos fazer exatamente isso.

No 6o Artigo dos 39 Artigos da Igreja da Inglaterra é dito: “A Escritura Sagrada contém todas as coisas necessárias para a salvação; de modo que tudo o que nela não se lê, nem por ela se pode provar, não deve ser exigido de pessoa alguma seja crido como artigo de fé ou julgado como requerido ou necessário para a salvação...

Sola Scriptura nos lembra que a Bíblia é, e deve ser, a regra su ciente e infalível para decidir as questões de fé e prática na vida da Igreja. Isto não deve ser entendido como que a Bíblia contém todo o conhecimento, mas que Ela contém todo o conhecimento necessário para nossa salvação. Se alguma doutrina não se encontra baseada nas Escrituras, essa não pode ser exigida dos cristãos.

No entanto, Sola Scriptura não nega a autoridade da Igreja para ensinar e instruir o povo de Deus, mas que deve ser conforme as próprias doutrinas que encontramos nela. Tampouco, deve ser considerada Sola Scriptura com uma negação a tradição per se. Já que a tradição tem seu papel na igreja, sempre e quando esteja sob a autoridade das Escrituras e não seja contraria a mesma.

Não devemos esquecer que Sola Scriptura não signi ca que os Reformadores rejeitavam todas as coisas que cada cristão tenha dito através dos séculos. Eles mesmos ci- tavam os Pais da Igreja, como exemplos da suas posições. O que Sola Scriputura também signicava é que reconheciam sendo grandes heróis da fé, mas não podiam ser considerados inerentes, nem inspirados, e, na verdade, tinham errado, como fazem os homens hoje. Por isso, a afirmavam que as Escrituras eram a única regra
verdadeira.

E, em tudo isto, o papel do Espírito Santo é vital. Já que somente podemos receber e obedecer pelo Espírito Santo.

- Sola Scriptura -


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Texto da minha autoria publicado na revista "A Espada e a Espátura" do Projeto Spurgeon, Junho de 2012.

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Vivendo a Soberania de Deus


Na edição anterior de “A Espada e a Espátula” escrevi sobre que ser reformado não é principalmente uma forma de pensar sobre as questões de fé, é um caminho e estilo de vida. Explanei como a vida de um cristão deve ser vivida tendo a Cristo no coração das nossas vidas. Se temos a Cristo, como centro e Senhor; com certeza, temos a Deus como Pai.

Também, colocamos que um compromisso intelectual com certas teologia, realmente é só isso, intelectual. Portanto, esta não tem nenhum valor na nossa vida, se a nossa forma de pensar não reflete na nossa forma de viver. Isto se faz visível na forma em que louvamos e adoramos a Deus.

Nós Reformadores somos um povo que damos somente glória a Deus em todas as coisas. No artigo de hoje, gostaria refletir sobre que produz em nós este desejo verdadeiro e sincero.

Você já percebeu quando você agita uma bússola, a agulha começa a se mover também? Contudo, se você para de agitá-la, então a agulha para de mover-se e será atraída pelo ponto magnético mais forte, ou seja, apontando ao Polo Norte. Da mesma forma, se falamos que somos teocêntrico, então estamos falando que os nossos corações foram e tem sido atraídos por Deus. Ainda que a vida nos agite de vez em quando.

Mas o que faz que um coração seja atraído a Deus? Vamos considerar algumas opções:

I. PODER

Um fator determinante, que observamos em diversas igrejas brasileiras, é como Deus é todo-poderoso. Se conversamos com pessoas sobre Deus, uma das respostas será o testemunho de como Deus é poderoso. Afinal, é normal poderosos atraírem seguidores. Os ricos, os criadores de opinião e os famosos conhecem o que significa ter seguidores.

Porem, alem de agragar, o poder também causa dispersão. Encontramos uma historia interessante de um povo que se encontrava aos pés do Monte Sinai. Israel tinha sido redimido, salvo, do mais poderoso império da época, Egito. Agora, o povo de Deus se encontrou diante do Seu Senhor. Perceberam o poder imenso de Deus. Por um lado, era maravilhoso saber que Deus todo-poderoso estava com eles e, por outro lado, tinham medo diante de um Ser Divino tão poderoso. Lemos em Êxodo 20:18-19,
“Todo o povo presenciava os trovões, os relâmpagos, o som da trombeta e o monte que fumegava. Vendo isso, o povo ficava de longe, tremendo de medo. E disseram a Moisés: Fala tu mesmo conosco, e ouviremos; mas não fale Deus conosco, senão morreremos.”
Porem, se a única coisa importante em Deus fosse ser todo-poderoso, então seria muito difícil viver uma vida Teocêntrica, porque uma vida Teocêntrica demanda que não somente amemos a Deus, mas que nos aproximemos de Deus. Isto se faz difícil quando lemos a história do Êxodo. O sol é belo quando é observado de longe, mas se tivéssemos que caminhar sobre ele, seriamos consumidos rapidamente. Assim, é com um Deus Todo-poderoso e Santo.

II. BONDADE E MISERICORDIA

Como Reformados, reconhecemos que Deus é todo-poderoso, mas conhecemos Ele é mais que somente Seu poder. Também, reconhecemos que Deus é benevolente. Isto pode ser observado quando Moisés pede a Deus: “Mostra-me Tua glória.” A resposta de Deus foi, “Farei passar toda a minha bondade diante de ti e te proclamarei o meu nome, o Senhor...”

Logo, lemos em Êxodos 34:5-6: “O SENHOR desceu numa nuvem e, pondo-se junto a ele, proclamou o nome do SENHOR. Tendo o SENHOR passado diante de Moisés, proclamou: SENHOR, SENHOR, Deus misericordioso e compassivo, tardio em irar-se e cheio de bondade e de fidelidade.

Deus é Todo-poderoso. Niguem pode negar este fato. Contudo, Sua “bondade” não é somente seu poder, mas sua misericórdia. Charles Spurgeon uniu dois atributos de Deus, como “Soberanamente Clemente.”
Coloca os dois juntos, bondade e soberania, e verás a glória de Deus. Se tomas somente a soberania, não entenderas Deus. Algumas pessoas só tem a ideia da soberania de Deus, mas não sua bondade; tais ideias são sombrias, severas e mal-humoradas. Deves colocar os dois juntos; que Deus é bom, e que Deus é soberano. Deves falar da graça soberana. Deus não é somente graça, Ele é soberano. Ele não é soberano somente, mas Ele é soberano benevolente. Isto é a melhor ideia de Deus. Quando Moises diz, “Rogo-te que me mostres tua glória.” Deus faz que ele pudesse ver que Ele era glorioso, e que Sua glória era sua bondade soberana.” Spurgeon – sermão 3120 - A View of God's Glory
Assim, a bondade soberana de Deus é que dá forma ao coração dos cristãos que desejam viver em um caminho teocêntrico. Quando os reformadores falam da “bondade soberana” de Deus, ou a “graça soberana,” isso pode ser um termo a ser usado extensamente. Nós reformados vemos toda a vida através das lentes da glória de Deus, vemos a bondade soberana de Deus exibida em todos as aspectos da vida. Por exemplo, é a graça soberana de Deus que tem dado criatividade aos homens para produzir arte, filmes e teatro que nós inspiram.

JESUS: O PRISMA SOBERANO

Evidentemente, existe uma forma de falar mais especialmente sobre a graça soberana de Deus, referindo-se a pessoa de Jesus Cristo. Se desejamos ver a luz do sol na sua plenitude, isto pode ser feito usando-se um Prisma. A luz é observada em todas as suas cores espectrais através do Prisma. Jesus Cristo é o prisma da graça soberana de Deus. Toda a bondade de Deus passa através do prisma de Jesus Cristo onde se pode observar essa bondade soberana de tal
forma que entendamos e observamos a graça de Deus claramente.

Assim, podemos viver uma vida de acordo a essa graça bondosa e soberana. Por exemplo, conhecemos que a provisão de Deus é parte da misericórdia soberana. Se consideramos a provisão de Deus na sua total plenitude, podemos surpreender-nos pelo que isto significa na nossa vida.

No evangelho de Marcos, encontramos a história de um pai que leva o filho a Jesus, porque muitos tem tentado curar o jovem, inclusive os próprios discípulos, mas não tinham tido sucesso.
E alguém dentre a multidão lhe respondeu: Mestre, eu te trouxe meu filho, que tem um espírito mudo. Onde quer que o apanhe, provoca-lhe convulsões, de modo que ele espuma pela boca, range os dentes e começa a se enrijecer. Pedi aos teus discípulos que o expulsassem, mas eles não conseguiram. E Jesus lhes respondeu: Ó geração incrédula! Até quando estarei convosco? Até quando terei de suportá-los? Tragam-me o menino. Então eles o trouxeram. Ao ver Jesus, o espírito imediatamente provocou-lhe uma convulsão, e o endemoninhado, caindo ao chão, rolava, espumando pela boca. Jesus perguntou ao pai dele: Há quanto tempo isso lhe acontece? Ele respondeu: Desde a infância. E muitas vezes o tem lançado no fogo e na água, para destruí-lo. Mas se podes fazer alguma coisa, tem compaixão de nós e ajuda-nos. Ao que lhe disse Jesus: Se podes? Tudo é possível ao que crê. Imediatamente o pai do menino clamou:* Eu creio! Ajuda-me na minha incredulidade” (Marcos 9:17-24)
Onde está a provisão de Deus nesta história? Primeiro, tanto o pai, como o jovem, necessitavam da cura para restaurar a saúde do jovem e liberta-los da escravidão de Satanás. Segundo, o pai não tinha suficiente fé. “Ajuda minha descrença” é sua oração a Jesus. A soberania de Deus em Jesus é reconhecida. Ele podia curar o jovem, Ele podia dar fé ao pai.

A graça de Deus em Jesus Cristo pode ser observada no fato de que não só Ele pode curar o jovem, e não que somente Ele pode dar fé ao pai, mas Jesus deseja fazer exatamente isso.
Vendo que a multidão, correndo, aglomerava-se, Jesus repreendeu o espírito impuro, dizendo: Espírito mudo e surdo, eu te ordeno: Sai dele e nunca mais entres nele. Então o espírito saiu, gritando e agitando-o muito. O menino ficou como se estivesse morto, de modo que muitos diziam: Ele morreu. Mas Jesus, tomando-o pela mão, levantou-o, e ele ficou em pé” (Marcos 9:25-27)
Deste modo, vemos como a soberania e a graça vem juntas no prisma de Jesus Cristo, sendo vivido pessoalmente na vida do pai e do seu filho. Aqueles dentre nos que temos vivido a graça soberana de Deus refletida sob nossas vidas através do prisma de Jesus, realmente somos pessoas transformadas, mudadas para sempre.

NOVAS CRIATURAS

A experiência da bondade soberana de Deus faz que sejamos convertidos em novas criaturas, que comecemos uma nova vida pelo Espírito Santo. Percebemos que, certamente, somos pecadores e estamos mortos espiritualmente, mas a graça soberana de Deus nos traz a vida, vida eterna, sendo hoje o primeiro dia dessa nova vida.

Confessamos nosso pecados e nos arrependemos – mudamos nossas atitude o respeito o pecado – buscando agora viver prioritariamente para a glória de Deus em todas as coisas. Isto só é possível através do prisma de Jesus Cristo, porque Ele é o mediador entre Deus e os homens.

Quando precisamos da santidade que não existe em nós, reconhecemos que Deus é soberano e benevolente. Ele pode dar santidade, e deseja concedê-la ao Seu povo eleito, mas Ele faz isso através do prisma de Jesus Cristo.

Quando precisamos de misericórdia, reconhecemos que Deus é soberano e bondoso. Ele pode dar misericórdia e deseja dar ao Seu povo eleito, mas Ele faz isso através do prisma de Jesus Cristo.

Quando precisamos cultivar um coração amoroso, reconhecemos que Deus é soberano e misericordioso. Ele nos pode dar um coração amoroso e deseja dar ao Seu povo eleito, mas Ele faz isso através do prisma de Jesus Cristo.

Assim, encontramos que como reformados não vivemos somente “Sola Deo Gloria” (somente glória a Deus), mas vivemos também “Sola Christus” (somente Cristo). Isto é através do prisma de Cristo.

- Solus Christus -


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Texto da minha autoria publicado na revista "A Espada e a Espátura do Projeto Spurgeon, Maio de 2012.


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O Que Significa Ser Reformado?


Recentemente, alguém me perguntou porque tínhamos o termo “Reformada” no nome da nossa igreja. Ele não entendia a razão desse nome. Infelizmente, depois de cinco séculos, a maioria dos evangélicos esqueceram sua própria historia.

Possivelmente, se perguntássemos, a maioria dos evangélicos não entendem o que significa ser evangélicos. A porcentagem ainda seria maior entre os não-evangélicos. Contudo, existem um interesse crescente da teologia reformada entre os jovens evangélicos brasileiros. Isso é um fato muito positivo.

Infelizmente, também existe certa confusão sobre o que significa ser reformado. Alguns pensam que ser reformado significa ser calvinista, outros ser presbiterianos, e ainda tem aqueles que pensam que ser reformado significa afirmar a Confissão de Fé de Westminster.

Nós, anglicanos, confessamos que somos reformados, porque esta é nossa herança. Infelizmente, essa herança e grande verdade tem sido esquecida pelo fato de que o Anglicanismo Brasileiro tem sido fortemente influenciado pelos anglo-católicos e o liberalismo. Contudo nosso jeito de ser reformado, difere do jeito presbiteriano, ou batista, de ser reformado.

A Igreja de Inglaterra, da qual surgiu o movimento anglicano global, nasceu do fogo da Reforma Protestante, e fogo literal. A Igreja de Inglaterra tem até hoje uma confissão de fé claramente Reformada. Também, é certo que o anglo-catolicismo e os não-conformistas tem tentado destruir qualquer referencia a sua identidade protestante do Anglicanismo e sua doutrina reformada dos 39 Artigos da Religião.

O próprio Spurgeon falou dos Trinta e Nove Artigos no sermão “A Inclinação da Carne é Inimiga de Deus”,
Agora, meus queridos leitores, “somente a Bíblia é a religião dos protestantes”: mas sempre que reviso um certo livro tido em grande estima por nossos irmãos anglicanos, o encontro inteiramente ao meu lado, e invariavelmente sinto um grande deleite ao citá-lo. Vocês sabem que sou um dos melhores clérigos da Igreja da Inglaterra, o melhor, se me julgarem pelos Artigos, e o pior se me julgarem por qualquer outra norma?

Meçam-me pelos Artigos da Igreja da Inglaterra, e não ocuparia o segundo lugar ante ninguém abaixo do céu azul do firmamento, pregando o evangelho contido neles; pois, se há um excelente epítome do Evangelho, se encontra nos Artigos da Igreja da Inglaterra. Permitam-me mostrar-lhes que não estiveram escutando uma doutrina estranha.

Temos, por exemplo, o artigo nono, sobre o pecado de nascimento, o pecado original: “O pecado original não consiste em seguir a Adão (como o afirmam em vão os pelagianos), mas é a falha e a corrupção da natureza de cada indivíduo, que naturalmente é engendrada pela prole de Adão, pela qual o homem está sumamente distanciado da justiça original, e é por sua própria natureza propenso ao mal, de tal forma que o desejo da carne é contra o Espírito; e, portanto, toda pessoa vinda a este mundo merece a ira de Deus e a condenação. E esta infecção da natureza efetivamente permanece, sim, nos que são regenerados; pelo qual a concupiscência da carne, chamada no grego: phronema sarkos, que alguns expõem como a sabedoria, a sensualidade, o afeto, o desejo da carne, não está sujeita à Lei de Deus. E ainda que não haja condenação para os que crêem e são batizados, contudo o apóstolo confessa que a concupiscência e a lascívia têm em si a natureza do pecado.”

Não necessito mais nada. Acaso alguém que creia no Livro de Oração discordará da doutrina que “a mente posta na carne é inimiga de Deus”?
John Owen, renomeado puritano, uma vez já fora da Igreja da Inglaterra por causa do Ato de Uniformidade 1662, escreveu a seguinte declaração a qual se aproximava muito a subscrição requerida aos ministros da Igreja da Inglaterra,
"Eu abraço a doutrina da Igreja da Inglaterra, como declarados nos Trinta e Nove Artigos, e outros escritos públicos dos mais famosos bispos e outros teólogos da mesma." (Works of John Owen, 14:196)
Em 1669, Owen escreveu novamente,
"A principal glória da Reforma Inglesa consistiu na pureza de sua doutrina, assim restaurada primeiro a nação. Esta, como está expressada nos artigos da religião, e nos escritos publicamente autorizados dos bispos e teólogos principais da igreja da Inglaterra, é, como já fui dito, a glória da Reforma Inglesa" (Works of John Owen, 13:354).
Estas palavras de Spurgeon e Owen mostram como que os anglicanos possuem no culto (o Livro de Oração Comum), nas ordens sagradas (Ordinário) e na doutrina (os 39 Artigos da Religião), o perfeito formulário que faz de nós uma igreja reformada.

Ser reformado não é simplesmente afirmar um formulário, porque isto poderia ser simplesmente um exercício acadêmico, sem mais. Declarar que somos reformados, significa que nossa fé, vida e valores estão sendo formada e conformadas pelas Escrituras. Não em vão, os reformados somos o Povo do Livro.

Ser o Povo do Livro, nos ensina a ser um povo (a Igreja) que segue os ensinos do Livro (as Escrituras) para que Deus seja glorificado sempre através da nossa vida, testemunho e exemplo. Não vivemos mais por nós, mas vivemos sobretudo para que Deus seja glorificado cada dia através de nós. Assim, estamos preocupados profundamente com o que está acontecendo na igreja hoje, porque faz que Deus não esteja sendo glorificado, como foi revelado pelo nosso Senhor, Jesus Cristo.

Neste primeiro artigo desta série, desejo simplesmente analisar de forma introdutória o que significa ser Reformado. Vou começar, onde todo começou. “No princípio, Deus...” (Gênesis 1.1). Não podemos começar de outra forma. J.I. Packer escreveu estas palavras na sua introdução a obra de John Owen, “Death of Death in the Death of Christ.”:
“Calvinismo é um caminho teocêntrico (centrado em Deus) de pensamento sobre todos os aspetos da vida sobre a direção e controle da própria Palavra de Deus. Calvinismo, em outras palavras, é a teologia da Bíblia vista desde a perspectiva da Bíblia – o ponto de vista centrado em Deus que vê o Criador como a fonte, e significado, e fim, de todas as coisas que são, tanto na natureza e na graça.”
Por “todos os aspetos da vida,” Packer se refere ao nosso emprego, nossa amizade, nossa criatividade, nossa imaginação, nosso exercício, nosso casamento, nossas relações, nosso dinheiro, nosso tempo e, inclusive, a própria morte. Reconhecemos que todo nasce e vive a partir de Deus, “porque nele foram criadas todas as coisas nos céus e na terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam poderes; tudo foi criado por ele e para ele” (Colossenses 1.16).

Para cristãos reformados, isto também inclui os Anglicanos, o culto não é um ato que só acontece nos domingos, mas, como todas as coisas vem dEle e somente dEle, nossa vida é um ato de louvor. Isto vem a ser conhecido durante a Reforma através da frase em latim, “Soli Deo Gloria,” que significa somente gloria a Deus. Todo o que fazemos, tem um significado espiritual e é um ato de adoração.

Portanto, o seu emprego tem importância para Deus, como o seu casamento e as amizades na sua vida. Esta realidade transforma o entendimento, porque somos consciente que a nossa vida deve ser um ato de adoração ou, do contrario, será um ato de idolatria.

Por este motivos, não estamos satisfeito com uma espiritualidade que nós fecha nas quatro paredes do templo, ou em pequenos grupos, ou nos círculos cristãos. Somos conscientes de que caminhamos com Deus o tempo todo, e Sua gloria está presente em cada aspeto da vida humana e, assim, cada ação é uma ação de culto a Deus. Esta espiritualidade faz presente o Reino de Deus nas nossas vidas, família, casamento, emprego, bairro, cidade e no mundo todo. A vida não se encontra já mais fragmentada, mas é uma só.

Ao mesmo tempo, não podemos esquecer que somente Deus e só Deus merece toda a gloria, porque todo começa com nossa salvação. Ainda que, muitos irmãos pensem que todo termina com a salvação. “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé, e isto não vem de vós, é dom de Deus; não vem das obras, para que ninguém se orgulhe” (Efésios 2.8-9).

Deus é o todo, e o motivo da existência e da vida. Assim, aclamamos com absoluta certeza, “No principio, Deus...” Todas as coisas boas vem de Deus, e do que temos recebido somos agradecidos.

Como cristãos reformados somos, e devemos ser, um povo agradecido por todo o que temos, porque vem de Deus. Seria um erro, pensar que temos certas coisas, porque somos bons em isto ou aquilo. Na verdade, somos bons em isto e aquilo, porque Deus primeiro nós deu essas habilidades e permitiu na sua providencia nossa realização.

Spurgeon escreveu, “Não é oração, não é fé, não é nossas tarefas, ou nossos sentimentos sobre o que devemos descansar, mas sobre Cristo e somente Cristo.” (The Comer’s Conflict with Satan” Spurgeon’s Sermons Vol II pg 309)

Ser reformado é ser um povo que glorifica a Deus em cada área a aspeto da nossa vida.

- Soli Deo gloria -


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Texto da minha autoria publicado na revista "A Espada e a Espátura" do Projeto Spurgeon, Abril de 2012.

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Os 5 Solas na vida do cristão


Hoje, celebramos o começo de uma revolução que foi chamada de Reforma Protestante. Um ato que tinha acontecido com anterioridade, foi usado na providencia de Deus para começar uma verdadeira reforma espiritual na Igreja de Cristo na Europa no século 16. Martinho Lutero colocava suas 95 Teses na porta da Catedral, enquanto muitos estavam preocupados nas suas tarefas diárias. Aquele ato não era novo, já que assim era a costume da época, colocar panfletos e notícias na porta da Catedral, mas Deus faz que aquele ato simples ato transformara a história de Europa.

Aquela Reforma foi conhecida por cinco lemas que se converteram em estandarte dos valores essenciais e fundamentais da Reforma Protestante. Agora, quase 500 anos depois, será que estas cinco solas ainda são relevantes par a vida cristã? Eu acredito que sim. Neste artigo, a partir da Declaração de Cambridge, desejo refletir de forma simples para que possamos interagir com as cinco solas e refletir sobre como nos relacionamos com estes Standards cristãos.

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SOMOS EVANGÉLICOS? Uma resposta sincera


O que significa ser “Evangélico”? Esta palavra tem sua origem no grego euangelion, que se traduz Evangelho, ou (literalmente) Boas Novas; Assim, ser evangélico é crer no Evangelho, é proclamar as Boas Novas de Cristo em palavras e ações, é viver e adorar de acordo com o Evangelho.


A Igreja Anglicana Reformada do Brasil (IARB) está alicerçada e centrada no Evangelho. E o Evangelho encontra-se no centro da Liturgia, da Práxis e do Governo da Igreja. Em nosso Livro de Oração Comum (LOC), que é nossa oração em comunidade, e igualmente centrada no Evangelho, dá-se forma litúrgica à doutrina da graça e da Justificação pela Fé em Jesus Cristo.

A Salvação, pois, é um dom gratuito da Graça de Deus, independentemente das obras humanas, e baseia-se somente na Morte Expiatória de Cristo, e é recebida somente pela fé na Pessoa e na Obra consumada por Jesus Cristo na Cruz, e pela fé em Sua Ressurreição de entre os mortos.

Acreditamos, portanto, que é responsabilidade de cada cristão anunciar a Boa Nova de Cristo, e procurar fazer discípulos para o crescimento da Igreja e a expansão do Reino de Deus.

Os anglicanos somos evangélicos, porque afirmamos e subscrevemos a Declaração de Fé da Aliança Evangélica, com total convicção e determinação de que tal fé mostra a fé Cristã das igrejas evangélicas.
Declaração de Fé 
1.    Cremos na existência de um único Deus eterno, pessoal, inteligente e espiritual, eternamente existente em três pessoas: Pai, Filho e Espírito Santo.
2.    Cremos na soberania e sabedoria de Deus na criação e sustento do Universo, na providência, na revelação e na redenção.
3.    Cremos no Senhor Jesus Cristo como Filho Unigénito de Deus e coexistente com o Pai, na Sua encarnação humana, no Seu nascimento virginal, na Sua vida sem pecado, nos seus milagres divinos, no Seu sacrifício redentor, na Sua ressurreição e ascensão corporal, na Sua mediação junto de Deus, na Sua segunda vinda pessoal, visível e em poder e glória.
4.    Cremos no Espírito Santo, sua personalidade, divindade e actividade, que opera a conversão e regeneração do pecador e lhe concede poder para testemunhar do Evangelho e exercitar dons.
5.    Cremos na inspiração divina e total das Escrituras Sagradas, na Sua suprema autoridade como única e suficiente regra em matéria de fé e de conduta e que não existe qualquer erro ou engano em tudo o que ela declara.
6.    Cremos que o homem foi criado por Deus à Sua imagem, que pecou em Adão, que caíu do seu primitivo estado de santidade por transgressão voluntária e que é actualmente um pecador por natureza e escolha, estando, por isso, sob a condenação de Deus.
7.    Cremos na salvação e justificação do pecador pelo sacrifício expiatório de Jesus Cristo, que se adquire pela fé Nele, como uma graça de Deus, independente do mérito humano, de boas obras ou de cerimónias.
8.    Cremos na imortalidade da alma, na ressurreição corporal de todos os mortos, no juízo final do mundo pelo Senhor Jesus Cristo, na eterna condenação dos não crentes.
9.    Cremos que a igreja é o corpo universal e espiritual de Cristo, cuja cabeça é Ele, com a missão de pregar o Evangelho no mundo inteiro e que, na sua expressão local, ela é um corpo vivo, uma comunhão de crentes congregados para a sua edificação, adoração e proclamação do evangelho. Cremos também que Cristo conferiu à sua Igreja, com carácter de permanência, duas ordenanças: o Baptismo e a Ceia do Senhor.
10. Cremos que é dever de todas as igrejas locais e de cada crente em particular esforçarem-se por fazer discípulos em todas as nações e proclamarem a toda a criatura a grande salvação de Deus.
11. Cremos que é dever de todo o cristão servir a Deus em boa mordomia, promover a paz entre todos os homens e a cooperação entre as igrejas e os irmãos, tendo em vista a concretização dos grandes objectivos do Reino de Deus.
Declaração de Fé da Aliança Evangélica Portuguesa
http://www.aliancaevangelica.pt/

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Estás Salvo? Do que?

"Nós temos errado e nos extraviado dos Teus caminhos como ovelhas perdidas. Temos seguido demasiadamente os conselhos e os desejos do nosso próprio coração. Temos deixado de fazer aquilo que devemos fazer. E temos feito coisas que não deveríamos ter feito. Certamente não existe sanidade em nós. 
Confissão Geral do Livro de Oração Comum
Após vários anos como cristão, comecei a questionar os clichês evangélicos que havia aprendido durante os anos anteriores. Conhecia tudo o que devia ser dito e quando devia ser dito. Era um
amontoado de frases feitas que, sinceramente, nem ao certo sabia o que significavam realmente.

Isto me lembra duas situações que vivi e que me fizeram começar a questionar tais clichês. A primeira foi quando alguém estava falando acerca de algo desagradável e o irmão disse um “Aleluia! Glória a Deus!”, sem, no entanto, perceber o contexto incoerente de sua exclamação.

A segunda foi quando alguém me perguntou se eu era salvo. Fiquei surpreso pelo questionamento, pois a pessoa declarou que eu não era cristão pelo simples fato de estar usando camisa clerical. Então, decidi averiguar se aquele indivíduo entendia, de fato, o teor do questionamento que ele levantara. E respondi: “salvo do que?”. Minha resposta o deixou sem saber o que dizer naquele momento. Encontrou-se sem resposta para minha indagação. Provavelmente, era a primeira vez
que isso acontecia com ele.

A salvação é um tema realmente sério, relevante e de consequências eternas. Saber se Deus nos salvou do pecado e da morte é algo de suma importância. As Escrituras falam extensivamente sobre nossa salvação. Também, devemos estar conscientes de que a salvação é o começo da nossa jornada pessoal enquanto cristãos.

Nas Escrituras, lemos que Jesus foi anunciado como o salvador do mundo enquanto ainda estava no
ventre de Maria. Este texto bíblico nos mostra como a pessoa do Salvador e a salvação estão interligadas de tal modo que, realmente, se desejamos entender o significado da salvação, primeiro precisamos conhecer o nosso Salvador, Jesus Cristo. A missão de Cristo é salvar o mundo.

A questão que devemos considerar agora é a de que devemos ser salvos. As Escrituras falam da salvação em um sentido muito mais extenso do que muitos cristãos acreditam. Afinal, a verbo “salvar” significa “ser resgatados de uma situação perigosa ou ameaçadora.”

Portanto, consideremos a situação de Israel. O povo de Deus foi liberto do poder opressor de seus inimigos no campo de batalha, portanto, podemos afirmar que ele foi salvo. Outra situação é quando uma pessoa escapa com vida de um acidente grave, e afirmamos que ela se salvou. E no futebol, quando um time estava para ser rebaixado de divisão, mas isso não ocorre, dizemos que ele se salvou. A salvação é o ato de se ver livre de uma situação difícil, perigosa ou ameaçadora.

Em que sentido as Escrituras falam de salvação?

No Novo Testamento, a salvação é tratada de forma muito mais específica. A salvação está ligada a nossa redenção, regeneração e novo nascimento. A salvação é nossa libertação das consequências do pecado, que é a morte, e da autoridade de Satanás sobre nossas vidas. Logo, a salvação é a única esperança da humanidade, diante do pecado e da opressão, que causa tanto sofrimento ao mundo e às nossas vidas.

Se esquecermos que a morte é fruto do pecado original, então não conseguiremos entender o que realmente significa a salvação. A salvação é o fato de que “o Filho de Deus se manifestou: para desfazer as obras do diabo” (1 João 3.8). Sendo assim, libertos “da ira futura” (1 Tessalonicenses 1.10).

Somos cônscios de que, na segunda vinda de Cristo, a humanidade enfrentará o juízo final. Nesse dia, cada um de nós deverá prestar contas por cada um de nossos atos diante do Santo Deus, todos, sem excessão. Nem preciso dizer que este será um terrível dia para a humanidade. Ninguém poderá escapar desse juízo, nem o enfrentará com a certeza de que tem vivido uma vida justa e digna (pois não há um justo, nenhum sequer).

Nesse dia, descobriremos, de forma plena, o quão Justo e Santo Ele é. Observaremos a ira de Deus contra os malvados e àqueles que não arrependeram-se dos seus pecados e de sua vida desregrada. Será um dia difícil de explicar pelas consequências pela eternidade de tantas pessoas. Jesus será reconhecido como o soberano de todas nações, e sua justiça será perfeita. Será conhecido, como o Salvador do seu povo, a Igreja. Isto significa que será também o grande dia da salvação e a grande esperança que temos em Cristo. Ele reunirá os eleitos de todos os povos, tribos, nações e grupos em uma nova nação santa.

Por certo, a salvação não é só um fato futuro. Ela já aconteceu, está acontecido e acontecerá. Em outras palavras, fomos salvos (desde a fundação do mundo); estamos salvos (pela obra de Deus na historia); somos salvos (porque temos sido redimidos, regenerados e justificados); estamos sendo salvos (ao ser santificados pelo Espírito Santo); e seremos salvos (quando experimentemos a consumação da nossa redenção no céu).

Antes de terminar este artigo, gostaria dizer que não podemos esquecer do essencial. A salvação não é uma decisão humana, ou uma resposta ao que fazemos. Não podemos fazer absolutamente nada para sermos salvos. A salvação é uma obra divina que começa e termina em Deus. Deus é quem consegue fazer possível por Cristo levar adiante esta obra pelo Espírito Santo. Por isso, chamamos de graça. A salvação é um dom da graça de Deus e provém dEle somente. O nosso Senhor, Jesus Cristo, nos liberta da ira de Deus.

Esta é a graça maravilhosa de Deus. Recebemos um dom que nem desejamos, nem podemos conseguir, nem sabíamos que precisávamos. Deus deu a resposta quando ainda estávamos em rebeldia, nem havíamos nascido e vivíamos longe dEle. O Senhor entregou sua vida para que o seu povo eleito seja salvo da ira de Deus e da opressão do pecado.

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Publicado no blog Pelas Escrituras. E no primiero número da revista "A Espada e a Espatula" do Projeto Spurgeon.

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Compreendendo a Trindade


O maior mistério e maravilhosa verdade do evangelho é o fato de que Deus é Pai, Filho e Espírito Santo. Esta é a fundação de nossa fé e, a partir desta doutrina, toda a estrutura da redenção tem plena compreensão. Esta doutrina tem sido respondida através dos séculos. Ainda hoje, as Testemunhas de Jeová, os Unitaristas e os Mórmons rebatem esta doutrina.

Nunca poderemos compreender plenamente Deus, nem entender com total clareza o seu Ser; contudo, Ele tem feito que possamos conhecer todas as coisas necessárias para nossa salvação e satisfazer os próprios propósitos d’Ele. Deus tem revelado:

1. A definição da Trindade ensinada.
2. A verdade da Trindade revelada.
3. A atividade da Trindade demostrada.
4. A realidade da Trindade vivida.

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Profissão de Fé - São Basílio


Quando conheci, por graça do bom Deus, a obrigação que me impunha vossa piedade, aliás bem conforme ao amor(1) de Deus no Cristo, de vos fazer por escrito uma profissão da santa fé, inicialmente pensei em minha pequenez e fraqueza, hesitando em corresponder a vosso pedido. Mas lembrando-me das palavras do Apóstolo: "sustentai-vos mutuamente na caridade" e: "é crendo no coração que se obtém a justiça e professando em palavras que se obtém a salvação", julguei perigoso resistir-vos e calar minha profissão de fé. Pus então minha confiança em Deus, segundo a palavra: "não que sejamos capazes por nós mesmos de conceber alguma coisa como procedente de nós, mas nossa capacidade vem de Deus". Ele nos fez capazes — e per causa de vós — de sermos ministros da Nova Aliança, "não da letra, mas do espírito(2)".

Ora, bem o sabeis, é próprio do ministro guardar íntegro e intato o depósito que lhe confiou o bom Mestre, em favor de seus companheiros. Por conseguinte, o que aprendi da Escritura inspirada devo igualmente comunicar-vos, procurando atender a vossas necessidades e agradar a Deus. Entretanto, se o próprio Senhor, em quem o Pai pôs seu agrade, em quem estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e da ciência, e que, após ter recebido do Pai todo poder(3) e julgamento, afirma: "Ele me prescreveu o que devo dizer e ensinar", e também: "o Espírito não fala de si mesmo, mas diz o que ouviu", com muito mais razão devo eu pensar e agir em nome de nosso Senhor Jesus Cristo.

Durante longo tempo(4) em que precisei combater as heresias, à medida que brotavam — o que fazia seguindo o exemplo de meus predecessores — achei preferível adaptar-me ao desvio provocado pelo demônio e usar, para reprimir eu confundir as blasfêmias proferidas, expressões correspondentes a elas, ora umas, ora outras, segundo as necessidades dos fracos, e às vezes mesmo expressões que não eram bíblicas, embora não estranhas ao sentido correto das Escrituras.


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