Assembléia de Westminster e os 39 Artigos da Religião



Através do anos, tenho ouvido diversas teorias e opiniões sobre o papel dos 39 Artigos da Religião no processo de redação da Confissão de Fé de Westminster. Alguns falam que estes tiveram pouco impacto, outros acham que, talvez, tive mais do que damos credito.

B.B. Warfield foi da opinião que se pode encontrar muito pouco dos 39 Artigos na Confissão de Fé de Westminster. Pessoalmente, sempre achei que os teólogos de Westminster tinham sido influenciados pelos 39 Artigos.

Recentemente, encontrei com grande surpresa o livro, ‘The Westminster Assembly: Reading its theology in historical context’ (P&R, 2009), onde o autor, Robert Letham, defende que a Confissão de Westminster uso extensivamente os Artigos e foi a partir deles que se desenvolveu a redação da confissão de Westminster. Ele afirma assim,
Os 39 Artigos foi uma fonte principal para a Assembléia. A Assembléia estava fortemente em linha com a tradição dos Reformadores Ingleses. Se os documentos da Assembléia fossem uma torta de queijo (cheesecake) magnificente, então a crosta crocante solida é Cranmer. Se tivéssemos que supor que eles são um suculento pescado frito, então as batatas, sal e vinagre vem da tradição dos primeiros Reformadores Ingleses” (P. 81).
Palavras surpreendente de um pastor da Igreja Presbiteriana Ortodoxa. Realmente, se paramos a pensar, sem preconceitos, nem agendas. A Assembléia de Westminster foi convocada pelo Parlamento para desenvolver uma revisão dos 39 Artigos e resolver a questão do governo na Igreja de Inglaterra (anglicana). Portanto, a fonte teologica de onde beberam, foi sem dúvida todos os bispos, arcebispos e teólogos anglicanos do século 16 que organizaram a Reforma Protestante na Inglaterra.

Nesse sentido, tenho a certeza de que a Assembléia de Westminster norteava para um anglicanismo fortemente puritano e apoiado em um sistema de governo que tinha que ser decidido entre o sistema congregacional, episcopal ou presbiteriano.

Devido a que o Rei era contrário a própria Assembléia, faz que os partidário do mesmo, os Laudianos (o partido na Igreja de Inglaterra a favor de um governo episcopal que consideravam ser parte essencial de ser igreja e partidários do Rei), não participassem.

Somente, depois de que o parlamento perdeu várias batalhas e buscassem apoio militar através de uma Liga e Aliança Solene com a Escócia. Esta foi assinada o que permitiu os Escoceses enviar vários ministros e presbíteros para defender o governo presbiteriano na Igreja de Inglaterra. Nem precisamos falar qual foi o resultado desta liga e o papel dos delegados escoceses. Contudo, não foi somente o governo o que foi reconsiderado, mas também a mudança nos outros documentos foi maior do que era prevista no seu início, inclusive a redação de uma nova confissão de fé, chamada de Westminster.

Interessante, observar como as questões políticas sempre tiveram um papel destacado na vida e decisões da igreja através da história.

Talvez, tenhamos muito que refletir sobre a Reforma na Inglaterra e como percebemos a mesma.

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