Porque não vou a Steiger Brasil


Em várias ocasiões, foi convidado por um amigo a ir a conferência que organiza Steiger no Brasil. E tenho tentado ser amável, mais nem sempre, sobre o pouco ou nulo interesse que tenho nela. Sinceramente, cansei de conferências, concertos, congressos, e outros eventos da mesma índole. Sei que minhas palavras podem parecer duras, mas esta não é minha intenção, simplesmente pelo fato de que eu mesmo já participe em muitos eventos e atividades e, assim, entendo o interesse que muitas pessoas tem com tais eventos.

Se você me convida-se a proclamar Cristo nas ruas, a visitar enfermos no hospital, a fazer oração nas praças e parques, a amar as pessoas desesperadas, a fazer um estudo bíblico em casa ou em um café, a denunciar os pecados da sociedade, entre outras coisas; então, pode contar sempre comigo.

Eu discordo com Steiger de que a situação do Brasil seja tal como é apresentada por eles: "esta geração emergente constitui um dos maiores grupos de pessoas não alcançadas pelo Evangelho."

Não negou que isto possa ser assim nos Estados Unidos, já que os novos estudos apontam este fato. Tal afirmação não se pode referir a Europa, onde já são várias gerações as quais não tem sido alcançadas. E, ainda menos ao Brasil, já que esta é a geração mais alcançada pelo evangelho. E não só no Brasil, mas também na maioria de nações do mundo.

Steiger afirma, "De muitas maneiras, a Igreja se tornou culturalmente distante e aparentemente irrelevante para suas vidas" e "Esses jovens não vão à igreja em busca de respostas porque em suas mentes essa é uma tradição morta, vazia e ultrapassada." Eu não vou negar que tal sentimento seja a intenção de alguns deles (a geração jovem é urbanizada e conectada globalmente pela internet e industria de entretenimento está cada vez mais secularizada), mas tenho minhas dúvidas que sejam a maioria e, ainda mais, discordo do conceito que tal número seja maior hoje no Brasil que no passado. Sinceramente, me pergunto,
Será que ninguém viu a multidão de jovens na praia durante a visita do Papa? Nem tem visto o número de jovens que se congregam em "igrejas" como Bola de Neve, Sara Nossa Terra, e tantas outras comunidades evangélicas e movimentos católicos romanos? Realmente, será que todos estes jovens acham que a igreja é culturalmente distante e aparentemente irrelevante? 
Acredito que a resposta é bastante óbvia.

Me resultou muito ofensiva a seguinte afirmação que encontre no site da conferência de Steiger, "A religião institucionalizada tornou-se irrelevante para vida diária." Sou bispo da Igreja Anglicana Reformada do Brasil, a qual é uma igreja que poderia ser considerada "uma religião institucionalizada" dessas que os jovens saem correndo quando ouvem falar. Contudo, esta não tem sido minha experiência. Por exemplo, não tem semana que não receba um e-mail de um(a) jovem "urbanizada e conectada globalmente pela internet e industria de entretenimento," a qual deseja ter uma igreja anglicana na cidade deles.

De todos os desigrejados que conheço, não conheço nem um só que estivesse em uma "instituização religiosa" (igreja histórica) quando ele virou desigrejado. Não estou falando que não tenha, estou falando que não conheço. Todos eles estavam em igrejas as quais se apresentam em contra a "religião." Talvez, seja a falta de sabedoria e conhecimento destas igrejas, o que tem causado as experiências negativas. De fato, se houvessem seguido a RELIGIÃO (leiam Tiago 1:26-27), talvez a historia seria outra.

O engraçado é que a Bíblia não fala nada contra a religião; de fato, só fala uma vez (e positivamente). A Bíblia fala sim muito, mais muito mesmo, da IGREJA. Eu não sei porque os "pastores" hoje tem tanto problema com a Igreja, porque foi a Igreja o motivo pelo qual Jesus deu sua vida na Cruz, e Ele vai voltar a pela Igreja. Se você não está na Igreja, como pedra viva, você está fora do corpo de Cristo, e Jesus não é o Seu Senhor.

O que resulta curioso é que tal afirmação de Steiger (a religião institucionalizada tornou-se irrelevante para vida diária), se mostra contrária ao que os pesquisadores estão encontrando nos últimos anos. Dois exemplos do que falou:

http://thegospelside.com/2012/09/23/whats-so-uncool-about-cool-churches/

http://thegospelside.com/2013/07/19/young-evangelicals-are-getting-high/

Permitam que compartilhe algumas informações que mostram a falsidade de tal afirmação, tanto no Brasil como no exterior:

A Igreja Anglicana Reformada do Brasil tem crescido em quatro anos de um pequeno grupo a 20 congregações e ministérios, sem apoio nenhum do exterior, nem financeiro, nem humano, e tampouco do Brasil. Sendo muitos dos nossos membros e líderes parte desta geração jovem.

Eu não acho que o problema desta geração seja a religião institucionalizada, mas o pecado e a falta de religião verdadeira. Permita que afirme em outras palavras, as igrejas que se apresentam contra a religião, tem sido uma das maiores causas de promover falsos ensinos no Brasil. Tem sido a principal causa  das feridas causadas as pessoas, e tem estado atrás dos maiores escândalos religiosos presentes. E não falo somente das igrejas (neo)pentecostais, mas também das igrejas alternativas, evangélicas, emergentes, entre outras, cada qual deverá entender o que falou.

Por outro lado, existe o pecado. Muitos jovens são conscientes do que se requer deles, se vão a seguir a Jesus, e não querem ir, porque não querem mudar de estilo de vida, nem deixar de fazer coisas que fazem. Outros só aceitam um Jesus feito a sua imagem e semelhança, e não o Jesus real. Assim, que somente irão onde encontrem aquilo que querem ouvir, permitam que possam fazer o que eles querem, e, ao final, nada mudará neles.

Os jovens brasileiros tem crescido sem pais, sem modelos de vida, e sem exemplos de vida. Se rebelam contra as autoridades e lideranças na sua vida, contudo buscam as mesmas de forma desesperada. Com certeza, enfrentamos primeiro uma forte rejeição de parte de alguns jovens, porém tal atitude muda quando quebramos as defesa e chegamos ao coração do problema. Atrás de muitas atitudes, se esconde verdades as quais ninguém quer falar, e problemas que devem ser quebrados, e vidas que devem ser restauradas.

Ainda que desejo que todos sejam salvos, nem todos serão, e isso doer dizer e doer ouvir. Aqueles que somos apaixonados pelas missões; oramos, pensamos e vivemos para ver as pessoas se aproximar de Deus, infelizmente muitas são as que rejeitam a Deus e seguem seu caminho, e, a maioria de vezes, nem é a igreja a responsável, de fato.



Existe um ponto que Steiger e eu temos em comum: Eles tem uma falsa idéia de quem é Jesus. Contudo, este problema não é só dos jovens, mas também dos adultos e os idosos, das "igrejas gospels" e muitos grupos cristãos. Possivelmente, aí esteja o problema real e, ao mesmo tempo, a resposta ao problema. Com certeza, é a chave para responder: "como a igreja pode cumprir sua missão de alcançar as novas gerações hoje?"

Responder esta pergunta, já tem produzido uma grande quantidade de páginas ser publicadas nos últimos anos. Eu não tenho a resposta. Só vou aportar alguns pensamentos para que os cristãos pensem um pouco.
  1. Apresentemos o Jesus real. Não basta amar as pessoas, abraçar as pessoas e chorar com as pessoas. Precisamos falar de Jesus, mostrar Jesus na nossa vida, e testemunhar do que Jesus tem feito na nossa vida.
  2. Menos papo, e mais vida. Faça o que a Bíblia diz que é para fazer, e pare de dar escusas. Vivamos o evangelho, TODO o evangelho, e nada mais que o evangelho. E não só aquilo que gostamos.
  3. Existe vida além de você. Sento muito, mas você não está no centro do universo, nem eu tampouco. Reconheça que é pecador, e que precisa dos outros, e que a maioria de vezes está errado.
  4. Parei de criticar a Igreja, você é a Igreja. A questão é se será parte da solução ou do problema. Não pergunte o que a igreja pode fazer por você, mas o que você pode fazer pela Igreja. 
  5. Menos Facebook, menos Novela das 8, e mais Jesus. Ame as pessoas, falei de Jesus para elas, e tomei o tempo cada dia pra orar por elas. Leia todos os dias a Bíblia, ainda que seja um versículo. Se não conhece a Palavra de Deus, não vai poder viver o evangelho, e não vai poder ajudar os amigos, como você precisa.
  6. Não pergunte o que Deus pode fazer por você, mas como você pode servir a Deus. Passe temos em comunhão com Deus, somente o Espírito pode transformar as vidas e levar as pessoas a Deus através de Cristo.

FINALMENTE, não sou contra Steiger; de fato, esta conferência tem alguns bons palestrantes e, possivelmente, seja de ajuda para os líderes que tem perguntas e não tem encontrado as respostas que queriam ouvir.

A Deus seja toda a glória, agora e para sempre. Amém.

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3 comentários:

  1. Vejo uma contradição em sua análise. Se esta geração é a que esta eficazmente sendo alcançada pela igreja no brasil, porque o Brasil continua com os mesmos indices de criminalidade, inadimplencia, abusos de crianças, violencia contra a mulher, assaltos e roubos, corrupção entre outros indicadores que apontam para algo muito estranho. Se o Brasil está se convertendo, eu gostaria de saber se convertendo a que? A possibilidade de ascenção social?, de bem estar material ou psicológico? de desencargo de consciencia buscando se livrar da culpa tornando-se um cristão nominal. Bispo Josep, as estatisticas que voce nos apresenta não são indicadores seguros de que o Brasil esta sendo alcançado, Aliás, voce usa o mesmo método que a Steiger usa para contrapor as afirmações. Estatistica é bom para quem vai apostar em algo, mas nao é um metodo seguro para avaliar a igreja e seu compromisso com a missão inerente a sua existencia.

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  2. Prezado amigo, muito obrigado pela sua opinião, agradeço sua reflexão.

    Se você me permite, eu não vejo nenhuma contradição em ser a geração mais alcançada até hoje, e, ao mesmo tempo, infelizmente, ainda encontrar problemas sociais como os que você descreveu, "os mesmos indices de criminalidade, inadimplencia, abusos de crianças, violencia contra a mulher, assaltos e roubos, corrupção entre outros indicadores que apontam para algo muito estranho."

    Devo confessar que não conheço as dadas de indices de criminalidade dos últimos trinta anos para fazer um analises de tais indices, se tivesse poderia concordar com a afirmação sua. Agora, vou aceitar sua premissa, em outras palavras acredito que o que você está dizendo é verdade.

    Ainda sendo assim, o fato de que estas duas realidades convivam junta, não nega o fato de que esta é a geração mais alcançada no Brasil. Eu não discordo que isto seja assim nos Estados Unidos ou na Europa. Eu sou espanhol, e concordaria com Steiger, se ele falasse da Espanha ou Europa. MAS, no Brasil, só posso discordar com tal analises. Baseado em data, estadistica, experiência, crescimento das igrejas, entre outros.

    Brasil se está convertendo a Cristo. O problema não reside a que se está convertendo, e se como os brasileiros estão sendo discípulados, ou a falta de discipulado, talvez, fosse o melhor forma de descrever o contexto atual.

    As dificuldades de fazer discípulos daqueles que são batizados, tem sido uma preocupação latente nas igrejas desde a Reforma Protestante. Nem sempre tem sido capazes de multiplicar um modelo adequado para que novos cristãos pudessem chegar a "obedecer todo aquilo que Jesus ensino." Aí se existe um problema que devemos resolver. Agora, isto não reafirma a declaração de Steigner, de ser a geração menos alcançada no Brasil.

    Ao meu ver, será difícil fazer discípulos se não temos uma clara visão do que é um discípulo, e aí está a grande dificuldade, porque cada teologo, pensador e autor cristão tem sua própria visão de que é um discípulo, e cada pastor, líder ou ministro também.

    Minha discordância com Steigner é que é uma organização que nasce em um contexto socio-cultural e eclesiástico bem diferente aquele que se encontra no Brasil hoje, e aplica o mesmo analises no contexto brasileiro.

    Como diz no meu artigo, a conferência tem muito bom palestrantes e minha objeção se encontra exatamente no que tenho escrito no meu último parágrafo.

    Entendo que discorde comigo, e não tenho problema com sua discordância. Se vai a conferência Steigner desejo que seja de benção e ajude no seu trabalho para a glória de Deus, e oro para que Deus multiplique os seus esforços em pro do Reino de Deus.

    Um forte abraço, e Deus esteja sempre contigo.

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