PORQUE USAMOS O TERMO REVERENDO?


Hoje quero tomar um momento para explicar os motivos pelos quais usamos o termo ‘Reverendo’ para referir-nos aos nosso diáconos e presbíteros. Existem costumes diversas em cada igreja cristã, e nas diversas denominações, por este motivo acredito ser relevante explicar e dar a conhecer o que nos leva as nossas práticas, como igreja reformada e uma igreja firmemente estabelecida na Palavra Fiel.


No Anglicanismo, o diácono e o presbítero tem obrigações e funções diferente de outras igrejas que usam o mesmo termo. Eles são “pastores,” e são ministros ordenados. Este artigo não trata das responsabilidades e deveres dos ministros, contudo achei oportuno esclarecer este ponto. Já que usamos o termo ‘Reverendo,’ tanto para Diáconos como Presbíteros. Sua origem é difícil de ter certeza plena, contudo este foi o termo mais usado nas igrejas protestantes a partir da Reforma Protestante no século 16.

A palavra "Reverendo" tem sua raiz no latim, reverendus, que significa respeitar ou honrar. Sou consciente que vivemos um momento histórico complicado quando consideramos a questão de honrar e respeitar os líderes, devido a que uma das características da pós-modernidade é a rejeição por títulos, instituições e compromisso com a ordem. Já se tem provado através de pesquisas e dissertações que a luta na pós-modernidade é desestruturar os dogmas e as tradições que surgiram ao longo da história. O ideal do homem contemporâneo parece ser vivenciar todas as coisas de maneira informal e espontânea, isso se aplica também às questões religiosas.

Se observamos o espectro religioso atual, observamos o crescente número de comunidades cristãs que rejeitam a própria história da Igreja Cristã e as tradições da Cristandade. Existem um desejo de manter a cultura do entretenimento, tão presente na nossa cultura, inclusive nos cultos cristãos. Esta questão deverá ser tratada em outro texto, já que o objetivo deste texto é compreender melhor o uso do termo ‘reverendo’ na tradição cristã.
Em Romanos 13, encontramos um texto bíblico que nos ensina de forma clara e simples a importância de honrar a autoridade civil, também as autoridades eclesiásticas. Estas autoridades tem sido estabelecidas por Deus para nosso bem, como ministros.

Em 1 Ts 5:12;13, lemos, “E rogamos-vos, irmãos, que reconheçais os que trabalham entre vós e que presidem sobre vós no Senhor, e vos admoestam; e que os tenhais em grande estima e amor, por causa da sua obra. Tende paz entre vós.”

Em 1 Timóteo 3, Lemos que o ministro é digno de respeito. A mesma ideia se encontra aqui, "os presbíteros que governam bem devem ser dignos de honra em dobro..." (1Tim 5:17).

Em Hebreus 1:9, observamos que os filhos tem de ter reverencia, respeito, aos pais. E lembremos que o apóstolo Paulo considera aqueles que ele cuida como filhos, “meus filhos, por quem, de novo, sofro as dores de parto, até ser Cristo formado em vós” (Gal. 4.19; leia também I Cor. 4.17, Gal. 4.6, Ef. 5.1 e II Tim. 2.1). Nesse mesmo sentido, os ministros são pais espirituais das ovelhas confiadas ao seu cuidado pastoral e espiritual.

Sou consciente que o uso do termo ‘reverendo,’ ou o uso de vestes, não faz um presbítero ou diácono ser digno de tal Ofício e Ministério. A integridade é fundamental para um ministro ser digno. Esta não se desenvolve por questões externas, e se pelo coração. O caráter do cristão se desenvolve através da conversão diária e a constante santidade. 

O apóstolo Paulo escreve as seguintes instruções as quais serão dignas de ser escutadas, “o que se requer de pessoas assim encarregadas é que sejam encontradas fiéis” (I Cor 4:2). E, o autor de Hebreus, escreve, “Obedecei a vossos líderes, sendo-lhes submissos, pois eles estão cuidando de vós, como quem há de prestar contas; para que o façam com alegria e não gemendo, pois isso não vos seria útil” (Hebreus 13:17).

Em Hebreus 1:9, observamos que os filhos tem de ter reverencia, respeito, aos pais. E lembremos que o apóstolo Paulo considera aqueles que ele cuida como filhos. Nesse sentido, os ministros do evangelho são pais espirituais para as ovelhas confiadas ao seu cuidado pastoral e espiritual.

O termo ‘reverendo’ nunca deve ser considerado um título hierárquico. Se consideramos a luz das Escrituras, as palavras revelam mais a função da pessoa ordenada para um Ofício e Ministério que um diploma ou título. A excepção desta norma se encontra nos doze, já que o título revela tanto a função e a autoridade eclesiástica. Os apóstolos, juntamente com os profetas, são os fundamentos sobre a qual a Igreja é edificada (Ef. 2.20). No caso dos outros chamados apóstolos no Novo Testamento, a palavra revela somente a função como enviados a proclamar o evangelho do nosso Senhor, Jesus Cristo.

Nas igrejas reformadas e protestantes, o termo ‘reverendo’ é usado para os ministros ordenados desde a época da Reforma Protestante, com a excepção das congregações não-conformistas, os quais começaram a usar o termo “Pastor” para referir-se aos seus ministros. No Brasil, na atualidade, se usa mais “Pastor” que qualquer outra palavra.

Pessoalmente, encontro vários motivos pelos quais não chamar “Pastor” aos ministros ordenados, contudo uso a palavra para tentar superar as barreiras culturais eclesiásticas existente no nosso país. Se me permitem, desejaria apresentar alguns dos argumentos pelos quais acredito que não deveríamos usar o título de Pastor para os nossos líderes eclesiásticos.
PASTOR”, título muito simpático e que expressa as funções básicas dos ministros e de outros obreiros – alimentar, guiar, proteger e disciplinar o rebanho. É adotado por algumas denominações, e não deixa de ser utilizado de maneira menos formal e mais coloquial pelos protestantes e outros. 
Contudo, analisando-se bem a questão relacionada com esse título, notam-se alguns motivos de objeção ao seu uso como título específico dos ministros da Palavra. Vejamos: 
I. É utilizado com referência à Divindade: “O Senhor é o meu pastor” (Sl 23.1). Em Jo 10.11,16; Hb 13.20; 1 Pe 2.25, etc., Jesus Cristo é chamado pastor. Não causa espécie dar a uns pobres mortais, “vasos de barro”, na expressão de Paulo, um título que é dado a Deus Pai e a Deus Filho? 
II. No caso da descrição das atividades na igreja e da igreja, “pastor” é palavra mais descritiva de funções, não título peculiar a uma dada categoria de pessoas. Note-se que no Antigo Testamento Deus se refere a um pagão como Seu pastor (Is 44.28). Em At 20.28 e em 1 Pe 5.1,2, se vê que não são somente os ministros da Palavra que exercem funções pastorais. 
III. A palavra Pastor nunca é usada para referir-se a um Ofício Eclesiástico, nem a uma ordem sagradas o ministério. Em Efésios 4, representa um dom ministerial.

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- Adaptado do artigo escrito por Odayr Olivetti, Consultório Bíblico, (São Paulo: Cultura Cristã, 2008), 49-52.

Tenho total respeito pelos costumes das outras igrejas cristãs, e este artigo não deve ser considerado além do desejo de apresentar os argumentos pelos quais usamos o termo ‘reverendo.’

Uma vez mais, desejo afirmar que ‘reverendo’ nunca deve ser considerado um título. Pelo contrário, esta palavra reflete a função, chamado e dedicação do ministro. A Igreja de Cristo deve dirigir-se com respeito aqueles que Deus tem chamado ao santo ministério, ordens e ofício de Diácono, Presbítero e Bispo. Lembrando que foi a vontade divina que foram estabelecidos tais ordens sagradas na Igreja de Cristo.

USO DOS TERMOS

Diáconos e Presbíteros - REVERENDO seguido do nome, uso abreaviado REV.

Bispos - REVERENDISSIMO seguido do nome, uso abreviado REVMO. Também, pode ser chamado de Bispo seguido do nome.

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2 comentários:

  1. Bem, instrutivo, mas de certa forma meio justificativo e acabar por ser de um ângulo infrutífero, já que a expressão "reverendo" como se utilizou não fornece a descrição de um cargo ou nível hierárquico, mas corresponde a um pronome de tratamento que pode ser utilizado por qualquer pessoa detentora de um oficio ou cargo religioso dentro de uma hierarquia, por isso, por exemplo, é comum os mestres budistas especialmente japoneses serem TRATADOS (não-chamados) de reverendos. Até mesmo religiosos consagrados como frades, freiras, monges e outros podem ser tratados como tais. É claro que esse é um uso para de emprego linguístico em lugares em que a língua/idioma permite ou existe esse referencial, portanto, é restritivo e depende da geografia e da língua local, logo reduzido a um aspecto cultural. Já referente a expressão "pastor", bem, eu concordo com que foi dito e colocado, ressalto, porém, que tal como "pastor" as palavras bispo, presbítero e diácono também descravem funções daqueles que tomam a dianteira no discipulado da Igreja, também não são títulos hierárquicos conforme o entendimento que vem sendo aplicado a Igreja. No entendimento da Sagrada Escritura, o bispo era do mesmo oficio que o do ancião, superintendente, presbitério, só com o desenvolvimento da eclesiologia que o bispo passou a ocupar uma posição hierárquica na Igreja ficando o presbítero a função da congregação local. Assim, e por isso, achei tendencioso sua observação sobre na contemporaneidade haver uma tentativa de desestruturação dos dogmas e da tradição pois formas eclesiológicas e doutrinárias nunca foram uma unanimidade nem entre os primeiros cristãos, a própria reorganização eclesiológica referente ao bispado foi vitima de uma crítica enorme, bem como de discussões nas congregações nos primeiros séculos, a própria história dos chamados padres e madres do deserto demonstram uma tentativa sutil de fugir dessa centralização, por conseguinte igualmente os mosteiros tinham essa intenção, por exemplo, o abade possui a prerrogativa do bispo e o mosteiro é como uma diocese autônoma, uma Igreja Particular dentro da própria Igreja. Com disse essas são "tradições da cristandade" e bons anglicanos e protestantes aprenderam bem como a tradição deve ser encarada e por isso ela esta sempre passível a mudanças e novos desdobramentos, é por isso por exemplo, que uma das mais tradicionais e conservadoras Igrejas Anglicanas do mundo (membro da Comunhão) não possui o oficio de bispo ou episcopado, eles "quebraram" essa tradição. Assim, esse texto realmente foi direcionado a quem pouco conhece da história do cristianismo, do anglicanismo e do protestantismo. Todo reformado sabe que o "reverendo" é pastor e todo luterano sabe que o "pastor" é reverendo, assim como batistas inteligentes sabem que o pastor pode ser chamado de reverendo e todo bom anglicano sabe que o termo reverendo é genérico, cabendo a ele saber se o reverendo(a) é diácono, presbítero ou bispo.

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    1. Agradeço seu texto, irmão. Se fosse possível, não escreva como anônimo, já que fiz uma excepção, porque não publico texto anônimos. Espero que entenda o motivo.

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