Despertando os Gigantes, Parte III

Não somos o centro do universo

Existe uma tendência muito grande entre os líderes bem sucedidos de pensar que são  imprescindíveis para a obra de Deus. Muitas vezes nem eles mesmos percebem este fato até que Deus mostra esta realidade.

Eu mesmo vivi isso no ministério. Faz 9 anos comecei uma missão que rapidamente cresceu até chegar, em menos de cinco anos, a ter 1.200 igrejas ao redor do mundo. Porém, quanto mais sucesso tinha, não necessariamente estava mais perto da vontade de Deus para minha vida.

Ao mesmo tempo, chega um momento que todos pensam que você é imprescindível para as coisas seguirem adiante, e você começa a acreditar nisso também.

Infelizmente, isso não é certo. Ninguem é imprescindível. De fato, se visitamos os cemitérios vamos encontrar muitas pessoas que, em algum momento, eram imprescindíveis, mas depois deles, a vida continuou.


A tentação entre os lideres é muito forte de pensar e agir como se eles realmente fossem assim. Terminam realmente acreditando que as coisas só funcionam na verdade, porque eles são os que estão na liderança da igreja ou projeto missionário. Mas isso não é certo.

A única pessoa que era e é imprescindível é Jesus e, paradoxalmente, Ele agia e falava de uma forma totalmente diferente ao que se poderia esperar dEle. Ele sempre buscou incluir pessoas no que Ele desejava fazer. Em Joao 15.16, lemos como Jesus usou os peixes e pão de um garoto para alimentar as pessoas reunidas. Ele não precisava dos peixes e pão do garoto, mas Jesus decidiu usa-los para mostrar que, juntos, era possível o impossível.

Outro exemplo é que Jesus poderia haver ressuscitado a Lazaro sem retirar a pedra, inclusive poderia haver movido a pedra ele mesmo sem tocar nela.

Jesus deseja trabalhar através do povo de Deus, a Igreja, para transformar e redimir um mundo caído em pecado. Por isso, não é nenhuma surpresa que escolheu doze homens para serem seus apóstolos, que depois escolheram outros homens (bispos) para seguir adiante a missão de Deus.

É incrível que nem o apostolo Paulo se via como imprescindível, mas encontramos tantos pastores (ou bispos, ou apóstolos) que acham que são o “cara.”

O apóstolo Paulo sempre falou muitas bondades dos seus companheiros de viagem, e falou nas suas epistolas de diversos outros líderes, exortando as igrejas que reconhecessem seu trabalho.

Sejamos cuidadosos e precavidos, porque se achamos que o líder precisa fazer tudo, podemos nos encontrar diante de um serio problema no futuro.

De fato, o líder bem sucedido não é aquele que faz tudo, que tem todas as ideias, que planeja as estratégias, mas aquele que leva todos os discípulos adiante na missão de Deus para fazer visível o Reino de Deus para a gloria dEle.

Não em vão, encontramos que muitos pastores estão cansados, estressados, desanimados, e sem forças. Por outro lado, muitos auxiliadores não conseguem mais ficar ao lado de lideres que são “grandes chefões” ou, na realidade, pequenos ditadores.  

Ao mesmo tempo, quando uma igreja depende muito do líder, este não estará sob escrutínio, nem escutara outros. Sem perceber, cometera abusos de poder, e injustiças, pensando que esta fazendo tudo para a gloria de Deus, quando na verdade esta sendo um servo do inimigo.

Isto mesmo podemos ver em Êxodo 18.13-24. Moisés precisou que falassem na vida dele, porque ele estava exausto e o povo de Deus estava sofrendo. O conselho de Jetro foi realmente de grande ajuda e, graças a Deus, Moises teve humildade para escutar e seguir o conselho dele.

Sempre devemos pensar o que haveria sido de Davi sem seus valentes? E de Gideão sem os trezentos?

Finalmente, pensemos que os nossos dias estão contados. Portanto, devemos sempre estar preparando os nossos Timóteos e Titos para que realmente sejam modelos de vida, exemplos e fieis discípulos de Deus. Do contrario, que acontecera com a igreja quando este líder já não esteja mais?

Precisamos de líderes que conheçam suas debilidades e fraquezas, mas que estejam sem temor de enfrentar os seus medos e viver a missão de Deus. Devemos capacitar lideres que não achem que são imprescindíveis, mas que acreditem que trabalhar juntos para a gloria de Deus é imprescindível.

Um comentário:

  1. Que Deus o abençoe por nos brindar com mais este post, Bispo Rossello. Eu só faria uma ressalva: no trecho "Existe uma tendência muito grande entre os líderes bem sucedidos de pensar que são imprescindíveis para a obra de Deus", eu trocaria o termo "tendência" por "tentação".

    Vanderson M. da Silva

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