Que é a Confirmação cristã?


A Confirmação Cristã é a decisão pessoal pela qual uma pessoa publicamente faz próprios os votos que foram realizados pelos seus pais e padrinhos no Batismo. Ao mesmo tempo, declara sua fé em Cristo e recebe a imposição de mãos do Bispo para receber a benção da plenitude e batismo do Espírito Santo.

Quando um membro da Igreja deseja fazer esta profissão de fé pública, que chamamos de Confirmação, e receber a oração do bispo pela imposição de mãos o candidato vai por um processo de preparação antes da confirmação. No Anglicanismo, o candidato deve conhecer as doutrinas e ensinos essenciais da fé cristã, como se encontram no Catecismo. Isto é os Dez Mandamentos, o Credo Apostólico, o Pai Nosso e os Sacramentos. Geralmente, isto vai acompanhado de um claro entendimento do que é a Igreja Anglicana Reformada.

Há duas coisas que não devem ser confundidas sobre a confirmação. Uma delas é que a confirmação não faz ninguém membro da igreja. É através do Batismo que uma pessoa é recebida na Igreja. Segundo, a confirmação é a primeira afirmação pública diante de um bispo onde uma pessoa se compromete a seguir a Cristo, como Senhor e Salvador, e o Bispo ora para que esta pessoa seja cheia com a benção do Espírito Santo.

Este culto especial, chamado de rito de confirmação, forma parte do processo da criança de amadurecimento na sua própria vida e fé Cristã. A fé já não é a fé dos pais, mas agora será sua própria fé, como chega a maturidade pessoal. Por este motivo, a igreja primitiva entendeu que se fazia necessário ter um estágio de transição da criança para a vida do adulto. Entenderam que não existia um melhor modo que uma declaração de fé pessoal e um compromisso de seguir a Cristo. Contudo, a confirmação não é somente para jovens, também é para todos aqueles que desejam fazer um compromisso e profissão de fé pública diante da congregação e do Bispo.

Qual é a base bíblica da confirmação?

Temos que entender que os pais, com a ajuda dos padrinhos e a congregação local, tem uma obrigação de ensinar aos seus filhos os caminhos do Senhor (Provérbios 22.6-16). Esta obrigação recai nos pais, não recai na igreja, na comunidade ou na escola. Eles ajudarão os pais nesse processo, mas não pode ser esquecida a importância dos pais, porque será o seu exemplo e instrução que serão usadas pelo Espírito Santo para trazer a criança a uma fé viva.

Agora bem, as Escrituras a partir de onde surge a prática da confirmação se encontram em Atos 8.14-17. Os cristãos de Samaria tinham sido batizados, mas não tinham recebido a plenitude do Espírito até que foram confirmados. Assim, observamos a confirmação sendo usada por Deus para fortalecer os cristãos e amadurecer a eles.

Em Atos 19.5-6, encontramos uma situação semelhante, então é o apóstolo Paulo que impõe suas mãos para selar a eles com o Espírito Santo. Assim, vemos novamente a prática de orar para que o Espírito Santo venha sobre o cristão, depois de ter sido batizado.

Em Efésios 1.13 (veja também Ef. 4.30), o apóstolo Paulo escreve que os efésios batizados foram selados com as promessas do Espírito Santo, assim podemos ver uma referência ao que aconteceu em Atos 19.5-6. Isto é ainda mais evidente quando pensamos que era comum para os adultos convertidos ser batizados e confirmados no mesmo culto.

Em Hebreus 6.2, o apóstolo Paulo dá instrução aos Hebreus sobre a imposição das mãos, em clara referência ao que hoje chamamos confirmação, já que não se refere à ordenação. A Igreja primitiva impunha as mãos para confirmar os cristãos. Este texto é uma referência ao ciclos da vida cristã (batismo, confirmação, morte e julgamento), que se aplica a todas as pessoas.

Em 1 João 2.24-27, encontramos outro texto relacionado à unção, hoje se entende a confirmação, para fortalecer o cristão na sua vida cristã.

Esta é a base bíblica pela qual os Anglicanos temos celebrado a Confirmação. Evidentemente, entendemos que, realmente, somente é Deus através do Espírito Santo quem fortalece, unge, dá dons e sela os cristãos. A confirmação é uma oportunidade, onde se ora para que Deus faça aquilo que promete nas Escrituras em um momento em que o candidato faz uma declaração expressa e profissão de fé publica.

Então, a confirmação é um sacramento?

A Igreja Anglicana acredita que a confirmação não é um sacramento, porque não foi instituído pelo próprio Senhor, Jesus Cristo, como foi o caso do Batismo e a Ceia do Senhor, nem tem a mesma natureza que os sacramentos. Por isso, os Anglicanos chamamos a confirmação de um ato sacramental da Igreja, porque é um ato onde encontramos sinais visíveis (profissão de fé, imposição de mãos e oração) de uma graça invisível (o Espírito Santo fortalece o cristão e dá dons espirituais), contudo não é comparável aos sacramentos.

Qual é a relação entre a Confirmação e a Ceia do Senhor?

Historicamente, os cristãos somente tem participado da Ceia do Senhor, depois de fazer profissão de fé pública em culto público e sido confirmados pela imposição de mãos do Bispo. Contudo, nos últimos anos, a Igreja de Inglaterra e outras igrejas tem permitido que os Ministros, em decisão conjunta com as paróquias, permitam as crianças a participar da Ceia do Senhor, quando os pais acham que os seus filhos estão prontos para participar da mesma.

Que acontece depois da confirmação?

O cristão toma responsabilidade própria de viver sua fé Cristã, onde seja que ele/ela se encontre. Ele se compromete a obedecer os ensinos de Cristo e os dez Mandamentos, a renunciar ao mal, a ser um exemplo das boas novas e proclamar as mesmas àqueles que ainda não as conhecem. Ao mesmo tempo, existe um compromisso de servir a Cristo amando as pessoas. Assim, cada membro da Igreja se converte em um ministro. Não em vão, a confirmação poderia ser considerada uma comissão de todos os cristãos para o ministério ao qual tem sido chamado na sociedade e na igreja. Talvez, neste momento, precisamos entender que ser um ministro é, simplesmente, ser um servo de Deus, e não se refere às ordens sagradas per se, ainda que estas são chamadas de ministério ordenado, também.

Não em vão, todos os cristãos, ordenados e não, são sacerdotes de Cristo e participam da missão de Deus através da Igreja de Cristo pelo poder do Espírito Santo.



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