Quem pode mudar o mundo? Estudando Eclesiastes 1:4-7

Ainda lembro que quando era jovem desejava mudar o mundo. Tinha um desejo profundo de fazer a diferença no mundo. Se tivesse que usar uma palavra para definir o que sentia, seria paixão. Essa paixão me envolvia para moldar e dirigir minha vida. Possivelmente, é a paixão uma das características mais interessantes da juventude. Sonhamos, e estamos dispostos a dar nossas vidas por esses sonhos.

Muitos dos homens que fizeram uma diferença na história da humanidade desejavam também mudar o mundo. Sem falar das pessoas com nobre coração que tem vivido ao longo da história. São muitos os que tem desejado e vivido com o propósito de fazer o mundo um lugar melhor. Têm trabalhado arduamente para conseguir tal objetivo, inclusive realizando sacrifícios pessoais, e usando seus próprios recursos para alcançar tais mudanças.

Alguns conseguiram realizar grandes proezas, e não são poucos que afirmariam que esses heróis da humanidade mudaram a história, sim. Com certeza, muitos homens e mulheres têm feito coisas admiráveis e têm mostrado uma bondade maravilhosa. Têm ajudado de verdade a muitas pessoas, em ocasiões e situações terríveis. Porém, os resultados nem sempre foram os esperados, inclusive desanimadores às vezes. De fato, sempre existiram muito mais coisas que não eram capazes de fazer, que as que conseguiam realizar. Tinham muito mais pessoas com necessidades que a ajuda a ser entregue. Inclusive, muitas das mudanças foram temporárias e, infelizmente, não permaneceram para sempre. Tentaram duramente mudar o mundo, mas o mundo permaneceu o mesmo, afinal.

Umas das histórias que melhor descrevem o que estou dizendo, se encontra no filme, “A lista de Schindler.” Este filme conta a história de Oskar Schindler, um antigo militar polonês, bem relacionado com a SS, que progride rapidamente nos negócios ao se apropriar de uma fábrica de panelas, após o decreto que proibia aos judeus serem proprietários de negócios.

Schindler se valeu de sua fortuna crescente para "comprar" membros da Gestapo e dos altos escalões nazistas com bebida, mulheres e produtos do mercado negro. Seu afiado senso de oportunidade o levou a contratar um contador judeu – mais barato do que um profissional polonês.

Ele é Itzhak Stern, a mente por trás do que seria o começo de tudo: com o argumento de que os trabalhadores judeus representavam uma lucratividade maior para o negócio, ele convenceu Schindler a fazer destes, 100% da força de trabalho empregada em sua fábrica. Com o tempo, famílias judias passaram a trocar suas reservas financeiras por postos de trabalho (que os mantinha longe dos campos de concentração), permitindo que os negócios crescessem ainda mais.

A guerra avançou e Hitler lançou a campanha de "Solução Final", que acabaria definitivamente com os guetos, transferindo toda a população judia para os campos de concentração. Amon Goeth foi o comandante de um desses campos e um dos amigos mais próximos que Schindler teve entre os oficiais da Gestapo. Quando os trabalhadores de sua fábrica começaram a ser transportados para o campo de Plaszóvia, Schindler convenceu Goeth a colocá-los num ambiente separado dos outros, um lugar onde ficassem mais protegidos.

Numa determinada noite, passeando perto de um dos parques de Cracóvia, Schindler assistiu à invasão do gueto da cidade. Dias mais tarde, ele acompanhou uma ida de Goeth ao campo de concentração e assistiu às instruções que este recebeu para cremar os cadáveres dos mortos no massacre do gueto.

Schindler e o contador passaram a noite a digitar os nomes das famílias que seriam transportadas para a Tchecoslováquia ao invés de irem para Auschwitz. Para cada um dos 1.100 nomes que comporiam a lista, Schindler viria a pagar uma boa soma de dinheiro a Goeth, que tomaria as medidas necessárias para que o desvio de rota fosse bem sucedido.

Schindler fundou a fábrica de utensílios de cozinha Emalia para enriquecer com a guerra. Nela empregou entre 1939 e 1944 muitas centenas de judeus. Eram a sua força de trabalho, empregados especializados; mesmo que não o fossem, não deixavam de ser escravos. Pensou, durante algum tempo, que bastava aos seus judeus e aos outros manterem-se saudáveis para chegarem ao fim da guerra vivos. Depois percebeu que iam morrer todos e usou o que ganhara com eles para salvar alguns. Mais de mil. Schindler escreveu os seus nomes numa lista e deu-lhes vida.

No final do filme, acontece esta conversa entre Schindler e Stern:

Schindler: Eu poderia ter conseguido mais. Eu poderia ter conseguido mais. Eu não sei. Se eu ao menos... Eu poderia ter conseguido mais.
Stern: Oskar, há mais de mil e cem pessoas aqui que estão vivas por causa de você. Olhe pra elas.
Schindler: Se eu tivesse feito mais dinheiro... Eu gastei tanto dinheiro. Você não tem idéia. Se eu ao menos...
Stern: Haverão gerações graças ao que você fez.
Schindler: Eu não fiz o bastante!
Stern: Você fez muito.
[Schindler olha para o seu carro] Schindler: Este carro. Goeth teria comprado este carro. Por quê eu fiquei com ele? Dez pessoas logo ali. Dez pessoas. Dez pessoas a mais. [remove seu distintivo nazista de ouro da lapela] Este distintivo. Duas pessoas. Duas pessoas a mais. Ele teria me dado duas por isso, no mínimo. Uma pessoa. Uma pessoa, Stern. Por isto. Eu poderia ter conseguido mais uma pessoa... e eu não fiz isso! E eu... não fiz isso!

Esta história nos mostra que sempre tem mais que se pode fazer para ajudar as pessoas. Ainda existem mais coisas a ser realizadas para mudar o mundo. Infelizmente, há muito mais forças neste mundo que o poder dos homens. O sol produz muito mais luz e calor que toda a energia produzida pela humanidade. O vento é uma força maior que qualquer exército. A àgua tem efeito maior no nosso mundo que qualquer rei ou governante. Todas estas coisas estavam presentes no nosso mundo antes de que qualquer pessoa vivesse. E continuarão operando depois da nossa própria vida.

Mesmo com todo o poder que têm, inclusive as forças da natureza não podem mudar nosso mundo. Simplesmente seguem as regras que Deus tem dado para governar o mundo desde o início. As ações são as mesmas com maior ou menor intensidade. O ciclo da vida continua de geração a geração. Por isso, as notícias de hoje são esquecidas amanhã, porque logo novas notícias semelhantes ocupam as páginas dos jornais. A Terra continua dando voltas ao redor do sol, dia a dia, e noite a noite, sem percebemos o que está acontecendo diante de nós.

Somente Deus pode realmente mudar o mundo. Ele o formou e o criou do nada. Ele, sem dúvida, pode mudá-lo.

Pois a criação aguarda ansiosamente a revelação dos filhos de Deus. Porque a criação ficou sujeita à inutilidade, não por sua vontade, mas por causa daquele que a sujeitou, na esperança de que também a própria criação seja libertada do cativeiro da degeneração, para a liberdade da glória dos filhos de Deus” (Ro. 8:19-21).

No futuro, no tempo de Deus, o Senhor fará um novo céu e uma nova terra. E os problemas deste mundo desaparecerão permanentemente pela sua vontade.

Portanto, agora já não há condenação alguma para os que estão em Cristo Jesus. Porque a lei do Espírito da vida, em Cristo Jesus, te livrou da lei do pecado e da morte. Pois o que para a lei era impossível, visto que se achava fraca por causa da carne, Deus o fez na carne, condenando o pecado e enviando o seu próprio Filho em semelhança da carne do pecado e como sacrifício pelo pecado, para que a justa exigência da lei se cumprisse em nós, que não andamos segundo a carne, mas segundo o Espírito.” (Apocalipse 21:1-4)

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