Deus ainda fala hoje


Uma das grandes verdades é que Deus fala hoje, como sempre falou com seu povo. Hoje, Ele fala através da plena revelação escrita que encontramos nas Sagradas Escrituras, que são conhecidas como a Bíblia.

Que é a Bíblia?

As Sagradas Escrituras são a Palavra de Deus, também conhecida como a Bíblia. A palavra “Bíblia” significa coleção de livros ou biblioteca. Isto é devido a que a Bíblia está formada por 66 livros que estão divididos em duas partes: o Antigo Testamento e o Novo Testamento. Através da Bíblia, conhecemos a história de redenção do povo eleito, a lei de Deus, os ensinos de Cristo, como também aprendemos como Deus nos guia e seu propósito para a humanidade através da história, e entendemos como Deus ainda atua hoje.

O Antigo Testamento está formado por 39 livros que, originalmente, foram escritos em Hebreus. Neles encontramos a criação do mundo e a caída. Também, descreve a fundação e preservação da nação de Israel. Deus prometeu usar Israel para abençoar o mundo inteiro (Gênesis 12:2-3). Uma vez que Israel tinha sido estabelecida como nação, Deus fez surgir uma família daquela nação através da qual a benção iria vir: a família de Davi (Salmos 89:3-4). Então, da família de Davi foi prometido um Homem que traria a benção prometida (Isaías 11:1-10). O Antigo testamento é considerado Escritura Sagrada tanto pelos cristãos como pelos judeus.

O Novo Testamento contém 27 livros que falam sobre a vida e ministério de Jesus Cristo na Terra e sobre a igreja primitiva. Neles, lemos sobre a vida, morte e ressurreição do nosso Senhor, Jesus Cristo. Fala sobre Pentecostes e como o Espírito Santo capacitou a Igreja para proclamar o evangelho, e o crescimento na Igreja de Cristo nos primeiros anos. Foi escrito em grego e, algumas partes, em aramaico. O Novo Testamento é considerado sagradas Escrituras pelos Cristãos.

Cerca de 40 autores humanos diferentes escreveram a Bíblia. Ela foi escrita durante um período de 1500 anos. Os autores foram reis, pescadores, sacerdotes, oficiais do governo, fazendeiros, pastores e médicos. De toda essa diversidade surge uma unidade incrível, com temas em comum por todo o seu percurso.

A unidade da Bíblia deve-se ao fato de que, essencialmente, ela tem um Autor: Deus. A Bíblia é “Inspirada por Deus” (2 Timóteo 3:16). Os autores humanos escreveram exatamente o que Deus queria que escrevessem, e o resultado foi a perfeita e santa Palavra de Deus (Salmos 12:6; 2 Pedro 1:21).

Todos os Cristãos tem a mesma Bíblia?

Todos os Cristãos reconhecem os mesmos vinte e sete livros cristãos que formam o Novo Testamento. Contudo, existem discrepâncias sobre os livros sagrados que formam parte do Antigo Testamento. Por exemplo, a Igreja Católica Romana e as Igrejas Ortodoxas reconhecem, como parte do Antigo Testamento, alguns livros que as igrejas protestantes não reconhecem. A Igreja Anglicana denomina estes livros, como deuterocânonicos, e não os reconhece como parte do cânon das Escrituras; portanto não podem ser usados para estabelecer doutrina.

A Bíblia é historicamente certa?

Acreditamos que sim, porque foi escrita, principalmente, por pessoas que estiveram lá. Por exemplo, Moises esteve no Mar Morto; os discípulos estiveram com Jesus; entre outros exemplos.

Os livros que formam as Escrituras foram mantidos com muito cuidado e copiados por pessoas que trabalhavam somente nisso, chamado de escribas. Eles tinham toda uma serie de regras que deviam seguir para fazer as copias, com o maior do cuidado. Por exemplo, tinham um numero especifico de colunas através do Antigo Testamento. Se houvesse qualquer indicação do menor erro, o scroll era destruído.

Outro aspecto que mostra a autenticidade e veracidade da Bíblia é a arqueologia. Ela tem mostrado uma e outra vez, os fatos e eventos acontecidos e descritos na Bíblia. Inclusive, a arqueologia moderna tem mostrado fatos desconhecidos até recentemente; por exemplo, não se sabia da existência dos Hititas até o início do século 20 quando se encontraram tabuas que mostraram a existência deles.

Como devemos usar a Bíblia?

A Bíblia deve ser usada exatamente como o que é, a Palavra de Deus viva, iluminada pelo Espirito Santo. Por isso, a Igreja Anglicana lê, escuta, prega e confessa a Palavra de Deus, como parte essencial do seu culto cristão e, também, da vida devocional individual.

Todos os cristãos devemos ler a Bíblia diariamente, meditar e estudar as verdades eternas que encontramos nela. Deste modo, poderemos obedecer tudo o que Jesus nos ensinou e ser fiéis aos Mandamentos de Deus.

Como deve ser interpretada a Bíblia?

A Bíblia deve ser interpretada por si mesmo. Se um texto contradiz outro, devemos refletir o que o texto está realmente dizendo. Também deve ser lida no seu contexto dentro das próprias Escrituras. Como já foi dito, um texto fora de contexto é um pretexto. Ao mesmo tempo, deve ser interpretada no contexto da fé, orações e adoração da Igreja reunida sob a guia do Espírito Santo. Sempre devemos considerar no que significava a mesma para os primeiros leitores (exegeses) antes de ser expressada nos tempos atuais (hermenêutica).

Temos que ter sempre consciência que a Bíblia foi escrita em línguas antigas, e que usamos traduções dos originais. Portanto, sempre devemos ser cuidadosos como lemos a Bíblia e as conclusões que chegamos a partir da leitura da mesma. Isto nos leva a interpretar as Escrituras de forma responsável. Os Anglicanos sempre acreditamos que se a Igreja tem entendido um texto da mesma forma através dos séculos, por todos e em todos os lugares, então esta deve ser a forma correta a ser entendida. A interpretação pessoal está condenada a cometer erros e inovações contrárias às próprias Escrituras. Sempre a Igreja confiou na guia do Espírito Santo, o estudo profundo das Escrituras nas suas línguas originais, e confiar na multiplicidade de conselhos.

Qual é a posição dos Anglicanos sobre o Magistério da Igreja?

Discordamos com a idéia do magistério da Igreja. “O Magistério da Igreja Católica refere-se à função de ensinar que é própria da autoridade da Igreja e que, por isso, deve ser obedecido e seguido pelos demais cristãos” (Wikipedia).

Entendemos que os concílios e a igreja tem errado no passado, e pode voltar a errar no futuro. Como lemos nos 39 Artigos, “Os Concílios Gerais não devem ser reunidos sem o mandamento e a vontade de Príncipes. E quando eles se reúnem (sendo uma assembléia de homens, onde nem todos são regidos pelo Espírito e pela Palavra de Deus) podem errar, e às vezes têm errado, mesmo nas coisas pertencentes a Deus. Portanto, o que por eles é ordenado como necessário à salvação não possui força nem autoridade, exceto se for declarado que eles o extraíram das Sagradas Escrituras.”

Os Anglicanos sempre concordam na interpretação bíblica?

A verdade é que não. Sempre temos encontrando na história da Igreja desacordos nos mais diversos pontos e temas. Os próprios apóstolos tiveram diferentes formas de entender algumas Escrituras; por exemplo, Paulo e Tiago tinham pontos de vista opostos sobre a circuncisão; e ambos defenderam fortemente suas posições. Contudo, o Concílio de Jerusalém conseguiu chegar a um acordo, onde os desacordos foram unidos. Inclusive, se estavam em desacordo, mantiveram a comunhão.

Hoje em dia, os Anglicanos, inclusive aqueles com opiniões diferentes, adoram a Deus uns ao lado dos outros na mesma congregação. Acreditamos no “Essencial, unidade; no não-essencial, diversidade; em tudo, caridade.”

Por isso, os Anglicanos aceitamos viver com diversidade das questões secundárias. Mantendo a unidade ao redor das Escrituras, dos Credos e dos 39 Artigos da Religião.

Como a autoridade da Bíblia se relaciona à razão e à tradição?

A Bíblia é a última e suprema autoridade em todas as questões de doutrina, prática e vida cristã. Ela contém todas as coisas necessárias para a salvação (Artigo 6). Portanto, a Igreja Anglicana acredita que os ensinos da igreja devem estar fundamentados e consistentes com as Escrituras. Também, temos uma responsabilidade de usar nossa razão para entender corretamente a Bíblia no contexto de tradição, que é como a interpretação das Escrituras pela igreja tem sido desenvolvida através dos séculos.

Os 39 Artigos da Religião, a confissão de fé da Igreja Anglicana, diz, “AS ESCRITURAS SAGRADAS contém todas as coisas necessárias para a salvação; de modo que tudo o que nela não se lê, nem por ela se pode provar, não deve ser exigido de pessoa alguma que seja crido como artigo de Fé ou julgado como exigido ou necessário para a salvação. Pelo nome de Escrituras Sagradas entendemos os Livros canônicos do Antigo e Novo Testamentos, de cuja autoridade jamais houve qualquer dúvida na Igreja” (Artigo 6).



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