ANGLICANOS EM ROMA? Uma analise da situação atual


Não sei se vocês lembram da Anglicanorum Coetibus. Ela é uma Constituição Apostólica proposta pelo Papa Bento XVI em 2009 para receber os milhões de Anglicanos que estariam indo para a Igreja de Roma. No 4 de novembro deste ano, fará cinco anos de tal anuncio, e, depois de todo, ficou só em uma notícia momentânea.

A história começa quando Igreja Anglicana na América (ACA) e a Comunhão Anglicana Tradicional (TAC, não confundir essa com a Comunhão Anglicana encabeçada pelo Arcebispo de Cantebury) fizeram uma Petição de União a Roma em Outubro de 2007, através de um ato onde todos os seus bispos assinaram o Catecismo da Igreja de Roma, aceitando os ensinos e doutrinas de tal Catecismo. A Igreja de Roma não respondeu quanto a isso até finais de 2009. Porém, em 4 de Novembro de 2009, o Papa Bento XVI anunciou o ordinariato pessoal Anglicanorum Coetibus.

Isto foi o princípio de uma série de conflitos internos dentro da Comunhão Anglicana Tradicional que levou a divisões no Canadá, Austrália, EUA e outros países. Finalmente, somente um pequeno grupo de paróquias e membros de tal comunhão se uniriam ao ordinariato.

Até agora, nenhuma diocese da TAC tem mostrado uma clara vontade de aceitar a Anglicanorum Coetibus. De fato, algumas paroquias tem abandonado a TAC, e se unido a outras igrejas anglicanas continuantes. De fato, recentemente, a própria Comunhão Anglicana Tradicional tem mudado de posição, e não buscará mais a união com a Igreja de Roma. Agora, a Igreja Anglicana na América (ACA) começou um processo de diálogo com a APA (Província Anglicana da América) para verificar a possibilidade de união no futuro entre ambas jurisdições locais.

Na Inglaterra, já foi organizado o Ordinariato Pessoal de Nossa Senhora de Walsinhgam. A conversão de vários bispos anglicanos ativos foi uma notícia comentada. Contudo, tal ordinariato tem somente 3,000 membros até agora.

Na Austrália, ainda que diversas paróquias de TAC tem participado na formação do Ordinariato Pessoal de Nossa Senhora da Cruz do Sul, os números de membros são muitos menores do que se esperava, estando longe daqueles que temos visto na Inglaterra.

Nos Estados Unidos e no Canada, o Ordinariato Pessoal da Cátedra de São Pedro tem 35 paróquias, missões e sociedades. Possivelmente, seja onde a ideia tenha conseguido um maior sucesso. Contudo é difícil saber o número exato de Anglicanos convertidos ao catolicismo romano nestes cinco anos.
Nenhuma das igrejas anglicanas continuantes tem aprovado ainda unir-se a Roma. As seguintes são as igrejas anglicanas continuantes com maior presença: UECNA (Igreja Episcopal Unida da América do Norte) ACA (Igreja Anglicana na América) APA (Província Anglicana da América) EMC (Igreja Episcopal Missionaria) APCK (Província Anglicana Cristo Rei) ACC (Igreja Católica Anglicana)

Nenhuma destas igrejas tem presença no Brasil. Na realidade, não existe nenhuma igreja anglicana no Brasil que possa, realmente, ser chamada de continuante. Existem igrejas anglicanas independentes.
Estas notícias são um balde de água fria para Roma. Não faz nem cinco anos que anunciaram com grande voz, e com grande alarde da imprensa, a Anglicanorum Coetibus. Agora, vemos como as perspectivas de receber centenas de milhares de anglicanos; nunca aconteceu.

Por outro lado, nota-se um fato curiosos nos últimos anos. Mais e mais evangélicos estão convertendo-se ao catolicismo romano. Inclusive no Brasil, já tenho conhecimento de cincos pessoas que, recentemente, se uniram a Igreja de Roma. É extremamente curioso observar que um números crescente de presbiterianos conservadores tem-se unido a Igreja de Roma. O último caso que teve certo impacto nos jornais, foi a conversão do Pr. Jason Stewart, da Igreja Presbiteriana Ortodoxa (igreja fundada por J. Gresham Machen nos EUA em 1936), à Igreja de Roma em 2012. E não é o único caso. O mesmo se pode dizer de igrejas evangélicas e pentecostais ao redor do mundo.

Os motivos são diversos, e seguramente será de grande valor observar este movimento e ver até onde vai. Em outras palavras, se serão são casos isolados ou se terminam sendo uma verdadeira corrente de conversões.

Nossa situação presente

Mas o que podemos ver com isso? Os Anglicanos Tradicionais da TAC terminaram não aceitando a proposta simplesmente porque não tinham como aceitar a mesma. Teria sido um absurdo renunciar a tudo o que acreditavam e amavam, ainda que sejam mais católicos-romanos que anglicanos, se encontrando um pouco como aqueles que nem são arminianos, nem calvinistas, tendo dois ou três pontos de cada um deles. Assim tem sido a jornada para estes anglicanos, já que não são anglicanos confessionais e, tampouco, são anglicanos étnicos.

Por outro lado, os anglicanos confessionais tem uma fé solidamente estabelecida nas Sagradas Escrituras, além dos próprios 39 Artigos da Religião, os quais todos os candidatos a ser ordenados na Igreja de Inglaterra seguem subscrevendo os mesmos. A GAFCON, através da Declaração de Jerusalém, tem reafirmado o papel central dos 39 Artigos como contendo sã doutrina e solida teologia. Este fato, juntamente com o Livro de Oração Comum e um governo sinodal presidido por bispos, tem dado uma forte posição em questões de doutrina, culto e disciplina, diante dos erros da Igreja de Roma, no passado e do presente. As igrejas anglicanas, novamente, tem encontrado neste início do Século 21, nos seus antigos padrões de fé, bases pelas quais tem causado uma nova vitalidade e ardor missionário ao redor do mundo, não necessitando caindo nos velhos erros que foram tão combatidos pelos reformadores ingleses e que a Igreja de Roma, de uma forma somente diferente, insiste em manter. E, sem causar notícias nos jornais, observamos a cada ano mais católicos-romanos se convertendo a Cristo e sendo recebido nas igrejas anglicanas.

A Deus seja toda a glória, agora e para sempre. Amém.

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2 comentários:

  1. Acredito que todos esses movimentos, idas e vindas de fieis são naturais na historia da Igreja de Cristo. Não consigo ver isso como merito ou desmerito de uma ou outra confissão. Principalmente nos dias de hoje que tudo é descartavel e que temos uma Igreja a cada esquina, ao gosto do fregues!

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  2. Eu acredito que todo esse êxodo entre confissões religiosas pode ser em parte por causa das mesmas. Assumir um outro credo também depende do que ele tem a oferecer ainda que muitos ainda insistam em aderir a uma confissão por questões de emotividade.

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