O que é a oração?

o que é a oração?


“A oração diligente é o segredo para uma vida de santidade” Bispo J. C. Ryle



A oração é para o cristão, o que o ar é para a vida. Todo cristão verdadeiro tem uma vida de oração, como toda pessoa tem uma vida, sem falar que temos uma vida publica, uma vida social, uma vida privada, etc. Contudo, será que temos realmente uma vida de oração? Será que nossa vida de oração é tão real como os outros aspectos da nossa vida? Oração não é somente um privilegio, mas também uma obrigação, um compromisso sobre a qual todo cristão edifica sua vida, “...o dever de orar sempre e nunca desanima” (Mc. 18.1). Se você deseja conhecer o estado espiritual de um cristão, escute suas orações. A oração mostrará sua vida es- piritual e se essa é saudável ou não. As orações mostraram o estado do cristão, como as folhas de uma árvore mostram o estado da mesma. Não em vão, a vida cristã começa, cresce e termina em oração.

A IMPORTÂNCIA DA ORAÇÃO

1. Seu lugar e vitalidade

Encontramos em Gênesis 4.26, a primeira referência direta a oração, “Foi nesse tempo que os homens começaram a invocar o nome do SENHOR.” Ao mesmo tempo, encontramos em Abraão um dos maiores exemplos de um homem de oração. Sua vida é um exemplo de alguém que aprendeu através da oração e cresceu com ela. Em Gênesis 18.22-35, a oração foi além de um dialogo, a oração se fez intercessão. Deste modo, a oração chegou a desenvolver-se em uma comunhão intima e pessoal entre Abraão e Deus. Leia Gênesis 24.12, encontramos como o ser- vente de Abraão orando de forma pessoal, e assim podemos ver como ensinamos outros a orar através das nossas vidas de oração. A vida de oração de Abraão foi uma inspiração para outros e, ao mesmo tempo, podemos resumir a vida de oração dele com a palavra “comunhão.” Abraão foi chamado três vezes o “amigo de Deus.” Ele tinha uma fraternidade e caminhada real e viva com Deus.

2. Sua centralidade

Pode-se a rmar, com certeza, de que Jesus era um homem de oração. Em Marcos 1, mostra um dia na vida do Senhor, Jesus Cristo. Observemos o que Jesus faz no inicio do dia, “De madrugada, ainda bem escuro, Jesus levantou-se, saiu e foi a um lugar deserto; e ali começou a orar” (Mc. 1.35). Às vezes, os cristãos dão explicações, porque não oram ou não temos uma vida de oração verdadeira. Possivelmente, a escusa mais ouvida é que estamos muito ocupados, mas Jesus sempre encontrava tempo para orar e ter comunhão com Deus. Se lermos o evangelho de Lucas, existem duas questões fortemente visíveis: (1) a humanidade de Jesus e (2) a centralidade da oração na vida de Jesus. Em sete ocasiões, podemos ver Jesus orando. Também, temos o exemplo dos seus discípulos e as parábolas, vejam Lucas 18.1-7 e Lucas 11.5-13. Há uma ênfase na centralidade da oração.

3. A negligência

No Antigo Testamento, encontramos Deus expressando insatisfação no fracasso do Seu povo por não buscar a face de d’Ele. “Povo que formei para mim, para que proclamasse o meu louvor. Contudo, não me invocaste, ó Jacó, mas te cansaste de mim, ó Israel” (Is. 43.21-22). Encontramos que Isaías mostra seu descontento diante da atitude de Israel, “E não há quem invoque o teu nome, que desperte e te detenha, pois escondeste de nós o rosto e nos consumiste por causa das nossas maldades” (Is. 64.7). Encontramos advertências muito serias para o povo de Deus que negligência buscar a Deus. Vejam também Oséias 7.7, 14.

4. As consequências

Muito dos males na vida são atribuídos a uma vida sem oração, ou a falta da oração. Se observarmos, muitas adversidades que tem vindo sobre uma nação, uma igreja, um cristão, poderiam ser atribuídos a falta da oração. “Como está escrito na lei de Moisés, toda esta desgraça nos sobreveio; apesar disso, não buscamos o favor do SENHOR, nosso Deus, para nos convertermos das nossas maldades e alcançarmos discernimento na tua verdade. Por isso, o SENHOR cuidou de trazer sobre nós a desgraça; pois o SENHOR, nosso Deus, é justo em tudo o que faz, e nós não temos obedecido à sua voz” (Dan 9.13- 14). Foi pela falta de oração e temor de Deus o não buscaram a presença de Deus e nem obedeceram a lei de Deus.

5. O exemplo dos apóstolos

“Portanto, irmãos, escolhei dentre vós sete homens de boa reputação, cheios do Espírito Santo e de sabedoria, aos quais encarreguemos deste serviço. Mas nós nos devotaremos à oração e ao ministério da palavra” (Atos 6.3-4). Isto não quer dizer que outras coisas não são importantes, ou temos que ignorar as mesmas. Existem muitos ministérios que são importantes, contudo, cada parte do corpo tem uma função a desenvolver. Os apóstolos estão falando de uma prioridade, e a prioridade dos apóstolos era orar e ensinar a palavra de Deus à igreja nascente, como é também a função de todos os Ministros nos dia de hoje, especialmente presbíteros e bispos. Neste texto, é interessante o fato de que a oração vem diante do ensino da Palavra, sendo essa uma verdade essencial na vida do povo de Deus. Temos que orar antes de escutar, estudar e meditar na Palavra de Deus. Também, isto é um ensinamento para os Ministros, que esses não podem declarar e ministrar a Palavra com poder e autoridade do Espírito Santo, se não nos encontrarmos primeiro de joelho com o Senhor.

6. Obediência

O Senhor diz, “orar sempre e nunca de- sanimar” (Lucas 18.1). O apóstolo Paulo diz, “Perseverai na oração, nela permanecendo atentos com ações de graças” (Col. 4.2) e “Orai sem cessar” (1 Tess 5.17). Estes textos bíblicos nos lembram de que devemos estar em constante oração, enquanto vivemos, tomamos decisões, agradecemos a Jesus por todo o que temos, e isto requer viver com a certeza de que estamos sempre na presença do Pai. Assim, nos somos a oração viva que o mundo vê com claridade. Quando oramos, Deus nos transforma para ser a oração e resposta, em dependência a Ele. Nossa vida em comum faz visível o Corpo de Cristo, as mãos, os pés, a voz, que transforma e res- taura, como Jesus fez 2,000 anos atrás. Bispo Ryle disse uma vez, “a oração é o verdadeiro folego do Cristianismo.”

- Sola Scriptura -


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Texto da minha autoria publicado na revista "A Espada e a Espátura" do Projeto Spurgeon, Agosto de 2012.

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